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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

"Persuasão" (Jane Austen) (Desafio Clássicos 2013 - Novembro): OPINIÃO!

O primeiro livro que li da autora Jane Austen foi "A Abadia de Northanger" e embora não me tenha entusiasmado muito, entretanto li outros livros desta autora, nomeadamente "Orgulho e Preconceito" que pelo seu carácter romântico me agradou e "Sensibilidade e Bom Senso" que me conquistou sem reservas. 

No mês passado voltei então a Jane Austen, desta vez com "Persuasão" e eis que sou agarrada logo desde a primeira página ficando em mim aquela sensação intuitiva de que vem aí uma leitura que me irá apaixonar e, terminado o livro posso garantir que não me enganei, sendo que este clássico se revelou uma verdadeira surpresa, tendo em conta que os clássicos nem sempre se revelam leituras fáceis ou compulsivas. No caso de "Persuasão" a leitura pautou-se pela sua fluidez e, não obstante, o registo de crítica social inerente à maioria dos clássicos, revelou-se igualmente uma leitura apaixonante.

Em "Persuasão" a acção desenrola-se em pleno século XIX e dá-nos a conhecer, por um lado, a família Elliot e, por outro, uma história de amor do passado que o destino por artes mágicas faz reacender e ter uma nova oportunidade.

Sr. Elliot é um inglês abastado que face à perda de algumas das suas posses se vê obrigado a mudar de residência e a alugar a sua estimada casa de família e eis que os novos inquilinos escolhidos são familiares do Capitão Wentworth, o grande amor de Annie, filha do Sr. Elliot. 

Circunstâncias do passado, bem como pressões exteriores, condenaram o amor de Annie Elliot e do Capitão Wentworth ao fracasso, sendo que com esta reviravolta do presente, Wentworth voltará a fazer parte do circulo social de Annie o que acabará por aproximá-los.

Contudo, esta aproximação não é instantânea e ao longo da leitura de "Persuasão" vamos assistindo à forma como este casal lida um com o outro, como se comportam, os seus medos resultantes do passado e a inquietação de um sentimento que afinal parece ter permanecido embora tenham passado oito anos desde a altura em que as suas vidas seguiram rumos diferentes.

Através de uma escrita ritmada e de uma narrativa que alia sentimento à crítica social, Jane Austen consegue levar o seu leitor por uma leitura repleta de inteligência e aconchego. As suas descrições da época, dos comportamentos, das reuniões sociais, das ligações familiares e do ambiente envolvente conferem um prazer adicional a esta leitura.

A forma como Jane Austen consegue traçar um retrato da época tão real e perspicaz é deveras cativante e apesar da crítica social estar sempre implícita e de a autora focar temas absolutamente sérios e pertinentes, a verdade é que consegue igualmente inserir rasgos de humor através das suas personagens.

Assim sendo, as personagens são múltiplas e cada uma se reveste de uma importância particular para o desenrolar da acção e para a riqueza da narrativa.

Não podendo fazer uma comparação com todos os outros livros da autora por ainda ter dois por ler, a verdade é que este "Persuasão" afigura-se-nos como um livro mais maduro, possivelmente por se tratar do último livro escrito pela autora antes da sua morte, sendo que durante a leitura deste clássico senti um fascínio intenso pela personagem feminina que revela uma personalidade e um comportamento absolutamente especial.

Em suma, "Persuasão" entra para o grupo dos meus clássicos preferidos de 2013, ficando a vontade de me aventurar pelas páginas dos outros dois livros da autora que tenho cá por casa ("Emma" e "Mansfield Park"). 

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

"Boneca de Luxo" (Truman Capote) (Desafio Clássicos 2013 - Outubro): OPINIÃO!

"Boneca de Luxo" de Truman Capote foi o clássico eleito para ler no mês de Outubro e finda a sua leitura que se faz rápida pelo reduzido número de páginas, chega-se a um momento de pausa e reflexão sobre o alcance deste livro, sobre os seus significados, personagens e envolvência. Já terminei esta leitura há algum tempo e a verdade é que me deixei ficar a pensar se tinha gostado, se não tinha gostado, se tinha gostado muito ou imenso e eis que concluo que ansiava por mais, embora as personagens tenham um carácter muito particular e dinâmico.

Este clássico de Truman Capote apresenta-nos Holly, uma jovem alegre e, ao mesmo tempo, solitária que busca um lugar ao qual possa chamar "casa". Na sua caixa do correio lê-se "Em viagem" e com o decorrer da narrativa verificamos que esta jovem anseia por um lugar onde se sinta em casa finalmente. 

Narrado pela voz do vizinho de Holly, somos levados por uma leitura onde é feito um retrato da sociedade, com os seus vícios, aparecendo-nos esta personagem feminina complexa que suscita dúvidas no leitor: se, por um lado, podemos ver Holly como uma jovem boémia e mundana que desafia as convenções sociais, por outro, podemos entendê-la como alguém que apenas procura a sua felicidade. Quase que sentimos em Holly uma necessidade intensa de realização pessoal, de colo e de afecto, apesar de toda a atenção e luxúria que desperta por parte dos olhares masculinos.

Viajando por uma América dos anos 40 vemos uma sociedade muito específica, sendo que o enredo nos leva para uma história de amizade, amor e desilusões.

Em suma, trata-se de um livro com uma narrativa fluída, cuja escrita simples e directa embala o leitor, enquanto o leva por um enredo onde as personagens são a estrela principal. Não obstante, "Boneca de Luxo" entra na categoria de "livro a ler novamente mais tarde" com outros olhos e uma outra dedicação e atenção.

CLASSIFICAÇÃO: 3. Gostava de ter gostado mais!


domingo, 13 de outubro de 2013

"O Professor" (Charlotte Brontë) (Desafio Clássicos 2013 - Agosto): OPINIÃO!

Depois de ter lido "Jane Eyre" de Charlotte Brontë e ter-me apaixonado, foi com entusiasmo que recebi de oferta "O Professor" da autora e o incluí na minha colecção de Clássicos de Literatura Universal. Em Agosto decidi dedicar-me então à sua leitura e iniciei as primeiras linhas com expectativa ansiando embrenhar-me numa narrativa que fizesse o meu coração palpitar. Contudo e, ao contrário do que acontecera anteriormente com "Jane Eyre", este "O Professor" não me conquistou logo desde início. Não obstante, ao longo da leitura fui-me enamorando gradualmente pela história e por todas as nuances que este clássico encerra em si mesmo.

"O Professor" conta-nos a história do jovem inglês orfão William Crimsworth que trilha uma vida difícil e repleta de obstáculos não obstante a ajuda que outros familiares lhe ofereceram. William decidi recusar este auxílio familiar, cheio de segundas intenções e com contrapartidas que não vão ao encontro dos seus valores e forma de estar. É neste contexto que vamos acompanhar a vida de William, começando a narrativa por nos remeter para um fase inicial em que William se vê num emprego com o qual não se identifica e pressionado por um irmão/patrão que há muito esqueceu esse laço sanguíneo familiar distante e se comporta como um patrão irascível e desumano. Face a uma situação que em nada agrada a William o mesmo decidi mudar a sua vida, sendo que o leitor é levado para a Bélgica e acompanha a vida deste jovem num contexto completamente diferente. 

William Crimsworth arranja emprego como professor num colégio só de rapazes e, posteriormente, concilia esse emprego com o de professor num colégio interno de raparigas. Enquanto professor, William acaba por conhecer pessoas caricatas e é com mestria que a autora Charlotte Brontë nos traça as suas personalidades, sendo-nos trazido pela voz do próprio Crimsworth os seus defeitos e simpatias falsas. 

À medida que a narrativa se vai desenrolando vamos conhecendo, de forma mais aprofundada, o jovem William Crimsworth que nos dá uma visão directa, não só das outras personagens, mas também dos seus próprios comportamentos e pensamentos. 

À parte de toda a caracterização das personagens e respectivas personalidades que melhor se compreendem à luz de uma sociedade do século XIX, "O Professor" remete-nos para um narrativa onde floresce uma história de amor serena e bela, que vem sarar algumas desilusões anteriores vivenciadas por William e ensinar-lhe o que é o verdadeiro amor.

Em suma, "O Professor" foi-me conquistando aos poucos e é a partir do momento em que William Crimsworth se torna professor que eu, enquanto leitora, me começo a concentrar mais atentamente na leitura, deixando-me embrenhar na mesma sem restrições. A narrativa embora simples, consegue simultaneamente ser densa, visto este clássico acarretar um carácter introspectivo intenso, onde a reflexão por parte do leitor é incitada em cada página.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!


domingo, 6 de outubro de 2013

"O Estrangeiro" (Albert Camus) (Desafio Clássicos 2013 - Setembro): OPINIÃO!

"O Estrangeiro" de Albert Camus foi o clássico escolhido para o mês de Setembro e conta-nos a história de Meursault, personagem principal deste livro que vagueia pela vida como se de um espectador externo se tratasse...quase como se fosse um estrangeiro dentro da sua pele. É sem dúvida esta forma peculiar de estar na vida que faz com que Meursault não seja devidamente compreendido pelos outros que o rodeiam.

Meursault não chorou no enterro da sua mãe, não demonstrou o sofrimento que um filho deveria sentir pela perda daquela que lhe deu a vida e quando, num momento mais tardio da narrativa, mata um árabe, acaba por ser condenado à morte, não pelo seu crime em si mas por não ter derramado lágrimas pela morte da sua progenitora. 

Numa primeira parte do clássico acompanhamos a vida de Meursault marcada pela morte da sua mãe, pelo caso tórrido com Maria e pelo convívio muito particular com outras personagens especiais deste livro. E eis que na segunda parte nos deparamos com um homicídio, um Meursault que não sabe explicar porque matou e, sobretudo, vemo-nos perante um grupo de "juízes" (jurados e sociedade em geral) que não hesita em condenar o comportamento aparentemente frio de Meursault. É que Meursault não mostra arrependimento e, embora este posicionamento perante a vida possa inicialmente parecer estranho ao leitor, a verdade é que à medida que nos envolvemos na leitura começamos a perceber que esta forma de estar prende-se essencialmente com o facto de Meursault só entender a vida se se comportar de acordo com a verdade, com aquilo que acha correcto e real. 

O leitor poderá questionar-se: mas será que não seria melhor se Meursault fingisse arrependimento ou derramasse umas lágrimas de tristeza pela sua perda? Se conseguisse mentir certamente os outros sentiriam compaixão por si e não seriam tão severos no seu julgamento.

"O Estrangeiro" de Albert Camus, através desta personagem tão especial, constrói uma crítica intensa à sociedade, aos julgamentos que muitos de nós fazemos de forma automática e aleatória quando nos deparamos com alguém que parece afastar-se do comportamento que é esperado. Quem é diferente e não corrompe a sua integridade, nem faz uso da mentira para simplificar a vida, é posto de lado e sobre si recaem logo julgamentos que podem acarretar um carácter severo como acontece com Meursault que é condenado à morte.

Em suma, o clássico "O Estrangeiro" apesar de ser um livro pequeno com poucas páginas, é um livro que não deixa de ser grande pela narrativa que encerra e pela mensagem que transmite ao leitor.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!




sexta-feira, 27 de setembro de 2013

"A Idade da Inocência" (Edith Wharton) (Desafio Clássicos 2013 - Julho): OPINIÃO!

Sempre que leio um clássico fico admirada. E porquê? Porque apesar de já ter lido alguns clássicos durante este ano, a verdade é que ler um clássico continua a ser uma aprendizagem bem como uma viagem ao longo das páginas. Continuo a constatar que ler um clássico não é algo fácil. Aliás, é algo complexo, que exige atenção extra por parte do leitor para que este consiga extrair uma mensagem, uma lição, uma crítica para assim ser capaz de o analisar devidamente.

Ler o clássico de Julho - "A Idade da Inocência" da autora Edith Wharton foi assim uma aventura. Nunca tinha lido nada da autora pelo que foi uma estreia. 

Remetendo-nos para a sociedade nova iorquina do século XIX, a autora consegue traçar um retrato das pessoas, dos locais, dos convívios sociais e da forma de estar, com realismo e intensidade. A ênfase que a autora Edith Wharton coloca na caracterização das personagens, das suas vivências, das suas emoções, dos seus comportamentos e das suas personalidades torna a leitura cativante, pois ao entrarmos nos mundos interiores das várias personagens não podemos deixar de constatar que, muitas vezes, o peso de ter um comportamento socialmente desejado e correcto se sobrepõe e entra em contradição com o coração e a emoção.

Neste clássico "A Idade da Inocência" é absolutamente visível que as condicionantes sociais da época, no que concerne ao modo como se espera que alguém se comporte, exerce grande força sobre as personagens. Numa época em que os convencionalismos sociais eram imensos e restritivos, surge a personagem de Newland Archer, personagem fulcral do livro, que se nos afigura como um homem inteligente que sente dificuldades em se adaptar às regras da sociedade dado o seu espírito livre e à frente do seu tempo. Nesta personagem sente-se perfeitamente que há um esforço para respeitar as regras sociais mesmo que para isso seja necessário guardar as suas emoções.

Quando a Condessa Olenska surge na narrativa, o mundo de Newland Archer abana e este, apesar de se encontrar noivo, é arrebatado por uma paixão forte que colocará em causa os valores e condicionalismos sociais.

É em torno destas e doutras personagens que se desenrola uma narrativa plena de descrições e onde a crítica social desempenha um papel importante como vem sendo hábito nos clássicos que tenho vindo a ler. "A Idade da Inocência" pelo seu enredo, pelas suas descrições e pelas suas personagens leva o leitor numa reflexão séria sobre as pressões sociais e sobre o grau de liberdade de escolha pessoal e emocional no que concerne à sociedade retratada nas páginas deste clássico.

Em suma, "A Idade da Inocência" da autora Edith Wharton faz-nos reflectir sobre as sociedades de tempos anteriores, sobre o quanto as sociedades evoluíram e sobre o valor dos sentimentos e a escolha que cada um faz em função de um condicionalismo social.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!



sexta-feira, 5 de julho de 2013

"Sensibilidade e Bom Senso" (Jane Austen) (Desafio Clássicos 2013 - Junho): OPINIÃO!

Ler um clássico é sempre uma aventura. Será que vamos gostar? Será que vai ser uma leitura difícil? Será que nos vamos identificar com alguma personagem em particular? Será que a autora ou autor nos vai conseguir transmitir uma época diferente, valores distintos e sociedades únicas?

Foi com todas estas questões que embarquei na leitura de "Sensibilidade e Bom Senso" e depois de ter lido anteriormente outros dois livros de Jane Austen ("A Abadia de Northanger" e "Orgulho e Preconceito") estava com expectativas, questionando-me se este clássico se tornaria especial ou, se pelo contrário, iria compará-lo com os outros e chegar à conclusão de que tinha gostado mais de outro lido antes.

Pois bem, finda a leitura de "Sensibilidade e Bom Senso" posso dizer que adorei simplesmente. Envolvi-me na leitura logo a partir da primeira página e, a partir daí, fui-me embrenhando cada vez mais na leitura, deixando-me levar pelas personagens, as suas histórias, as suas personalidades, as suas vivências e as suas escolhas. 

Em "Sensibilidade e Bom Senso", a autora Jane Austen dá-nos a conhecer duas irmãs com personalidades totalmente diferentes. Elinor é uma jovem sensata, ponderada e reservada, enquanto que Marianne é espontânea, romântica e impetuosa. À medida que vamos entrando na leitura com maior profundidade vamo-nos encantando com estas duas jovens que têm formas de agir muito diferentes perante a vida e o amor, sendo que, com o decorrer da acção, nos apercebemos que têm muito a aprender uma com a outra e que, com as surpresas da vida, as características da personalidade podem sofrer alterações.

Neste clássico de Jane Austen vamos acompanhar a história da família Dashwood que a partir da morte do patriarca se vê envolta em dificuldades financeiras, o que as levará a uma mudança de residência: não só uma mudança de casa e de local, mas também a uma mudança de condições de vida, sendo que as mulheres Dashwood (Elinor, Marianne e mãe) vão mudar para o campo e ver as suas vidas sofrer uma reviravolta.

Na sua nova residência, as irmãs Dashwood irão conhecer novas pessoas e cada uma delas tentará encontrar a sua felicidade, acabando por levar a momentos de sofrimento, angústia e receio; momentos pautados por obstáculos que, com a aproximação do final, se começam a deslaçar e a dar lugar a um cenário totalmente diferente e pautado por uma aura de emoção e sentimento.

Este clássico não poderia ter melhor título, pois efectivamente, embarcamos numa narrativa onde a sensibilidade e o bom senso desempenham um papel fulcral na acção, ao mesmo tempo que o enredo se reveste de um núcleo de personagens muito particular que acabam por conferir uma riqueza extra a esta leitura.

"Sensibilidade e Bom Senso" tocou-me por ser um livro cheio de emoção e sentimento, bem como repleto de personalidades e, se por vezes, me identificava mais com Elinor, outras ocasiões revia-me em Marianne e, foi a meu ver esta vastidão de formas de ser, agir e comportar que tornou este clássico numa leitura, não só envolvente e cativante, mas também apelativa ao meu coração romântico de leitora que esteve até ao fim a torcer por desfechos felizes tanto para Elinor como para Marianne.

Ao contrário do que já aconteceu com outros clássicos, senti que este "Sensibilidade e Bom Senso" me prendeu a atenção, levando-por uma narrativa onde a acção nos faz querer ler só mais um pouco. A envolvência dos cenários, das formas de estar e das relações estabelecidas é intensa e não deixa o leitor indiferente.

À parte das personagens e respectivas histórias pessoais, Jane Austen pinta-nos um retrato muito interessante da sociedade: os seus valores, a sua moral, os seus princípios, os seus comportamentos e relações.

Anteriormente já tinha gostado d' "A Abadia de Northanger" e apreciado muito "Orgulho e Preconceito", mas "Sensibilidade e Bom Senso" tocou-me de uma forma especial, quase como se a narrativa tivesse um poder de atracção implícito que cativa e agarra. Ficou, sem dúvida, a vontade de ler outros clássicos escritos por Jane Austen, que mais uma vez, não só construiu uma narrativa criativa e única, mas também acentuou a sua capacidade de escrita com mestria e clareza. Acaba por ser extraordinário constatar tamanha capacidade de escrita e envolvência num livro publicado em inícios do século XIX.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


segunda-feira, 24 de junho de 2013

"Madame Bovary" (Gustave Flaubert) (Desafio Clássicos 2013 - Maio): OPINIÃO!

Iniciei a leitura de "Madame Bovary" de Gustave Flaubert no final de Maio e esta além de ter transitado para Junho prolongou-se durante vários dias por este novo mês, muito fruto de ter alternado este clássico com a leitura de outros livros. 

E finda a leitura de "Madame Bovary" mais uma vez volto a constatar que comigo não funcionam leituras simultâneas, pois quer queiramos quer não acabamos por dar sempre mais atenção a uma das leituras. E atendendo a que a leitura de um clássico exige sempre maior concentração, acabei por ser atraída para o outro livro que estava a ler na altura por ser de leitura mais suave. Conclusão: não posso fazer leituras simultâneas, principalmente se uma delas for um clássico. 

Quando terminei "Madame Bovary" fiquei com a sensação de que se trata de um clássico denso, com personagens fortes e uma crítica social vincada. Destacam-se neste livro Charles Bovary e Emma, que acaba por se tornar na esposa de Charles e que pelo seu papel principal neste enredo acaba por dar o seu nome a este livro - Madame Bovary.

Gustave Flaubert leva-nos até à sociedade francesa do século XIX, fazendo-nos passear pelos arredores de Paris, ao mesmo tempo que traça um retrato realista da época em questão.

Muitas vezes encontramos nos clássicos figuras femininas importantes, com personalidades fortes, e neste "Madame Bovary" não é excepção, sendo que a personagem de Emma se nos apresenta com uma força extraordinária e uma personalidade, que pelos seus valores, moral e atitudes sobressai em toda a narrativa. A constante insatisfação de Emma e a busca por novas aventuras e, sobretudo, a meu ver, por um sentimento que a preencha e corresponda às suas expectativas levam-na a apaixonar-se fora do casamento. 

Assim,  Gustave Flaubert brilha neste clássico por abordar um tema como o adultério, sendo que esta abordagem não lhe granjeou nada de positivo por parte da sociedade francesa.

Por outro lado, a permanente insatisfação com a vida faz com que Madame Bovary se releve uma personagem deveras interessante e de uma complexidade tão acentuada que cativa o leitor. Contudo, no decurso da leitura, não pude deixar de reflectir que tão grande insatisfação revela um vazio interior em Emma; vazio esse que ela busca preencher e não o conseguindo a leva a um final trágico e emocionante.

Além de toda a trama que se desenrola à volta de Madame Bovary, Gustave Flaubert dá-nos descrições do quotidiano e da sociedade francesa, que nos permitem absorver a crítica intrínseca no que toca à sociedade em si: burguesia e clero. 

Não pude deixar de fazer um paralelismo entre a sociedade francesa do século XIX que Flaubert retrata e a sociedade actual, nomeadamente no que toca à vida de aparências, das constantes dívidas para se ter destaque social e a constante insatisfação com o presente.

Com o decorrer da leitura e a aproximação do final fui-me envolvendo gradualmente e com maior intensidade na narrativa, fui-me deixando cativar pelas personagens, ao mesmo tempo que fui constatando mais firmemente a riqueza da escrita. 

Finda a leitura de "Madame Bovary" fiquei com a sensação nítida de que se trata de uma narrativa densa, muito por causa da complexidade de Emma e, ao mesmo, senti que este é um livro que terei de ler novamente um dia mais tarde para conseguir abarcar toda a sua plenitude, enquanto leitora.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom! 


segunda-feira, 13 de maio de 2013

"Orgulho e Preconceito" (Jane Austen) (Desafio Clássicos 2013 - Abril): OPINIÃO!

Sempre que tenho de escrever a crítica de um clássico fico a olhar para o papel e o papel a olhar para mim numa dança de indecisão, aparente falta de inspiração e reflexão sobre se serei capaz de expressar convenientemente e com qualidade toda a dimensão de um clássico da literatura. Isto acontece-me porque os clássicos da literatura exigem uma reflexão mais aprofundada, ao contrário de alguma literatura actual que, embora nos aprisione por algumas horas de leitura, se revela fácil de analisar pela simplicidade e fluidez do enredo.

Desde que embarquei na leitura de clássicos da literatura cada vez mais me apercebo que ler clássicos é uma verdadeira aventura: é preciso concentração, dedicar toda a atenção ao livro, explorar a narrativa com olhos de ver e retirar toda a crítica inerente às linhas com que nos deparamos.

Apesar de já ter lido anteriormente "A Abadia de Northanger" de Jane Austen, tenho de confessar que estava especialmente curiosa com este livro por figurar entre aqueles que são tão elogiados pelos leitores. Aliás, sentia-me em falta por nunca ter lido "Orgulho e Preconceito". Mas a verdade é que ler clássicos da literatura, na minha opinião é claro, exige uma maturidade especial.

Numa primeira análise posso referir que "Orgulho e Preconceito" conquistou o meu lado romântico de leitora, dando-me a conhecer personagens e a evolução das suas relações, facto esse que me agradou profundamente. Jane Austen é sublime em trazer à luz do dia personagens repletas de personalidade, que conferem riqueza à narrativa.

Analisando mais profundamente, "Orgulho e Preconceito" traz-nos um retrato real e sem pudores de uma época onde a moral e os valores se mostravam em desacordo com o que achamos correcto. É de admirar como uma autora que escreveu este livro em 1813 conseguiu explorar no seu livro temas que se adequam tão perfeitamente à nossa actualidade.

Em "Orgulho e Preconceito" vemos o desejo da ascensão social, a "luta" por um casamento com dinheiro, em detrimento de qualquer sentimento romântico, as impressões formadas só com base no estatuto e nas posses monetárias.

Encontramos igualmente neste clássico, a perigosidade de se formarem primeiras impressões sem conhecimento fundamentado e respectivas consequências que roçam o preconceito. Aliás, o preconceito criado a partir de uma primeira impressão errada dá o mote para uma relação entre personagens que com o convívio se vão conhecendo verdadeiramente e acabam por dar luz e romance a esta narrativa.

Além de ser uma crítica clara à sociedade e à moral, "Orgulho e Preconceito" é também um livro sobre sentimentos, emoções e relações, sendo que nos dá a conhecer personagens que nos fazem rir e sorrir, bem como personagens que nos mexem com os nervos e nos irritam.

O enredo está muito bem construído e é de destacar a escrita da autora que para além de nos presentear com personagens credíveis, dá-nos ainda descrições de cenários fantásticos, fazendo-nos viajar até um tempo passado. A forma inteligente como a autora constrói as personagens faz com que elas personifiquem os aspectos positivos e negativos da sociedade, aspectos esses que, enquanto leitores, podemos inferir dos seus comportamentos, actos e diálogos.

"Orgulho e Preconceito" conquistou-me e fez-me ficar fã de Jane Austen, sendo que será com certeza com imenso prazer que lerei futuramente outros clássicos escritos por esta maravilhosa escritora.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


sexta-feira, 12 de abril de 2013

"Bel-Ami" (Guy de Maupassant) (Desafio Clássicos 2013 - Março): OPINIÃO!

Com "Bel-Ami" de Guy de Maupassant fiz uma nova incursão por um clássico da literatura, sabendo intuitivamente que iria embarcar numa leitura pouco fácil, repleta de personagens distintas, onde a narrativa seria pautada pela crítica social e, finda a leitura, constatei que a minha intuição não falhou.

Este clássico leva-nos a viajar pela sociedade parisiense, em plena expansão capitalista e é neste cenário que ficamos a conhecer Georges Duroy, de alcunha Bel-Ami, um jovem charmoso que num encontro inesperado com um amigo consegue um emprego no jornal La Vie Française e encontra aí a sua oportunidade para ascender socialmente.

"Bel-Ami" despertou a minha atenção inicialmente pela personagem de Georges Duroy porque o autor Guy de Maupassant investe nesta personagem oferecendo-lhe um crescimento ao longo do livro.

De início, vemos apenas um jovem sem rumo, mas assim que consegue uma oportunidade no jornal, começamos a ver despontar um homem ambicioso, sorrateiro, manipulador e dissimulado. Bel-Ami consegue despertar reacções no leitor e é quase inevitável que com o avançar da leitura, o leitor não se sinta irritado com esta personagem.

Bel-Ami não olha a meios para atingir os fins e faz uso desmesurado da sua juventude, beleza e charme junto das mulheres, coleccionando amantes que na sociedade parisiense manobram na sombra, nomeadamente, na área do jornalismo.

A juntar a esta personagem que tem o dom de mexer com o leitor, encontramos um conjunto de mulheres que se deixam seduzir facilmente, desrespeitando o compromisso do matrimónio e pondo a nu as suas fraquezas e personalidades.

"Bel-Ami" de Guy de Maupassant remete-nos para uma narrativa densa, onde a acção gira em torno de um núcleo de personagens, que pelos seus comportamentos e forma de se relacionarem retratam claramente uma sociedade e época específica.

A escrita de Guy de Maupassant sobressai essencialmente pela caracterização das personagens. Não se trata de um romance ligeiro e fluído. Não obstante, a arte de dissimulação e de manipulação de Bel-Ami confere uma riqueza particular ao livro, ao mesmo tempo que o papel das mulheres na sociedade parisiense ganha destaque.

Em suma, "Bel-Ami" afigura-se-nos como um livro com uma temática social forte, onde as personagens e as suas personagens são as estrelas principais da narrativa.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

"O Grande Gatsby" (F. Scott Fitzgerald) (Desafio Clássicos 2013 - Fevereiro): OPINIÃO!

Ler clássicos da literatura tem-se revelado um verdadeiro desafio e, como tal, "O Grande Gatsby" não foi excepção.

O autor F. Scott Fitzgerald faz-nos recuar no tempo e envolve-nos num cenário pós I Guerra Mundial onde através da personagem principal Jay Gatsby vamos assistir à vontade de ascensão económica, à valorização das posses materiais e à mudança dos valores morais.

Jay Gatsby é-nos apresentado pela voz do seu vizinho Tom que mediante a relação que estabelece com Gatsby e a avaliação pessoal que faz das circunstâncias que se vão desenrolando nos dá uma perspectiva muito interessante desta personagem que empresta o seu nome a este clássico.

"O Grande Gatsby" afigura-se-nos como uma leitura que nos retrata a sociedade americana depois da I Guerra Mundial, ao mesmo tempo que nos conduz por uma história de amor.

Depois de ter estado ausente a servir o país, Gatsby regressa e no seu pensamento traz Daisy, o seu amor da juventude. Contudo, este regresso mostrará a Gatsby uma Daisy casada com um homem de posses económicas.

Envolto neste amor ainda existente e palpitante, Gatsby tenta ostentar e mostrar a sua recente riqueza, sendo que o autor F. Scott Fitzgerald leva-nos por uma narrativa imbuída de glamour, festas, convívios sociais. Rodeado por inúmeras pessoas nas festas que realiza, Gatsby aparece-nos como uma pessoa misteriosa e solitária.

Todos se questionam sobre Gatsby e sobre a fonte da sua riqueza. Simultaneamente, este amor de Gatsby por Daisy pincela a leitura com revelações, surpresas e dinâmicas muito próprias. 

Será possível reatar este amor do passado apesar das circunstâncias actuais serem muito particulares e diferentes?

A narrativa de "O Grande Gatsby" é profunda por nos oferecer o retrato de uma sociedade em mudança onde é visível a prosperidade, mas também o aumento do materialismo e a degradação dos valores morais.

A escrita do autor F. Scott Fitzgerald requer atenção, não só pelas temáticas abordadas, mas sobretudo pela sua seriedade e formalismo.

A acção tem o seu ritmo próprio e vai-se desenrolando gradualmente com avanços e surpresas.

A dinâmica que se estabelece entre os vários grupos de personagens é indubitavelmente rica e marcante, sendo que o desfecho de "O Grande Gatsby" provocou em mim uma reacção muito particular, pois esta leitura mesmo depois de ser concluída deixa no leitor um conjunto de reflexões que têm de ser feitas à medida que se vai assimilando o pleno alcance deste livro.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

"Shirley" (Charlotte Brontë) (Desafio Clássicos 2013 - Janeiro): OPINIÃO!

"Shirley" foi o clássico escolhido para o desafio de Janeiro. Escrever críticas de Clássicos da Literatura aparece por vezes pautado por dificuldade, pois como me disse uma amiga minha no outro dia: "ler um clássico é uma aprendizagem."

Muita da dificuldade inerente à escrita desta crítica prende-se com o facto de a par do romance presente em "Shirley", estar todo um contexto histórico envolvente.

Este romance não é excepção e tem como pano de fundo o período tumultuoso da Revolução Industrial. Elaborar a crítica a este clássico não é linear, já que somos confrontados com a crítica social no que toca à desigualdade não só entre classes sociais, mas também às diferenças entre homens e mulheres.

"Shirley" é inequivocamente um clássico com uma narrativa profunda e um contexto histórico diverso e rico.

Em "Shirley" ficamos a conhecer duas personagens femininas com personalidades fortes que pela sua forma de ser e de comportar se desmarcam das demais mulheres pacatas da época. Estas duas mulheres fortes vão tentar fazer frente ao poder exercido pelos homens e vão ainda aventurar-se nos meandros do amor.

Para mim ler "Shirley" foi um prazer, embora a narrativa densa e a escrita formal e quase poética exijam maior atenção por parte do leitor.

A acção de "Shirley" é pausada e cativante. sendo que a vertente romântica presente no livro confere uma dinâmica especial à leitura. 

Em "Shirley", a autora Charlotte Brontë , tal como em "Jane Eyre", volta a brindar-nos com um livro romântico e de crítica social e volta a admirar-nos a sua capacidade enquanto escritora.

As personagens femininas principais sobressaem com brilhantismo e desempenham um papel crucial no desenvolvimento da acção.

A par de Shirley e de Caroline temos outras personagens imprescindíveis à componente romântica deste livro, sendo que simultaneamente, são importantes no que toca à contribuição para a caracterização social da época em questão.

Num livro onde a acção decorre no século XIX, em Yorkshire, a autora Charlotte Brontë consegue, através da sua excelente escrita, da linguagem utilizada, da personalidade das personagens e da descrição de cenários e acontecimentos, levar o leitor numa viagem até uma época não só distante, mas também muito particular e distinta.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Desafio Literário 2013: Clássicos da Literatura



Uma vez que eu e a Estefânia do blogue “Uma Biblioteca Aberta” não conseguimos cumprir o “Desafio Clássicos da Literatura 2012”, voltamos a estabelecer um novo desafio para 2013 com base na mesma premissa: ler clássicos da literatura universal!

As regras deste desafio são diferentes das do ano anterior. Neste novo desafio de 2013 optamos por ler doze Clássicos (um por mês): iremos ler os mesmos seis Clássicos nos meses de Janeiro, Março, Maio, Julho, Setembro e Novembro (não é obrigatório lermos o livro do desafio ao mesmo tempo) e os livros dos restantes meses são de escolha livre e  ficam ao critério de cada uma de nós.

Assim, a minha listagem de livros para este desafio é (a azul estão destacados os livros que irão ser lidos em conjunto com a Estefânia):

Dezembro: A História de Um Sonho (Arthur Schnitzler)

Os Clássicos dos meses de escolha livre ficam em aberto já que possuo alguns clássicos Book.It e da Colecção Mil Folhas e em cada mês livre escolherei o Clássico que me apetecer ler nessa altura.