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quinta-feira, 2 de maio de 2013

"O Último Papa" (Luís Miguel Rocha): OPINIÃO!

Recentemente quando a Porto Editora lançou "A Filha do Papa" do autor Luís Miguel Rocha fiquei muito curiosa com o livro mas quando me apercebi que havia uma dupla de personagens constante nos livros anteriores decidi tentar arranjar através de trocas "O Último Papa", "Bala Santa" e "A Mentira Sagrada" para ler por ordem e consegui.

Assim, neste Abril que ainda agora terminou lá me aventurei eu a conhecer um autor novo que nunca tinha lido e embrenhei-me nas páginas de "O Último Papa" e finda a leitura só posso dizer que devia ter dedicado a minha atenção mais cedo ao nosso português Luís Miguel Rocha porque a acção do livro é tão célere que devorei o livro em apenas três dias.

Em "O Último Papa", o autor Luís Miguel Rocha leva-nos por uma narrativa feita em dois momentos temporais. Por um lado, retrocedemos até 1978, Cidade do Vaticano, sendo que o autor nos faz viajar para um tempo passado e ficar a conhecer o Papa João Paulo I e a sua morte que ficou envolta num intenso mistério por ter ocorrido apenas trinta e três dias após Albino Luciani ter sido eleito Papa. Por outro lado, somos confrontados com o ano de 2006 na cidade de Londres onde Sarah Monteiro, uma jovem jornalista portuguesa recebe um envelope que contém uma lista com nomes de várias personalidades públicas, sendo que algumas dessas pessoas já faleceram pois a lista tem mais de vinte e cinco anos. Sarah fica intrigada e o leitor fica curioso embarcando numa aventura cheia de acção e mistério.

O leitor é envolvido numa leitura repleta de acção, de suspense e onde as conspirações são mais que muitas e nos fazem questionar quanto à morte do Papa João Paulo I e quanto àquela lista tão misteriosa.

Mas mais do que isso esta narrativa faz-nos questionar sobre temas bem polémicos do Vaticano que hoje, mais do nunca, se mostram actuais e pertinentes. Simultaneamente, o autor Luís Miguel Rocha faz-nos reflectir sobre a Igreja, as suas verdades, os seus segredos, os seus valores e as suas conspirações escondidas.

Através da personagem Sarah Monteiro e de Rafael, que surge entretanto na narrativa, o leitor é transportado para uma teia alucinante de maquinações, manipulações, corridas pela vida e pela sobrevivência, sendo que a leitura se faz rapidamente na ânsia de descobrir mais e mais.

Sarah Monteiro sobressai enquanto personagem pela sua garra, pela sua determinação, enquanto que Rafael conquista as leitoras mulheres por se tratar de uma personagem envolta em mistério. É inevitável que o leitor se questione sobre quem é verdadeiramente Rafael.

"O Último Papa" é inquestionavelmente um livro que transborda intriga e suspense e que brilha por uma escrita e narrativa cheia de informações interessantes sobre a vida no Vaticano, os grupos, as Instituições, o que se manteve até aos nossos dias, os jogos de poder e as conspirações.

Embora a narrativa seja alternada entre dois momentos temporais, o leitor não fica confundido e para mim este aspecto até suscita maior vontade de ler e saber o que vai acontecer, aprofundando gradualmente cada momento temporal e dando aos poucos vários vislumbres das personagens envolvidas e das suas relações.

Em suma, "O Último Papa" é um thriller carregado de ingredientes essenciais a uma leitura viciante, fluída e misteriosa. A escrita do autor conquista facilmente o leitor e a acção cheia de surpresas fá-lo ir num crescendo de curiosidade até a um desfecho final que, pela forma como termina, desperta a curiosidade para ler o livro seguinte "Bala Santa".

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


terça-feira, 23 de abril de 2013

"Perto de Ti" (Anita Notaro): OPINIÃO!

Li anteriormente "Há Sempre Um Amanhã" da autora Anita Notaro e como foi um livro que me tocou, assim que vi este "Perto de Ti" fiquei com vontade de o ler.

Entrei na leitura de "Perto de Ti" com expectativas, ansiando por um livro que me levasse por uma viagem e acabei por me deparar com um livro que me envolveu como uma manta quente e macia e que me encheu de emoções e me encantou.

A autora Anita Notaro constrói um enredo à volta de Louisa - uma jovem mulher solteira e psicóloga de profissão que se debate com a frustração de uma vida monótona e que pura e simplesmente decide mudar de vida. Louisa decide mudar de casa, de ares e de profissão e encontra nas suas duas melhores amigas Maddy e Clodagh todo o apoio para embarcar nesta aventura. 

Louisa decide viver numa casa móvel e trabalhar como psicóloga de cães e a verdade é que este novo emprego vai permitir-lhe conhecer novas pessoas que acabarão por ter um impacto importante na sua vida, pois no decurso da sua actividade profissional, Louisa acaba por constatar que quem precisa de ajuda não são os animais mas sim os seus donos.

Louisa começa gradualmente a aperceber-se que os seus "clientes" humanos se debatem com inúmeros problemas de ordem relacional e familiar, o que acaba por levar Louisa a analisar a própria relação conturbada que mantém com a sua mãe desde a infância, relação essa que lançou os alicerces da sua personalidade actual em adulta.

Em "Perto de Ti", a autora Anita Notaro brinda-nos com uma leitura pintada de sentimento, onde sobressai um enredo onde as relações de amizade, de vizinhança e familiares são as estrelas desta leitura.

A autora Anita Notaro consegue mais uma vez dar vida a personagens não só cheias de carácter, mas também repletas de emoção; personagens tão reais que se tornam próximas do leitor e o tocam de forma muito particular.

Em simultâneo, a autora consegue criar um enredo marcado por uma intrincada teia de relações humanas, que graças à participação de Louisa conseguem deslaçar-se e resolver-se.

Não fossem estes aspectos suficientes para conferir uma riqueza extraordinária a esta narrativa e a autora consegue ainda presentear-nos com uma história de amizade profunda e leal entre Louisa, Maddy e Clodagh; amizade essa que é patente ao longo de todo o livro e que vai ter um papel fulcral no decorrer da acção.

"Perto de Ti" além de viver das personagens, das relações, das auto-análises e consequentes descobertas e crescimento pessoal, destaca-se pela maneira brilhante como a autora Anita Notaro consegue trazer ao leitor uma narrativa onde ocorre um equilíbrio perfeito entre humor e emoção. É soberba a forma como a autora consegue fazer rir o leitor com episódios muito cómicos e depois consegue emocionar o leitor e levá-lo às lágrimas em consequência de episódios inesperados e absolutamente tocantes.

"Perto de Ti" pode parecer à primeira vista uma leitura ligeira, mas a verdade é que, através das personagens, a autora Anita Notaro oferece-nos uma narrativa cheia de profundidade e beleza. É daquelas leituras tão envolventes que nem damos pelo tempo passar, chegando ao fim com imensa rapidez e deixando no coração e mente do leitor um mundo inteiro de pensamentos, reflexões e significados.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


sexta-feira, 12 de abril de 2013

"Bel-Ami" (Guy de Maupassant) (Desafio Clássicos 2013 - Março): OPINIÃO!

Com "Bel-Ami" de Guy de Maupassant fiz uma nova incursão por um clássico da literatura, sabendo intuitivamente que iria embarcar numa leitura pouco fácil, repleta de personagens distintas, onde a narrativa seria pautada pela crítica social e, finda a leitura, constatei que a minha intuição não falhou.

Este clássico leva-nos a viajar pela sociedade parisiense, em plena expansão capitalista e é neste cenário que ficamos a conhecer Georges Duroy, de alcunha Bel-Ami, um jovem charmoso que num encontro inesperado com um amigo consegue um emprego no jornal La Vie Française e encontra aí a sua oportunidade para ascender socialmente.

"Bel-Ami" despertou a minha atenção inicialmente pela personagem de Georges Duroy porque o autor Guy de Maupassant investe nesta personagem oferecendo-lhe um crescimento ao longo do livro.

De início, vemos apenas um jovem sem rumo, mas assim que consegue uma oportunidade no jornal, começamos a ver despontar um homem ambicioso, sorrateiro, manipulador e dissimulado. Bel-Ami consegue despertar reacções no leitor e é quase inevitável que com o avançar da leitura, o leitor não se sinta irritado com esta personagem.

Bel-Ami não olha a meios para atingir os fins e faz uso desmesurado da sua juventude, beleza e charme junto das mulheres, coleccionando amantes que na sociedade parisiense manobram na sombra, nomeadamente, na área do jornalismo.

A juntar a esta personagem que tem o dom de mexer com o leitor, encontramos um conjunto de mulheres que se deixam seduzir facilmente, desrespeitando o compromisso do matrimónio e pondo a nu as suas fraquezas e personalidades.

"Bel-Ami" de Guy de Maupassant remete-nos para uma narrativa densa, onde a acção gira em torno de um núcleo de personagens, que pelos seus comportamentos e forma de se relacionarem retratam claramente uma sociedade e época específica.

A escrita de Guy de Maupassant sobressai essencialmente pela caracterização das personagens. Não se trata de um romance ligeiro e fluído. Não obstante, a arte de dissimulação e de manipulação de Bel-Ami confere uma riqueza particular ao livro, ao mesmo tempo que o papel das mulheres na sociedade parisiense ganha destaque.

Em suma, "Bel-Ami" afigura-se-nos como um livro com uma temática social forte, onde as personagens e as suas personagens são as estrelas principais da narrativa.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Férias em Saint-Tropez (Elizabeth Adler): OPINIÃO!

"Férias em Saint-Tropez" é o segundo volume de uma série protagonizada pelo detective particular das estrelas Mac Reilly e pela sua companheira Sunny Alvarez e que teve início com "De Malibu, com amor".

Desta vez, Mac e Sunny alugam uma tranquila villa - Chez Violette - no sul de França e rumam a umas férias muito desejadas, só que o que deveriam ser umas férias sossegadas e românticas logo se mostra envolto em mistério quando constatam que foram enganados ao perceberem que a villa foi também alugada a outras pessoas.

Graças a esta situação inesperada forma-se um grupo deveras caricato que Mac Reilly acabará por apelidar de "Os Inadaptados" que encontrará alojamento no Hotel dos Sonhos.

Ficamos a conhecer Nate Masterson, um homem dedicado à carreira que quer saber quem afinal é na sua essência e quer descobrir a sua identidade pessoal; Belinda Lord, uma mulher aparentemente fútil que tenta escapar de um marido rico e perigoso; Billy e Little Laureen, um homem viúvo que tenta lidar com a sua filha que experiencia a morte da mãe de forma profunda e dolorosa; Sara Strange, uma jovem que ao descobrir a traição do namorado o abandona.

Todas estas personagens parecem não ter nada em comum, os seus problemas são distintos, mas a verdade é que todos procuraram o refúgio de Chez Violette na ânsia de solucionarem as suas vidas e conseguirem um novo rumo e acabam por ver os seus caminhos cruzados em consequência do esquema de aluguer fraudulento da tranquila villa francesa.

Não fosse a necessidade inata de Mac em resolver mistérios e ele e Sunny teriam as suas merecidas férias, mas Mac não resiste a tentar compreender e descobrir o que se passou com o aluguer de Chez Violette e, além disso, com o decorrer da leitura, "Férias em Saint-Tropez"começa a revelar-se como um livro não só de um mistério mas sim de vários e quando nos apercebemos estamos embrenhados numa leitura repleta de acção, sem momentos mortos e cheia de surpresas.

"Férias em Saint-Tropez" da autora Elizabeth Adler vive muito dos mistérios, dos esquemas, das dissimulações e das surpresas, mas vive também muito das suas personagens.

Quando ficamos a conhecer os inadaptados numa fase inicial, é inevitável formarmos uma primeira impressão muito superficial e pouco fundamentada, mas com o avançar da leitura a autora Elizabeth Adler vai-nos dando a conhecer personagens que ganham profundidade emocional e que no contacto umas com as outras se revelam na sua essência.

Numa vertente de comportamento humano, é imensamente cativante observar as personagens a despir camadas de superficialidade e a fazerem descobertas sobre si mesmas reveladoras do seu Eu.

Em "Férias em Saint-Tropez", a autora Elizabeth Adler consegue aliar, de forma equilibrada e cativante, o mistério com a emotividade e a dinâmica relacional.

Os mistérios escondidos neste livro conferem uma acção rápida e entusiasmante à leitura, enquanto que as personagens, a forma como se relacionam, se descobrem e crescem, pinta a narrativa de uma riqueza única e intensa.

Os cenários, como já vem sendo um hábito com a autora Elizabeth Adler, são de uma beleza estonteante e a escrita fluída, leve, com toques de humor e também de drama, levam o leitor a viajar e a sonhar.

Mais uma vez fiquei encantada ao ler Elizabeth Adler e, embora considere que se trata de uma autora que escreve livros leves, a verdade é que através das suas personagens e mistérios, consegue conferir uma aura de acção e emoção muito particular aos seus romances.

Vale a pena ler "Férias em Saint-Tropez" para desvendar todos os mistérios e ficar a conhecer, de forma completa, todas as personagens (algumas delas que não mencionei mas que tocaram particularmente o meu coração de leitora), as suas vivências e dramas pessoais.

"Férias em Saint-Tropez" é um livro cheio de nuances que vale a pena desfolhar e saborear.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


domingo, 7 de abril de 2013

Vinte e quatro horas na vida de uma mulher (Stefan Zweig): OPINIÃO

Depois de ter lido "Carta de uma desconhecida" e ter ficado deslumbrada pela emotividade do livro, fiquei com vontade de ler outros livros do autor austríaco Stefan Zweig e quando vi "Vinte e quatro horas na vida de uma mulher" numa pequena feira na Estação de São Bento não resisti e comprei o livro.

Tratando-se de um pequeno livro que não chega às cem páginas chegou a sua vez de ser lido em Março e durante umas horas deliciei-me com esta leitura.

Quando uma mulher casada e com filhos os abandona para seguir uma paixão instantânea e desconhecida, os hóspedes alojados num hotel na Riviera ficam espantados com esta atitude e causa-se um burburinho à volta deste caso. Todos opinam sobre esta situação insólita fazendo julgamentos de valor sobre a atitude desta mulher. Afinal quem deixa o marido e os filhos por causa de um desconhecido?

É este acontecimento que leva a Sra. C., uma aristocrata inglesa de sessenta e sete anos, a recordar um episódio secreto da sua juventude.

Stefan Zweig, através de uma escrita profundamente humana e quase poética, leva-nos por um livro repleto de sentimentos onde ficamos a conhecer o poder das emoções.

"Vinte e quatro horas na vida de uma mulher" remete-nos para a profundidade e diversidade sentimental humana, dando-nos a saborear o perigo do risco e do desconhecido, a esperança, a dependência, o desespero, a bondade e o arrependimento.

Este é claramente um livro de carácter intimista e fascinante sobre uma mulher que se liberta da pressão social e das correias que a aprisionam ao comportamento esperado em consequência de uma paixão surpreendente.

Neste livro, o autor Stefan Zweig voltou a mostrar-me a sua mestria reflectida numa narrativa profunda e tocante onde brinda o seu leitor com uma viagem ao mundo dos sentimentos humanos, instigando a necessidade de reflexão sobre os nossos actos e suas consequências.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

terça-feira, 2 de abril de 2013

"A Mãe Terra" (Jean M. Auel): OPINIÃO!

Quando me deparei com "A Mãe Terra" da autora Jean M. Auel devo confessar que o livro impõe respeito pelo número de páginas e que o facto deste livro pertencer à saga "Filhos da Terra" me deixou algo receosa por não saber o que se passou nos volumes anteriores, mas decidi arriscar entrando no espírito "vou viajar no tempo. por favor não incomodar" e finda a leitura devo dizer que não me arrependi.

A autora leva-nos numa viagem até à Idade do Gelo e transporta-nos para a Europa entre 35 e 25 mil anos a.C. dando-nos a conhecer usos, costumes, paixões, relações, fé e comunidade.

Nas páginas iniciais enquanto leitora senti-me a adaptar à história, a formar primeiras impressões, a definir o que estava a achar do livro e gradualmente fui-me embrenhando numa história e leitura que se revela deveras original pela temática que aborda.

Fui comentando cá em casa esta leitura dizendo muitas vezes que lá andava eu em cavernas e no meio dos animais e, se bem que possa dizer que inicialmente fiquei um pouco confusa com lugares e nomes e personagens, aos poucos a autora Jean M. Auel através da sua mestria e escrita conseguiu prender-me às páginas deste livro dando-me a conhecer personagens como Ayla, o seu companheiro Jondalar e a sua bebé Jonayla. 

A autora construiu as personagens de forma tão excepcional, verdadeira e humana que se torna impossível ao leitor não se ligar a elas sentindo empatia.

Por vezes as descrições podem ser mais longas e pouco apreciadas pelos leitores mais impacientes mas a verdade é que a riqueza da informação que existe na narrativa é soberba.

"A Mãe Terra" brilha por nos dar a conhecer como estes seres humanos viviam, onde habitavam, qual era a sua alimentação, como faziam os utensílios e como os usavam e muito mais.

Mas a mim o que me conquistou mais foi ficar a conhecer como se organizavam e como se relacionavam. Durante a leitura deparei-me muitas vezes com um sentido de grupo/comunidade acentuado, sendo em alguns descrições visível a noção de hierarquia social.

Na vertente mais pessoal/conjugal, a autora Jean M. Auel presenteia-nos com um livro repleto de sentimentos onde sobressaem conceitos como compromisso e fidelidade. Está presente de forma clara a relação entre cônjuges, entre pais e filhos e entre comunidades. 

A nível social deparamo-nos com um livro rico em convívio onde se destacam a integração social, bem como a troca de conhecimentos e de objectos numa alusão clara à noção de partilha. Ao mesmo tempo, vemos a posição forte das mulheres, enquanto mães, esposas e líderes.

Além de toda a riqueza narrativa abordada até agora, a autora Jean M. Auel consegue ainda brindar-nos com um livro que remete para a componente espiritual, para a fé humana e para a crença.

"A Mãe Terra" além de ser um livro que nos remete para uma viagem física que atravessa o continente europeu e nos mostra o misticismo das cavernas sagradas e as suas pinturas rupestres, é também um livro onde as personagens fazem descobertas pessoais sobre si mesmas.

Em suma, "A Mãe Terra" da autora Jean M. Auel é um livro escrito de forma bela, onde a narrativa rica em História e o enredo humano sobressaem e cativam o leitor. É sem dúvida uma leitura totalmente diferente que ultrapassado o inicial receio valeu muito a pena!

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


quarta-feira, 6 de março de 2013

"Depois" (Rosamund Lupton): OPINIÃO!

Para quem leu "Irmã" como eu, a expectativa para este segundo livro da autora Rosamund Lupton era enorme.

Finda esta leitura não posso deixar de referir que "Irmã" é "Irmã" e "Depois" é "Depois". Os livros têm temáticas completamente diferentes, assim como narrativas distintas.

A meu ver, "Irmã" tem um acção mais célere enquanto que "Depois" reúne um núcleo de personagens mais extenso, o que aliado a uma narrativa muito particular, confere uma maior riqueza no que toca a relações, sentimentos, vivências pessoais e motivações comportamentais e psicológicas.

A adolescente Jenny é apanhada num incêndio na escola, a sua mãe Grace grita e corre para a tentar ir salvar e a partir deste acontecimento único e traumático, a autora Rosamund Lupton leva-nos por uma história onde a narrativa é elaborada sob uma forma muito particular, forma essa que pode interferir com a perspectiva mais céptica de alguns leitores, mas ultrapassado esse choque inicial, somos envolvidos por uma leitura simultaneamente de suspense e humana. 

Por causa deste incêndio Grace e Jenny vêem-se confrontada por uma situação única que além de as afectar muito directamente, transforma toda a dinâmica familiar que as envolve. 

A investigação policial sobre este incêndio logo conclui que foi fogo posto e automaticamente o leitor é lançado numa rede de suspeitas questionando-se quem foi o culpado e quais as suas motivações.

Como as entradas no colégio interno eram controladas, o leitor é levado a desconfiar dos membros da escola, nomeadamente, professores, auxiliares, pais e alunos adensando-se assim o suspense e o mistério. 

Quem será o culpado? E o que o terá levado a pôr fogo na escola? Jenny foi apanhada no incêndio: será que o culpado tinha intenção de a magoar?

Além da névoa de mistério e suspeição, em "Depois", a autora Rosamund Lupton coloca em evidência as relações familiares, as dinâmicas, a descoberta do Eu e do outro em resultado de um evento traumático.

A autora Rosamund Lupton consegue surpreender-nos com a revelação do culpado: a verdadeira identidade do culpado só é revelada perto do final do livro e as suas motivações afiguram-se-nos verdadeiramente inesperadas.

Em suma, "Depois" apresenta-se-nos sob uma narrativa particular, com uma escrita densa e uma acção mais pausada, pelo que a verdadeira beleza do livro não está num ritmo de leitura frenético que agarra o leitor, mas sim na intensidade das personagens e das suas relações.

A capacidade de apreciar "Depois" reside na forma como o leitor se posiciona perante a narrativa. É exigida ao leitor uma mente aberta, capaz de ser paciente de forma a absorver toda a riqueza humana e relacional das personagens.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!


sexta-feira, 1 de março de 2013

"Dois anos e uma eternidade" (Karen Kingsbury): OPINIÃO!

"Dois anos e uma eternidade" da autora Karen Kingsbury remete-nos, através da sua sinopse, para uma leitura repleta de emoção, desencontros, amor, amizade e segundas oportunidades.

Como pano de fundo surge-nos a livraria A Ponte do casal Charlie e Donna Barton e nós leitores apaixonados por livros ficamos instantaneamente encantados por nos irmos perder numa história onde a acção passa por um sítio repleto não só de livros mais também de várias vidas que em algum momento tiveram n' A Ponte o alívio de sofrimento, o florescer de amizade ou o nascimento de um amor.

Molly Allen e Ryan Kelly tiveram n' A Ponte o refúgio de uma história de jovens; uma história que por mal-entendidos toma rumos diferentes e separados.

"Dois anos e uma eternidade" gira em torno de dois casais: Charlie e Donna Barton e Molly Allen e Ryan Kelly: dois casais com idades distintas, com experiências de vida diferentes, em etapas da vida em nada semelhantes mas que vêem as suas vidas cruzarem-se por causa desta livraria.

Embora A Ponte tenha sido o local especial de Molly e Ryan, as suas vidas seguiram para outros lugares, enquanto que Charlie e Donna se vêem perante a possibilidade de perderem a sua livraria devido a umas cheias inesperadas e desastrosas.

É fruto do desespero pela possibilidade de se perder A Ponte, que surge a oportunidade de reencontro entre Molly e Ryan.

A autora Karen Kingsbury brinda-nos com um livro marcado pelo sentimento e pela emoção e traz-nos uma narrativa que cativa pela sua serenidade e simplicidade, mas sobretudo pelo significado que as suas palavras encerram.

"Dois anos e uma eternidade" não possui um enredo intrincado e complexo, cheio de personagens difíceis e, como tal, é a beleza da escrita da autora Karen Kingsbury que sobressai, já que através de personagens simples e humanas faz o leitor viajar por um sem número de emoções e sentimentos, ao mesmo tempo que a importância das relações que se estabelecem entre personagens brilha de forma inequívoca.

A narrativa é tão melódica e a escrita tão tranquila que o leitor deixa-se embalar por uma história que o faz acreditar nas segundas oportunidades da vida.

Finda a leitura de "Dois anos e uma eternidade" fica uma sensação de calma e de resolução plena no leitor. Através deste livro tão simples, a autora Karen Kingsbury consegue transmitir uma mensagem poderosa e cheia de significado.

Em suma, a autora Karen Kingsbury faz das suas personagens, das suas relações e da mensagem inserida neste livro, a maior riqueza desta leitura que se afigura envolvente e emotiva.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

"Mariana" (Susanna Kearsley): OPINIÃO!

Na minha opinião a autora Susanna Kearsley colocou a fasquia muito alta com o seu anterior livro "O Segredo de Sophia" pelo que quando me deparei com a sinopse deste "Mariana" fiquei deveras curiosa.

Desde pequena que Julia Beckett intuía que Greywethers, numa pequena aldeia, era a sua casa e agora em adulta torna-se a sua proprietária. A intuição de Julia não falha e ao tornar-se proprietária de Greywethers, sente algo poderoso na sua nova casa e a sua vida começa a mudar.

Um laço invisível parece unir inexplicavelmente Julia à sua casa mas também aos seus novos vizinhos fazendo-a sentir como se já os conhecesse há muito tempo. Há uma estranha familiaridade espontânea entre Julia e os vizinhos, sendo que este mistério aos poucos vai sendo desvendado com o decurso da narrativa.

Julia Beckett é muito bem acolhida por esta pequena comunidade quente e amigável, pelo que depressa trava amizade com o jovem aristocrático Geoff - dono do Solar Crofton, com Vivien Wells - dona de um bar e com Iain Sumner, todos eles personagens que cativam pela simpatia, amizade e sentido de humor.

À parte de um enredo fascinante com personagens humanas e calorosas, o encanto desta leitura recai sobre as viagens entre o passado e o presente. Julia e Mariana aparecem-nos como duas personagens que se confundem. Mariana viveu na mesma casa há trezentos anos atrás e viu o seu destino ser tragicamente interrompido ficando uma história de amor por terminar.

Agora será Julia capaz de no presente cumprir o que foi interrompido no passado?

Com classe e expectativa, a autora Susanna Kearsley coloca-nos perante a temática da reencarnação e é inevitável que o leitor se questione sobre se acredita ou não o que o fará embrenhar-se nesta narrativa com maior ou menor emoção, desprendimento e espírito aberto.

Através de Julia e das incursões ao passado ficamos a conhecer a história da jovem e bela Mariana Farr, bem como a história de tantas outras personagens, sendo que a narrativa fascinante e romântica nos leva a viajar por uma Inglaterra do século XVII e por uma história pautada por romance, traição, mentiras e relações.

Com o avançar da leitura, o leitor começa a questionar-se se estas viagens diárias ao passado não estarão a fazer Julia viver mais no passado enquanto Mariana e a impedi-la de viver o presente como Julia na sua plenitude.

A autora Susanna Kearsley voltou a conquistar-me com a sua escrita doce, simples e fluída, à qual aliou com mestria uma narrativa para mim rica e fascinante por conjugar presente e passado de uma forma tão coesa e descomplicada. A forma como a autora faz estes saltos entre presente e passado é serena e não causa qualquer dificuldade na leitura.

A acção, por estar assente nesta narrativa repleta de saltos temporais, torna-se misteriosa levando o leitor a querer viajar entre dois tempos diferentes para conhecer todas as histórias das personagens e a sua evolução.

Susanna Kearsley em "Mariana" volta a mostrar-nos não só a sua criatividade, mas também a sua capacidade para dar vida a personagens reais, empáticas e humanas.

O final foi absolutamente inesperado deixando no leitor a vontade de querer descobrir mais tanto sobre as personagens do passado como as do presente.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

"O Prisioneiro do Céu" (Carlos Ruiz Zafón): OPINIÃO!

"O Prisioneiro do Céu" é o terceiro livro da tetralogia "O Cemitério dos Livros Esquecidos" e só posso referir que foi maravilhoso reencontrar personagens por quem me apaixonei em "A Sombra do Vento" e "O Jogo do Anjo". 

Para mim que adoro Zafón no que toca a esta série em particular, foi uma verdadeira alegria voltar a encontrar Daniel Sempere e pai, Fermín Romero de Torres e David Martín.

Carlos Ruiz Zafón tem uma escrita magistral e em "O Prisioneiro do Céu" volta a agarrar o leitor desde a primeira página levando-o para uma Barcelona de 1957 e envolvendo-o através das suas palavras numa leitura repleta de magia e de uma aura muito própria.

Esta série tem para mim uma narrativa tão envolvente que ao começar "O Prisioneiro do Céu" automaticamente me deixei enfeitiçar e prender.

Quando uma intrigante personagem faz uma inesperada visita à livraria de Sempere tudo muda repentinamente. Esta personagem misteriosa ameaça revelar um segredo do passado e assim os amigos Daniel Sempere e Fermín são lançados numa aventura que acabará por intrigar e surpreender o leitor.

Mediante retrocessos ao passado, alternados com momentos do presente, a narrativa de "O Prisioneiro do Céu" vai-nos dando a conhecer mais a fundo as personagens, ao mesmo tempo que nos envolvemos numa história sobre identidade, família, vingança e passado.

A escrita de Zafón tem uma capacidade extraordinária de nos enfeitiçar e a narrativa cheia de revelações agarra o leitor com força, provocando-lhe reacções de espanto brindando-o ao mesmo tempo com episódios repletos de humor.

A acção desenvolve-se com rapidez e o facto da narrativa alternar entre passado e presente mantém o leitor preso às páginas com ansiedade e expectativa.

Algumas personagens já me eram familiares mas cimentaram a minha paixão por elas agora que as fiquei a conhecer mais profundamente através deste "O Prisioneiro do Céu". Esta leitura traz-nos igualmente novas personagens que pela sua aura de mistério e obscuridade conferem uma riqueza extra ao enredo.

Finda a leitura fica a sensação inequívoca de que as páginas se leram demasiado rápido e que soube a pouco. O leitor que é fã desta série e do autor Carlos Ruiz Zafón fica com vontade de ter ainda mais duzentas ou trezentas ou mais páginas para ler para não ser obrigado a despedir-se tão cedo destas personagens e de uma Barcelona repleta de uma envolvência mágica e enfeitiçante. 

Fica a enorme ânsia de que não demore muito a sair o último volume desta tetralogia para nos podermos perder novamente nesta Barcelona do Cemitério dos Livros Esquecidos.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

"O Grande Gatsby" (F. Scott Fitzgerald) (Desafio Clássicos 2013 - Fevereiro): OPINIÃO!

Ler clássicos da literatura tem-se revelado um verdadeiro desafio e, como tal, "O Grande Gatsby" não foi excepção.

O autor F. Scott Fitzgerald faz-nos recuar no tempo e envolve-nos num cenário pós I Guerra Mundial onde através da personagem principal Jay Gatsby vamos assistir à vontade de ascensão económica, à valorização das posses materiais e à mudança dos valores morais.

Jay Gatsby é-nos apresentado pela voz do seu vizinho Tom que mediante a relação que estabelece com Gatsby e a avaliação pessoal que faz das circunstâncias que se vão desenrolando nos dá uma perspectiva muito interessante desta personagem que empresta o seu nome a este clássico.

"O Grande Gatsby" afigura-se-nos como uma leitura que nos retrata a sociedade americana depois da I Guerra Mundial, ao mesmo tempo que nos conduz por uma história de amor.

Depois de ter estado ausente a servir o país, Gatsby regressa e no seu pensamento traz Daisy, o seu amor da juventude. Contudo, este regresso mostrará a Gatsby uma Daisy casada com um homem de posses económicas.

Envolto neste amor ainda existente e palpitante, Gatsby tenta ostentar e mostrar a sua recente riqueza, sendo que o autor F. Scott Fitzgerald leva-nos por uma narrativa imbuída de glamour, festas, convívios sociais. Rodeado por inúmeras pessoas nas festas que realiza, Gatsby aparece-nos como uma pessoa misteriosa e solitária.

Todos se questionam sobre Gatsby e sobre a fonte da sua riqueza. Simultaneamente, este amor de Gatsby por Daisy pincela a leitura com revelações, surpresas e dinâmicas muito próprias. 

Será possível reatar este amor do passado apesar das circunstâncias actuais serem muito particulares e diferentes?

A narrativa de "O Grande Gatsby" é profunda por nos oferecer o retrato de uma sociedade em mudança onde é visível a prosperidade, mas também o aumento do materialismo e a degradação dos valores morais.

A escrita do autor F. Scott Fitzgerald requer atenção, não só pelas temáticas abordadas, mas sobretudo pela sua seriedade e formalismo.

A acção tem o seu ritmo próprio e vai-se desenrolando gradualmente com avanços e surpresas.

A dinâmica que se estabelece entre os vários grupos de personagens é indubitavelmente rica e marcante, sendo que o desfecho de "O Grande Gatsby" provocou em mim uma reacção muito particular, pois esta leitura mesmo depois de ser concluída deixa no leitor um conjunto de reflexões que têm de ser feitas à medida que se vai assimilando o pleno alcance deste livro.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

"Shirley" (Charlotte Brontë) (Desafio Clássicos 2013 - Janeiro): OPINIÃO!

"Shirley" foi o clássico escolhido para o desafio de Janeiro. Escrever críticas de Clássicos da Literatura aparece por vezes pautado por dificuldade, pois como me disse uma amiga minha no outro dia: "ler um clássico é uma aprendizagem."

Muita da dificuldade inerente à escrita desta crítica prende-se com o facto de a par do romance presente em "Shirley", estar todo um contexto histórico envolvente.

Este romance não é excepção e tem como pano de fundo o período tumultuoso da Revolução Industrial. Elaborar a crítica a este clássico não é linear, já que somos confrontados com a crítica social no que toca à desigualdade não só entre classes sociais, mas também às diferenças entre homens e mulheres.

"Shirley" é inequivocamente um clássico com uma narrativa profunda e um contexto histórico diverso e rico.

Em "Shirley" ficamos a conhecer duas personagens femininas com personalidades fortes que pela sua forma de ser e de comportar se desmarcam das demais mulheres pacatas da época. Estas duas mulheres fortes vão tentar fazer frente ao poder exercido pelos homens e vão ainda aventurar-se nos meandros do amor.

Para mim ler "Shirley" foi um prazer, embora a narrativa densa e a escrita formal e quase poética exijam maior atenção por parte do leitor.

A acção de "Shirley" é pausada e cativante. sendo que a vertente romântica presente no livro confere uma dinâmica especial à leitura. 

Em "Shirley", a autora Charlotte Brontë , tal como em "Jane Eyre", volta a brindar-nos com um livro romântico e de crítica social e volta a admirar-nos a sua capacidade enquanto escritora.

As personagens femininas principais sobressaem com brilhantismo e desempenham um papel crucial no desenvolvimento da acção.

A par de Shirley e de Caroline temos outras personagens imprescindíveis à componente romântica deste livro, sendo que simultaneamente, são importantes no que toca à contribuição para a caracterização social da época em questão.

Num livro onde a acção decorre no século XIX, em Yorkshire, a autora Charlotte Brontë consegue, através da sua excelente escrita, da linguagem utilizada, da personalidade das personagens e da descrição de cenários e acontecimentos, levar o leitor numa viagem até uma época não só distante, mas também muito particular e distinta.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

"Diz-me quem sou" (Julia Navarro): OPINIÃO!

Escrever a crítica deste livro não foi fácil, pois "Diz-me quem sou" da autora Julia Navarro é um livro tão tocante e apaixonante que qualquer crítica ficará aquém da diversidade e riqueza que este livro encerra.

"Diz-me quem sou" conta-nos a história de uma mulher - Amelia Garayoa - que não se acomodou ao seu papel de esposa e mãe e ousou viver as suas paixões e amores e seguir as suas convicções, apesar disso ter implicado sacrifício e, posteriormente, um sentimento profundo de arrependimento.

Quando a tia de Guillermo lhe faz uma proposta de trabalho inesperado: investigar e escrever um livro sobre a vida da bisavó de Guilhermo - nem ele nem o leitor sonhavam que iriam fazer uma viagem absolutamente fascinante pela história de uma mulher que viveu grandes acontecimentos históricos.

Sendo Guillermo um jovem jornalista, vê nesta proposta uma oportunidade de descobrir mais sobre esta bisavó misteriosa sobre a qual nada se sabe.

Guillermo inicia esta investigação do zero e acaba por chegar a Laura, prima de Amelia que o orienta na sua busca.

Ao longo da narrativa, Guillermo entrará em contacto com personagens que de alguma forma tiveram a sua vida cruzada com a da sua bisavó.

À conta desta investigação, Guillermo irá fazer inúmeras viagens por países onde a sua bisavó andou para assim ir ficando a par da vida de Amelia Garayoa.

A curiosidade e o gradual fascínio pela personalidade forte de Amelia levam Guillermo a quer saber mais e mais mas quando o financiamento desta pesquisa familiar passa das mãos da sua tia para as mãos de Laura, esta impõe como exigência que Guillermo vá investigando a vida de Amelia e acontecimentos inerentes por ordem cronológica, de maneira a inteirar-se desta vida de forma exacta e aprofundada para melhor poder escrever em livro esta vida única.

A frase da contracapa do livro "Diz-me quem Sou" resume de maneira brilhante a essência deste livro: "Uma apaixonante aventura protagonizada por personagens inesquecíveis, cujas vidas constroem um magnífico retrato da história do século XX. Desde os anos da Segunda República espanhola até à queda do Muro de Berlim, passando pela Segunda Grande Guerra e pela Guerra Fria, o novo romance de Julia Navarro transborda de intriga, política, espionagem, amor e traição."

Através de Amelia vamos vivenciar a Guerra Civil Espanhola, passar pela Segunda Guerra Mundial e pela Guerra Fria, assistindo à queda do Muro de Berlim.

"Diz-me quem sou" é um livro de família onde sobressai a coragem, a paixão, as convicções e o sacrifício.

É um livro apaixonante que nos leva a conhecer o fanatismo das ideologias políticas, as atrocidades humanas cometidas, ao mesmo tempo que é um romance vincadamente histórico onde nos embrenhamos nos meandros do mundo da espionagem, numa época marcada pela desconfiança e pela duplicidade.

"Diz-me quem sou" da autora Julia Navarro tem uma narrativa muito própria que brilha muito pela capacidade magistral da autora em encadear acontecimentos e interligar as vidas das personagens.

Este livro possui uma escrita tão fluída e encadeada que o leitor sente-se totalmente transportado para um passado repleto de acontecimentos e aventuras.

Nesta obra, Julia Navarro agarra o leitor com força e mergulha-o numa leitura extraordinária, não só pelas suas personagens tão humanas e reais, mas também pela profundidade e vastidão histórica presente no livro. O detalhe preciso e intenso dos períodos que marcaram a História, revelam a profunda pesquisa bibliográfica por detrás deste romance maravilhoso.

"Diz-me quem sou" trata-se de um grande romance não pelo seu número abundante de páginas, mas pela beleza e riqueza que encerra dentro de si.

A forma como aos poucos Guillermo vai tomando conhecimento da vida da sua bisavó Amelia Garayoa é absolutamente hipnotizante e leva o leitor a perder-se no passado e a saborear a leitura. A narrativa encadeada torna o enredo ritmado e desperta a curiosidade do leitor. 

"Diz-me quem sou" é um livro marcado pela acção onde os acontecimentos se sucedem com rapidez, sendo que simultaneamente este livro se revela como uma leitura pautada pela humanidade, pelas emoções e pelas relações familiares, amorosas e de amizade.

Ao terminar a leitura, o significado do título aparece-nos em toda a sua plenitude e mostra-se, na minha opinião, como a escolha acertada. O significado do título quando revelado no final enche-se de emoção e é inevitável o surgimento de um sorriso nos lábios do leitor.

O número de páginas do livro não deve servir de impedimento a esta leitura, pois se vos acontecer como a mim, fica o sentimento de querermos continuar a ter mais páginas para ler para não termos de nos despedir de tantas e tão especiais personagens que "Diz-me quem sou" da autora Julia Navarro nos deu a conhecer e pelas quais nos fez apaixonar não só pelas suas personalidades únicas, mas também pelas suas vivências e experiências incríveis.

CLASSIFICAÇÃO: 7. Absolutamente Fantástico!


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

"A Abadia de Northanger" (Jane Austen): OPINIÃO!

"A Abadia de Northanger" foi o clássico escolhido para o desafio de Dezembro de 2012 - Jane Austen. Embora me tenham dito que a autora tem outros livros melhores, nomeadamente "Orgulho e Preconceito" e "Persuasão", optei por este e embrenhei-me na história da jovem Catherine Morland.

Catherine é uma jovem que se sente amaldiçoada pela sua sorte muito por culpa da pacatez da sua vida sem acontecimentos e emoções até que a sua sorte muda quando é convidada pela família Allen para passar uns dias no balneário de Bath, em Inglaterra. 

A emoção aparece então na vida de Catherine Morland quando começa a ir a bailes, a teatros, a fazer passeios e a conhecer novas pessoas.

Através da escrita, a autora Jane Austen consegue transportar-nos para um ambiente cheio de glamour, emoção, ambiente esse pelo qual Catherine acaba por se deslumbrar.

Ao viver esta nova experiência, Catherine trava conhecimento com os jovens John Thorpe e Henry Tilney, ao mesmo tempo que cria amizade com Isabella - irmã de John Thorpe.

A jovem Catherine Morland vê-se dividida entre dois amores e o no seu coração reina a dúvida quanto aos seus sentimentos.

Quando Catherine é convidada para passar uns dias na Abadia de Northanger, propriedade dos Tilney, a autora Jane Austen acaba por nos remeter para uma parte da história marcada por uma aura de mistério. 

A abadia ancestral carrega um espírito sinistro que levará Catherine a imaginar crimes, mistérios e conspirações.

"A Abadia de Northanger" remete-nos para uma época clássica repleta de beleza, educação, classes sociais e convívio. Simultaneamente, este livro gira em torno da personalidade particular da jovem Catherine Morland e das suas aventuras e amores. Na trama sobressaem igualmente outras personagens secundárias que vêem a sua vida cruzar-se com a vida de Catherine, sendo que elas próprias vão viver as suas experiências, amores e desamores.

O espírito fantasioso e criativo de Catherine Morland acaba por conferir dramatismo ao enredo, ao passo que a escrita da autora é vincadamente tranquila.

Embora tenha sido uma leitura agradável, "A Abadia de Northanger" não foi dos Clássicos da Literatura que mais me cativou, sendo no entanto, importante realçar que o facto de ter lido este livro despertou a minha vontade de ler as outras obras da autora Jane Austen.

CLASSIFICAÇÃO: 3. Gostava de ter gostado mais!


domingo, 30 de dezembro de 2012

"Dias de Ouro" (Jude Deveraux): OPINIÃO!

Tenho os quatro livros da série Edilean na estante e decidi iniciar a leitura desta série com "Dias de Ouro" porque este livro remonta a 1766 e dá-nos um pequeno vislumbre do que esteve na origem do nascimento da cidade de Edilean, na Virgínia.

Em "Dias de Ouro" viajamos até à Escócia e ficamos a conhecer o robusto e trabalhador Angus McTern. No passado, o avô de Angus perdeu as suas propriedades no jogo mas Angus continuou a cuidar das terras e quando Edilean, a sobrinha do novo dono das propriedades McTern, aparece, Angus ressente-se pela sua educação e vida privilegiada.

O clima de tensão entre Angus McTern e Edilean Talbot é palpável e o leitor sente automaticamente que na origem desta tensão pode estar algum sentimento.

Quando Edilean pede ajuda a Angus este não consegue recusar e ambos embarcam numa aventura intensa.

Edilean estava noiva do jovem James Hartcourt e no meio de voltas e reviravoltas Angus McTern acaba por ser acusado de roubar a herança da jovem.

Para fugirem à perseguição embarcam a bordo de um navio a caminho da América e o amor começa a nascer.

Na América deparam-se com surpresas e obstáculos e este casal acaba por se separar até que o destino os volta a reunir.

Com o desenrolar da acção, a autora Jude Deveraux leva-nos numa viagem repleta de descrições reais e cenários fantásticos onde os sentimentos são vividos à flor da pele.

"Dias de Ouro" é um romance repleto de acção e reviravoltas, com personagens doces e vilões maldosos.

A escrita de Jude Deveraux é simples e bonita e em "Dias de Ouro" a autora brinda-nos com uma narrativa vincadamente emotiva, ao mesmo tempo que nos surpreende com voltas e reviravoltas que conferem uma acção dinâmica ao livro.

Terminada a leitura ficou a vontade de ler os outros livros da série Edilean.

A simplicidade e a emoção do livro cativam o leitor desde a primeira até à última página.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

"Longe do meu coração" (Júlio Magalhães): OPINIÃO!

"Longe do meu coração" foi a minha estreia com o autor Júlio Magalhães e este livro, através de uma escrita simples, remete-nos para o drama da emigração portuguesa para França nos anos 60.

Conduzidos pela personagem de Joaquim, um jovem habitante de uma pequena aldeia com sonhos e vontade de uma vida melhor, vamos embarcar numa história que concilia as dores de um emigrante e o romance entre um português e uma francesa.

Através de uma escrita simples e directa, o autor Júlio Magalhães traça um retrato realista no que toca aos perigos inerentes à emigração de Portugal para França nos anos 60: muitos tentavam dar o salto para França na clandestinidade e viam o seu sonho ser interrompido ao serem descobertos ou ao encontrar a própria morte pelo caminho.

Na sua narrativa directa, o autor Júlio Magalhães conta-nos as inúmeras dificuldades que Joaquim viveu ao dar o salto para França.

Joaquim parte de Portugal com o sonho de alcançar uma vida melhor e repleto de expectativas de encontrar melhores condições em França e chegado ao seu destino depara-se com um cenário completamente diferente: os emigrantes portugueses, para conseguirem juntar dinheiro para enviar para as suas famílias em Portugal e para conseguir amealhar para um dia construírem uma vida melhor no país que os viu nascer, têm de viver em condições miseráveis em França e têm de se submeter a horas e horas de trabalho árduo e intenso.

À parte desta retrato realista e sem floreados, o autor leva-nos para a história de amor que nasce e floresce entre o humilde emigrante português Joaquim e a elegante professora francesa Françoise e põe a nu os preconceitos existentes devido às diferenças entre classes sociais.

"Longe do meu coração" do autor Júlio Magalhães, através de uma narrativa fluída e de uma escrita simples traz-nos personagens reais com as quais o leitor se identifica com facilidade e transmite clara e fielmente as dificuldades decorrentes da emigração nos anos 60.

Simultaneamente, o autor conta-nos uma história de amor marcada desde o início pela diferença de classes sociais e pelo preconceito.

Em suma, "Longe do meu coração" é um livro que cativa pela simplicidade e pelo retrato humano que traduz uma época complexa.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"Uma Carta Inesperada" (Barbara Taylor Bradford): OPINIÃO

"Uma Carta Inesperada" da autora Barbara Taylor Bradford prendeu-me desde a primeira página possivelmente pela aura de mistério que envolve o leitor e o livro desde o início.

A sinopse lança a suspeita de uma leitura agradável e quando Justine abre uma carta endereçada à sua mãe Deborah o leitor fica embrenhado na história.

Esta carta fará Justine embarcar numa viagem em busca da verdade. Ao abrir esta carta inesperada, Justine Nolan, uma melhor de carreira e de sucesso, vê-se confrontada com algo que mudará a sua vida e que a levará até à bela cidade de Istambul.

Justine apoia-se no seu irmão gémeo Richard para que juntos possam desvendar a verdade.

Esta carta e consequente viagem até Istambul permitirá a Justine descobrir aspectos que desconhecia sobre a sua família e sobre si mesma.

A escrita da autora é encantadora e transmite-nos com muita emoção, não só os laços fortes que unem esta família, mas também as inquietações e sentimentos contraditórios que esta carta inesperada despoleta.

Simultaneamente, a autora Barbara Taylor Bradford consegue, através da sua narrativa realista, fazer o leitor vibrar com as cores, cheiros e sons da sedutora cidade onde Ocidente e Oriente se cruzam: Istambul.

Esta carta inesperada levará Justine a descobrir mais do que uma verdade e, depois de se ver confrontada com a primeira revelação, a acção desenrola-se qual novelo de lã, deixando o leitor na expectativa para virar página atrás de página.

"Uma Carta Inesperada" da autora Barbara Taylor Bradford é um livro sobre laços familiares, emoções, segredos e revelações. A narrativa da autora leva-nos não só por uma viagem que conduz Justine no sentido de descobrir a sua verdadeira identidade, mas também por uma bela história de amor que floresce e cresce com o decorrer da acção.

Cada personagem, cada acontecimento, cada verdade desempenham um papel especial nesta história que é pautada por enigmas.

A forma como as personagens se relacionam e as suas personalidades tão humanas levam o leitor a criar um laço profundo com as mesmas. 

Todo o enredo cheio de secretismo e humanismo leva o leitor a diluir-se na leitura vibrando com cada nova descoberta. 

Em suma, "Uma Carta Inesperada" reúne os elementos necessários para uma leitura envolvente e apaixonante: segredos, traições do passado, descobertas e romance.

"Uma Carta Inesperada" da autora Barbara Taylor Bradford, mais do que um romance e descoberta, é uma viagem por um período marcante da História.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

sábado, 17 de novembro de 2012

"A Última Duquesa" (Daisy Goodwin): OPINIÃO!

"A Última Duquesa" é o primeiro romance da autora Daisy Goodwin que nos brinda nesta estreia com um livro repleto de sentimento, vontade de ascendência social e as diferenças entre as sociedades americana e inglesa.

Através da história de Cora Cash, uma herdeira rica cuja mãe sonha com um casamento aristocrático, vamos embarcar numa leitura que alia na perfeição romance e vivências sociais.

Cora Cash é não só uma jovem que sente a pressão da mãe cheia de ambição por um casamento aristocrático, mas também uma jovem habituada ao luxo, ao conforto e a ter tudo o que deseja. Quando Cora Cash é enviada para Inglaterra pela sua mãe vai sentir não só um choque de culturas, mas também ver a sua vida mudar completamente quando conhece o Duque de Warehamm.

A autora Daisy Goodwin consegue, através da sua escrita, dar-nos um retrato fiel e intenso daquela época de 1890 com as casas senhoriais, as ambicionadas festas sociais, o papel social dos criados, a aura de inveja e os corredores sussurrantes de mexericos.

A narrativa da autora leva-nos pela história de Cora Cash e do Duque de Warehamm, um homem misterioso e com um comportamento muito particular com que Cora aceita casar.

Cora torna-se Duquesa, alcança o tão desejado status social com que a sua mãe sonhava, só que ao entrar num casamento com amor vai-se ver embrenhada num jogo que desconhecia.

Agora como Duquesa, Cora tem de se habituar ao seu título e ao que é esperado de si, enquanto tem de lidar com as exigências de um casamento e as pressões exteriores.

Daisy Goodwin presenteia-nos com personagens capazes de suscitar reacções e inquietações no leitor. À medida que vamos ficando a par das invejas, dos segredos do passado, da verdadeira personalidade das personagens, das manipulações, falsidades e jogos sujos, começamos a questionar-nos o que acontecerá à recente Duquesa Cora: conseguirá ela lidar com tudo isto e manter o seu casamento, ao mesmo tempo que tem de lidar com um marido complexo?

Daisy Goodwin conquista o leitor pela sua escrita serena e pela sua narrativa rica onde os cenários descritos, as sociedades, costumes e personalidades retratadas dão um colorido especial à leitura.

A par do romance presente em "A Última Duquesa", somos levados para os grandes salões cheios de riqueza onde as senhoras dançam nos seus lindos vestidos rodeadas de cavalheiros.

A escrita da autora permite-nos fazer uma viagem muito vívida retrocedendo até 1890 quase como se o leitor pertencesse a essa época e fizesse parte integrante da história de Cora Cash.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"Sedução Intensa" (Lisa Kleypas): OPINIÃO!

Hoje, dia 25 de Outubro, é lançado o segundo volume da Série À Flor da Pele intitulado "Sedução Intensa". Esta série que nos é trazida pela Porto Editora começou com "Desejo Subtil" (opinião aqui) e agora regressa trazendo-nos "Sedução Intensa" cuja acção gira à volta da carismática Lillian Bowman.

Annabelle, Evangeline, Lillian e Daisy - as Encalhadas - voltam a reunir-se e agora que Annabelle já casou com Simon Hunt, é a vez deste peculiar grupo ajudar Lillian a arranjar um marido.

Embarcando na leitura de "Sedução Intensa" vamos ficar a conhecer a fundo Lillian Bowman: Lillian é a irmã mais velha de Daisy e sendo estas irmãs americanas não têm o toque refinado dos ingleses, além de que, sendo Lillian uma mulher de opiniões fortes que gosta de se expressar sem filtros, não encara bem as imensas regras de comportamento da sociedade inglesa.

As Encalhadas encontram-se em Stone Cross Park (Hampshire), propriedade de Marcus, Lord Westcliff e esta irreverência americana em nada ajuda Lillian a arranjar um bom partido para casar.

Não bastasse esta personalidade forte ainda acresce o facto de existir uma implicância profunda entre Lillian e Lord Westcliff que é um solteiro muito cobiçado e um potencial marido com muitas posses.

Com o decorrer da acção o leitor vai-se apercebendo que por detrás de toda esta implicância e aparente ódio poderá estar um outro sentimento.

Lisa Kleypas traz-nos uma narrativa empolgante e repleta de carácter. A escrita fluída e cativante leva o leitor a perder-se nas páginas deste livro à medida que vai assistindo à aproximação gradual entre Lillian e Lord Westcliff. Estas duas personagens principais estão construídas de forma sublime e a evolução da sua relação é pautada não só por um intenso jogo de sedução, mas também pelas dicotomias ódio/amor, proximidade/distanciamento, desejo/repulsa e razão/impulso. 

Em "Sedução Intensa", a autora Lisa Kleypas consegue deixar o coração do leitor a palpitar quando vai aproximando gradualmente este casal até chegarem quase a um momento de desejo inevitável e separando-os no último segundo.

Neste livro é facilmente visível uma luta interna da personagem Lord Westcliff, um homem profundamente marcado por uma infância difícil às mãos de um pai tirano e castigador, que desde pequeno aprendeu que mostrar os seus sentimentos era sinal de fraqueza e potenciador de mais castigos e que agora em adulto se debate entre o cumprimento das expectativas sociais - casar com uma inglesa serena e bem comportada - ou deixar que os seus sentimentos pela impulsiva Lillian Bowman comandem o seu comportamento e ditem o seu futuro. 

Nesta batalha interna e desgastante entre a razão e o desejo ardente por Lillian, interfere ainda a mãe de Marcus, a Condessa Westcliff para quem a aparência e regras sociais são mais importantes que a felicidade e que engendra um plano para afastar Lillian de uma vez por todas. É com criatividade que a autora Lisa Kleypas integra no livro um momento de acção e suspense que fazem o leitor suspender a respiração e ansiar pelo desfecho: será que Lillian corre perigo, será que afinal não vai ficar com Marcus, Lord Westcliff ou será que vai haver um final feliz?

Em suma, a autora Lisa Kleypas mistura de forma brilhante sedução, erotismo, romantismo e suspense fazendo o leitor vibrar e suspirar ao longo da leitura.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

"Um Dia Naquele Inverno" (Sveva Casati Modignani): OPINIÃO!

Sveva Casati Modignani é considerada a signora do bestseller italiano e já conta com vários romances publicados pela Porto Editora. No entanto, eu nunca tinha lido nada desta autora e finda a leitura de "Um Dia Naquele Inverno" posso-vos dizer que é uma autora que começarei a seguir com mais atenção.

Neste romance, a autora apresenta-nos os Cantoni: uma família italiana proprietária de uma prestigiada fábrica de torneiras que é mestre em guardar segredos.

A autora leva-nos com mestria por uma narrativa onde os elementos desta família são as personagens principais e à volta das quais gira toda a acção: cada elemento Cantoni tem o seu segredo e a dinâmica familiar é tão própria que já há uma intuição intrínseca de que estes segredos são para ser mantidos e não comentados.

A francesa Léonie entra na família quando se casa com Guido, o neto da matriarca Bianca, também ela figura de destaque pela sua loucura e excentricidade e, desde logo, intui esta dinâmica familiar do silêncio dos Cantoni adaptando-se, enquanto ela própria esconde o seu segredo.

Léonie é uma mulher exemplar, uma esposa afectuosa, uma mãe carinhosa e uma trabalhadora dedicada ao negócio da família Cantoni, o que não a impede de se ausentar todos os anos no dia do solstício de inverno.

A escrita da autora Sveva Casati Modignani conquista desde a primeira página: a forma como através da voz das várias personagens se vão desvendando os segredos desta família cativa o leitor aguçando-lhe a curiosidade.

As personagens possuem traços profundos de realismo e o facto de esconderem segredos credíveis levam o leitor a criar uma empatia forte com a família Cantoni, tornando a leitura simultaneamente tocante e misteriosa.

A meu ver a autora Sveva Casati Modignani coloca a nu, de forma surpreendente, não só segredos mas também sentimentos, expectativas, relações e laços familiares.

Em suma, "Um Dia Naquele Inverno" cativa pela narrativa repleta de fluidez, pela escrita serena e pelo ambiente de mistério e romantismo.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!