terça-feira, 14 de maio de 2013

"O Café do Amor" (Deborah Smith): OPINIÃO!

Anteriormente, a Porto Editora publicou "Segredos do Passado" e "A Doçura da Chuva" da autora Deborah Smith, mas por algum motivo insondável da alma humana, foi a sinopse d' "O Café do Amor" que fez o meu coração palpitar, levando-me à estreia com esta autora.

Finda a leitura d' "O Café do Amor" ficou a imensa vontade de ler os outros livros da autora que entraram automaticamente para a minha wishlist.

"O Café do Amor" é uma leitura tão emotiva, tão imensa e tão tocante que quase me deixa sem palavras para expôr a minha opinião. Trata-se de uma narrativa repleta de sentimento, de emoção, de relações, de obstáculos na vida, esperança e superação.

A autora Deborah Smith brinda-nos com uma teia de personagens; personagens essas que vão ganhando relevo gradualmente, ao passo que outras nos atingem com a sua personalidade marcante e logo nos roubam o coração.

De uma maneira muito simples e directa, em "O Café do Amor" ficamos a conhecer: Cathyrn, uma estrela de cinema, conhecida essencialmente pelos seus atributos físicos e beleza estonteante, mais até do que pelo seu talento na arte cinematográfica, que vê a sua vida mudar de um momento para o outro de forma abrupta, inesperada e cruel, aquando de um acidente de automóvel que a deixa com sérias queimaduras no rosto e corpo, rosto esse que lhe valeu a fama e que agora sofreu uma mudança irreversível. Por outro lado, a autora Deborah Smith encarrega-se de nos apresentar um homem marcado por um episódio da sua vida: Thomas - marido e pai que perde a sua mulher e filho pequeno na queda de uma das torres do Word Trace Center no 11 de Setembro. A acrescentar a estas duas personagens, que pelos suas vivências, desempenham um papel fulcral no decurso da narrativa, temos ainda Delta - a simpática, acolhedora e emotiva Delta - dona do café Crossroads nas montanhas da Carolina do Norte e prima de Cathryn - que acabará por conferir riqueza à acção ao alimentar a alma e o corpo de Cathryn e Thomas, que vêem as suas vidas cruzarem-se quando procuram refúgio neste cenário natural e humano na Carolina do Norte. E, por fim, ficamos a conhecer Cora e Ivy, duas irmãs pequenas que nos trazem um retrato tocante das amarguras da infância, do abandono, do abuso e do medo constante de não serem amadas e de ser abandonadas novamente.

É graças às personagens anteriormente referidas e a outras, que a narrativa ganha um brilho intenso e uma carga humana e emotiva deveras enternecedora.

Através de Thomas vamos sentir medo, raiva, arrependimento. Vamos deambular pela temática complexa do suicídio. Com Cathryn vamos ficar a conhecer a fama, a identidade assente na beleza em detrimento da personalidade e, simultaneamente, a luta na adaptação a uma nova imagem corporal e à descoberta da verdadeira identidade fundada nas relações e nos sentimentos. Thomas e Cathryn, não só através das suas experiências pessoais dramáticas e únicas, mas também mediante o seu relacionamento e crescimento, vão-nos transmitir lições de vida de suma importância, ao mesmo tempo que nos fazem embarcar numa história de luta e resiliência.

"O Café do Amor" toca o leitor pela sua narrativa, pelos seus protagonistas, pelo seu enredo e pela escrita deliciosa e sublime da autora Deborah Smith, enquanto que nos dá de presente uma história de amor, de amizade, de família e de novas oportunidades.

Este livro consegue emocionar o leitor, fazendo-o sorrir com pequenas coisas e emocionar-se com outras. A fluidez da escrita, aliada aos cenários e à credibilidade e proximidade das personagens, levam-nos por uma viagem inesquecível.

"O Café do Amor" brilha pela narrativa plena de humanidade, dando-nos a conhecer o lado mais sombrio dos pensamentos humanos, a reflexão sobre quem somos, pelo que conseguimos embrenhar-nos no interior das personagens, não só imaginá-los fisicamente mas ir sim aos seus mundos interiores, conhecer os seus medos, os seus sofrimentos, a sua mente, o seu crescimento e, consequente, descoberta pessoal. Trata-se de um livro repleto de esperança que acaba por nos ensinar que certas mudanças inesperadas da nossa vida que se nos afiguram negativas, se podem acabar por transformar em janelas luminosas para uma vida nova muito mais plena e cheia de significado.

Em suma, "O Café do Amor", ofereceu-me protagonistas que ganharam um lugar especial no meu coração de leitora, pelo que ler este livro foi um verdadeiro prazer.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

"Orgulho e Preconceito" (Jane Austen) (Desafio Clássicos 2013 - Abril): OPINIÃO!

Sempre que tenho de escrever a crítica de um clássico fico a olhar para o papel e o papel a olhar para mim numa dança de indecisão, aparente falta de inspiração e reflexão sobre se serei capaz de expressar convenientemente e com qualidade toda a dimensão de um clássico da literatura. Isto acontece-me porque os clássicos da literatura exigem uma reflexão mais aprofundada, ao contrário de alguma literatura actual que, embora nos aprisione por algumas horas de leitura, se revela fácil de analisar pela simplicidade e fluidez do enredo.

Desde que embarquei na leitura de clássicos da literatura cada vez mais me apercebo que ler clássicos é uma verdadeira aventura: é preciso concentração, dedicar toda a atenção ao livro, explorar a narrativa com olhos de ver e retirar toda a crítica inerente às linhas com que nos deparamos.

Apesar de já ter lido anteriormente "A Abadia de Northanger" de Jane Austen, tenho de confessar que estava especialmente curiosa com este livro por figurar entre aqueles que são tão elogiados pelos leitores. Aliás, sentia-me em falta por nunca ter lido "Orgulho e Preconceito". Mas a verdade é que ler clássicos da literatura, na minha opinião é claro, exige uma maturidade especial.

Numa primeira análise posso referir que "Orgulho e Preconceito" conquistou o meu lado romântico de leitora, dando-me a conhecer personagens e a evolução das suas relações, facto esse que me agradou profundamente. Jane Austen é sublime em trazer à luz do dia personagens repletas de personalidade, que conferem riqueza à narrativa.

Analisando mais profundamente, "Orgulho e Preconceito" traz-nos um retrato real e sem pudores de uma época onde a moral e os valores se mostravam em desacordo com o que achamos correcto. É de admirar como uma autora que escreveu este livro em 1813 conseguiu explorar no seu livro temas que se adequam tão perfeitamente à nossa actualidade.

Em "Orgulho e Preconceito" vemos o desejo da ascensão social, a "luta" por um casamento com dinheiro, em detrimento de qualquer sentimento romântico, as impressões formadas só com base no estatuto e nas posses monetárias.

Encontramos igualmente neste clássico, a perigosidade de se formarem primeiras impressões sem conhecimento fundamentado e respectivas consequências que roçam o preconceito. Aliás, o preconceito criado a partir de uma primeira impressão errada dá o mote para uma relação entre personagens que com o convívio se vão conhecendo verdadeiramente e acabam por dar luz e romance a esta narrativa.

Além de ser uma crítica clara à sociedade e à moral, "Orgulho e Preconceito" é também um livro sobre sentimentos, emoções e relações, sendo que nos dá a conhecer personagens que nos fazem rir e sorrir, bem como personagens que nos mexem com os nervos e nos irritam.

O enredo está muito bem construído e é de destacar a escrita da autora que para além de nos presentear com personagens credíveis, dá-nos ainda descrições de cenários fantásticos, fazendo-nos viajar até um tempo passado. A forma inteligente como a autora constrói as personagens faz com que elas personifiquem os aspectos positivos e negativos da sociedade, aspectos esses que, enquanto leitores, podemos inferir dos seus comportamentos, actos e diálogos.

"Orgulho e Preconceito" conquistou-me e fez-me ficar fã de Jane Austen, sendo que será com certeza com imenso prazer que lerei futuramente outros clássicos escritos por esta maravilhosa escritora.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


Porto Editora - Ficção Portuguesa - "O Segredo de Compostela"


O Segredo de Compostela, de Alberto S. Santos

Novo romance histórico do autor dos sucessos A Escrava de Córdova e A Profecia de Istambul

Título: O Segredo de Compostela
Autor: Alberto S. Santos Págs.: 480
Capa: mole Preço: 17,70 €

A Porto Editora publica, a 22 de maio, O Segredo de Compostela, o novo romance histórico de Alberto S. Santos, Presidente da Câmara de Penafiel e organizador do prestigiado evento literário Escritaria. A sessão oficial de lançamento acontece nesse mesmo dia, no Rivoli Teatro Municipal, no Porto, às 21:15, no âmbito do ciclo literário Porto de Encontro.



Afinal, quem está sepultado no túmulo, em Santiago de Compostela? E qual o sentido atual das peregrinações? A obra levanta algumas dúvidas, mas faz muito mais do que isso. Para Francisco José Viegas, este é um romance «para ler até ao fim. E reler». Nele, «depois de A Escrava de Córdova, mas sobretudo depois da aventura de A Profecia de Istambul, Alberto S. Santos desenha um cenário de grandiosidade e nostalgia onde as personagens participam na reconstrução da história de Santiago».


A capa do sucessor dos bestsellers A Escrava de Córdova e A Profecia de Istambul (mais de 25 mil exemplares vendidos, em ambos os casos) foi escolhida através de uma votação realizada no Facebook e que contou com centenas de participações.

SINOPSE 

O dia 28 de janeiro de 1879 tinha tudo para ficar marcado na história da cristandade. Depois de dias suados de escavações na catedral de Compostela, foi encontrado o túmulo onde se acreditava que repousavam os ossos do santo apóstolo.

Mas e se no destino final a que nos conduzem os místicos caminhos de Santiago se esconder um dos segredos mais bem guardados do Ocidente? Prisciliano, líder carismático do século IV e pioneiro defensor da igualdade das mulheres e dos valores do Cristianismo primitivo, é a figura preponderante neste enigma secular. Comprometido com a força da sua espiritualidade, viveu no coração os sobressaltos de um amor proibido, envolto em ciúmes e intrigas.

Ainda que aclamado bispo pelo povo, Prisciliano tornou-se no primeiro mártir da sua Igreja, a quem a História ainda não prestou o devido reconhecimento.

Depois de extraordinárias revelações, descubra neste fascinante romance respostas às inquietações que atravessam os tempos: Afinal, quem está sepultado no túmulo?

Qual o sentido atual das peregrinações a Santiago de Compostela?

PRIMEIRAS PÁGINAS
Disponíveis aqui.

OPINIÃO

O Segredo de Compostela é uma obra genial de ficção histórica que se lê com enorme prazer. Sustentado numa sólida investigação e através de uma hábil narrativa, o seu autor desvenda a vida, o pensamento e a ação de Prisciliano, uma das figuras mais fascinantes e controversas da Galécia romana do século IV, ao mesmo tempo que nos faz mergulhar no complexo universo de institucionalização do Cristianismo no Império Romano.
Manuela Martins
Professora Catedrática da Universidade do Minho, arqueóloga

O AUTOR

Alberto S. Santos é advogado, formado pela Universidade Católica Portuguesa, exercendo atualmente funções públicas. É natural de Paço de Sousa, Penafiel, onde reside.

O Segredo de Compostela é o seu terceiro romance, seguindo-se aos bestsellers A Escrava de Córdova (2008) e A Profecia de Istambul (2010).

sexta-feira, 10 de maio de 2013

"Destinos Interrompidos" (Lissa Price): OPINIÃO!


"Destinos Interrompidos" da Planeta é o romance de estreia da autora Lissa Price e trata-se também do primeiro volume de uma série distópica.

A verdade é que nunca tinha lido uma distopia e finda a leitura posso dizer com segurança que fiquei fã. Enquanto que numa utopia o futuro se afigura como extremamente positivo, o contrário sucede na distopia, colocando-nos perante um futuro hipotético repleto de negatividade. As distopias afiguram-se-nos também como livros repletos de ficção onde o papel da ciência e do desenvolvimento tecnológico acarretam consequências e mudanças no que toca à evolução da sociedade.

Assim sendo, em "Destinos Interrompidos" a autora Lissa Price coloca-nos perante uma questão primordial: "Venderia a sua juventude para sobreviver?"; questão essa que encontra significado se atendermos que nesta narrativa a Guerra dos Esporos matou todos aqueles que tinham mais de vinte anos e menos de sessenta.

E é nesta conjectura que aparece a empresa Destinos Primordiais, cujos serviços consistem em alugar corpos adolescentes aos Terminantes, seniores com centenas de anos que querem ser jovens outra vez.

Ao iniciarmos a leitura, ficamos a conhecer Callie: uma adolescente de dezasseis anos que tem um irmão mais novo, Tyler. Callie e Tyler perderam os seus pais na sequência da Guerra dos Esporos e agora vivem nos escombros de prédios abandonados com um amigo: Michael. 

Perante esta situação de ausência de retaguarda familiar e com o seu irmão Taylor doente, Callie tem de arranjar uma maneira de arranjar dinheiro para o ajudar e assim conseguirem sobreviver, pelo que, embora reticente, decidi recorrer à Destinos Primordiais e permitir o aluguer do seu corpo jovem em troca de dinheiro.

Assinado o contrato com a Destinos Primordiais, Callie vai viver uma experiência intensa e descobrir os planos retorcidos da sua locatária, sendo igualmente confrontada com o real objectivo da Destinos Primordiais que poderá colocar em causa a vida de muitos jovens. Mediante a acção da Destinos Primordiais, muitos jovens poderão ter os seus destinos interrompidos.

Embora a leitura de "Destinos Interrompidos" se nos apresente carregada de ficção científica (ou será que o que é ficção não pode num futuro próximo acontecer em resultado da constante evolução da ciência e da sua utilização para a prática do mal?), a verdade é que as personagens deste livro conseguem tocar o leitor, pois as suas relações, os seus sentimentos, as suas lutas são-nos trazidas, através da escrita da autora Lissa Price, de uma forma muito próxima, muito real e muito humana.

É quase impossível o leitor não criar laços com as personagens, vibrando com as suas experiências, obstáculos e torcendo para que o bem seja praticado e os maus sejam impedidos de agir. 

O leitor é transportado para uma narrativa onde a leitura, de tão intensa, é feita com sofreguidão e ansiedade e onde a luta pela sobrevivência ganha contornos de dramatismo. 

Simultaneamente, "Destinos Interrompidos" faz-nos reflectir sobre a riqueza e a pobreza, a juventude e a velhice, a ânsia de se poder retroceder no tempo em oposição à frescura da juventude e à vontade de se ter um futuro. Aliada a todas estas temáticas, surge ainda a discrepância entre classes sociais e o corpo como propriedade.

A autora Lissa Price brinda os leitores com uma leitura inteligente, onde a narrativa transparece cheia de acção, fluidez e celeridade, ao mesmo tempo que o enredo repleto de personagens credíveis, prende o leitor da primeira à última página.

Em suma, em "Destinos Interrompidos", a autora Lissa Price faz uma estreia de arromba e presenteia os leitores com uma trama rica em mistério, suspense, conspiração, acção e romance, ao mesmo tempo que levanta um conjunto de questões muito pertinentes sobre a sociedade e a sua evolução. Não obstante ser classificado como literatura juvenil, "Destinos Interrompidos" é um livro que irá agradar não só a "pequenos" mas também a "graúdos" sem qualquer sombra de dúvidas!

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!

Porto Editora - Ficção - "Viver depois de ti", de Jojo Moyes


Viver depois de ti, de Jojo Moyes

Quinto romance da autora no catálogo da Porto Editora nas livrarias a 20 de maio

Título: Viver depois de ti
Autor: Jojo Moyes
Tradução: Ana Maria Chaves e Márcia Montenegro Págs.: 424
Capa: mole

Depois de Silver bay – A baía do desejo, Um violino na noite, Retrato de família e A última carta de amor, a Porto Editora publica, a 20 de maio, o mais recente romance de Jojo Moyes, Viver depois de ti.

E este não é apenas mais um romance de uma autora de sucesso. Viver depois de ti tem merecido os melhores elogios. Na recensão feita pelo prestigiado The New York Times pode ler-se: «quando terminei a leitura deste romance, quis voltar a lê-lo».

Jojo Moyes é uma ex-jornalista, que trabalhou no The Independent, até se ter tornado escritora a tempo inteiro. Foi jornalista especializada na área da cultura e correspondente em Hong Kong. Publicou, até hoje, onze romances.

SINOPSE

Lou Clark sabe muitas coisas. Sabe quantos passos deve dar entre a paragem do autocarro e a sua casa. Sabe que trabalha na casa de chá The Buttered Bun e sabe que não está apaixonada pelo namorado, Patrick. O que ela não sabe é que vai perder o emprego e que todas as suas certezas vão ser postas em causa.

Will Traynor sabe que o acidente de motociclo lhe tirou o desejo de viver. Sabe que agora tudo lhe parece triste e inútil e sabe como pôr fim a este sofrimento. O que não sabe é que Lou vai irromper na sua vida com toda a energia e vontade de viver. E nenhum deles sabe que as suas vidas vão mudar para sempre.

Em Viver depois de ti, Jojo Moyes aborda um tema difícil e controverso com sensibilidade e realismo, obrigando-nos a refletir sobre o direito à liberdade de escolha e as suas consequências.

A AUTORA

Jojo Moyes nasceu em 1969 e cresceu em Londres. Estudou Jornalismo e foi correspondente do jornal The Independent até 2002, quando publicou o seu primeiro romance, Retrato de Família, e resolveu dedicar-se à escrita a tempo inteiro. Foi uma das poucas autoras a ganhar por duas vezes o prémio Romantic Novel of the Year, primeiro com Foreign Fruit (2003) e com A Última Carta de Amor (2010).

IMPRENSA

Jojo Moyes oferece-nos um livro majestoso com um conjunto de personagens carismáticas, credíveis e profundamente envolventes. Lou e Will ficarão com os leitores durante muito tempo.
The Independent on Sunday

O romance de Jojo Moyes provoca-nos lágrimas redentoras, lágrimas que são tudo menos gratuitas. Em algumas situações são mesmo necessárias.
The New York Times

Uma história de amor poderosa. Um enredo narrado com mestria e percorrido por personagens atraentes e afáveis. Uma extraordinária leitura.
Daily Mail