sexta-feira, 12 de julho de 2013

"No Canto Mais Escuro" (Elizabeth Haynes): OPINIÃO!

"No Canto Mais Escuro" da autora Elizabeth Haynes tem daquelas sinopses que a meu ver cativam automaticamente, sobretudo aqueles leitores que apreciem thrillers psicológicos repletos de tensão. Só que quando entramos nas páginas de "No Canto Mais Escuro" somos confrontados com uma tão forte carga dramática e com uma tão acentuada aura de tensão que ficamos abalados, tentando recuperar o equilíbrio, ao mesmo tempo que nos esforçamos para manter o pé no chão e não nos deixarmos afectar pela intensidade do livro.

Assim que me envolvi nas primeiras páginas de "No Canto Mais Escuro" as primeiras palavras que vieram à minha mente para classificar este livro foram: perturbador e inquietante e esta sensação foi adensando-se mais e mais ao longo da leitura, fazendo-me encolher e temer o que viria a seguir.

Numa narrativa que alterna entre o passado e o presente, vamos ficar a conhecer Catherine Bailley, uma jovem gestora de recursos humanos que no passado se envolveu com Lee Brightman, um homem possessivo, dominador e, acima de tudo, doentio, ao mesmo tempo, que vamos tendo vislumbres do presente de Catherine: o impacto que esta relação passada doentia teve em si, nomeadamente, no que toca ao seu estado psicológico.

Quando somos remetidos para o passado assistimos à fase da conquista, do enamoramento e à construção de uma relação de namoro onde pequenos gestos que inicialmente são interpretados como "ele gosta mesmo de mim pois quer-me só para ele" e "oh ele deve gostar mesmo de mim para ter ciúmes" se vão transformando em possessividade e vão minando a auto-estima de Catherine, levando-a a ver-se aprisionada numa relação que sabe errada e doente, mas da qual não se consegue libertar. 

Assim, "No Canto Mais Escuro" remete-nos para uma dinâmica relacional repleta de loucura, domínio, perversidade e violência, relação essa que acaba por transformar a feliz e independente Catherine numa jovem com a auto-estima destruída que no presente vive cheia de medo, medo esse que a leva a realizar constantemente um conjunto de rituais de verificação com o objectivo de diminuir a sua ansiedade e sentir-se mais segura, sendo que a forma como a autora Elizabeth Haynes elabora o retrato do transtorno obsessivo-compulsivo e o seu impacto na vida de Catherine confere uma riqueza acrescida à narrativa.

A autora Elizabeth Haynes cria um enredo tão real que chega a arrepiar pela sua veracidade, porque de uma forma ou de outra todos nós já experienciamos algum tipo de controlo ou sabemos de relações próximas que se revestem de posse e abuso. 

O jogo psicológico que Lee desenvolve, de forma arquitectada, inteligente, sem deixar pistas, fazendo com que Catherine seja considerada louca, manipulando os seus amigos e roubando-lhe a sua rede de apoio são de um realismo que chega a ser perturbador.

"O facto de ainda estar apaixonada por ele, pelo lado gentil e vulnerável que ainda existia algures dentro dele, era apenas uma parte da explicação: havia também o medo terrível do que ele poderia fazer se eu tomasse alguma atitude que o provocasse. Já não se tratava de me ir embora. Tratava-se de fugir. Era questão de fugir". 

Esta perversidade de uma pessoa se ver envolvida numa relação onde a sua auto-estima foi tão minada e alterada que a leva ao ponto de se culpar pelas reacções coléricas do parceiro, pensando "se eu não lhe tivesse dito aquilo ou daquela forma, ele não se teria aborrecido" deixam o leitor a arder de raiva, tentando por um lado perceber que a ausência de um atitude, de um ponto de final na relação se deve à auto-estima destruída, mas por outro não conseguindo entender como alguém se mantém numa relação desse tipo.

"No Canto Mais Escuro" é sem dúvida uma narrativa que suscita as mais variadas reacções no leitor e, embora leitores mais susceptíveis possam sentir dificuldade em avançar na leitura por causa do grau de tensão dramática e manipulação psicológica, a verdade é que a mim esta narrativa me agarrou desde a primeira página. 

Narrativas com carga psicológica fascinam-me enquanto leitora, visto a Psicologia ser a minha área de formação académica e, como tal, "No Canto Mais Escuro" para mim afigura-se como uma narrativa com uma envolvência extraordinária, onde as relações, as dinâmicas e os comportamentos carregam o livro de uma riqueza soberba. 

A possibilidade de assistir ao passado, à transformação de uma pessoa e da sua personalidade em resultado de uma relação emocional e de ver a sua evolução no presente, a forma de se relacionar com novas pessoas, a dificuldade em confiar, a luta com o transtorno obsessivo-compulsivo e o tratamento enviam sem quaisquer reservas "No Canto Mais Escuro" para a minha lista de livros preferidos de 2013. 

CLASSIFICAÇÃO: 7. Absolutamente Fantástico!

Mais informações consulte o site da Presença aqui.
Para mais informações sobre o livro "No Canto Mais Escuro" clique aqui.



terça-feira, 9 de julho de 2013

"A Mentira Sagrada" (Luís Miguel Rocha): OPINIÃO!

Dedicar-me aos livros do autor Luís Miguel Rocha tem vindo a revelar-se um verdadeiro prazer e, embora não tenha apreciado tanto "Bala Santa" como "O Último Papa", a verdade é que parti para a leitura d' "A Mentira Sagrada" com muita curiosidade.

Finda a leitura não posso deixar de constatar que a narrativa d' "A Mentira Sagrada" me envolveu desde o início e fui gradualmente sendo aprisionada por um enredo, não só repleto de mistério, mas também marcado por uma acção célere.

Em "A Mentira Sagrada" deparamo-nos com algumas questões fulcrais, nomeadamente, o que aconteceu verdadeiramente a Jesus Cristo? Terá sido mesmo crucificado? Tenho de admitir que a abordagem sobre uma temática que provoca reacções no domínio da crença religiosa e pessoal de cada um confere uma aura de polémica e incerteza muito apelativa para mim enquanto leitora.

Não sendo surpresa, voltamos a encontrar-nos com Sarah e Rafael que aos poucos temos vindo a conhecer, mas que neste "A Mentira Sagrada" se encontram em momentos muito particulares das suas vidas: Sarah continua a questionar-se sobre os seus sentimentos em relação a Rafael, mas a sua situação emocional actual coloca-se perante uma encruzilhada, enquanto que Rafael ao ver-se envolvido num mistério que aponta para informações religiosas muito diferentes daquelas que lhe foram desde sempre incutidas se vê confrontado com dúvidas no que toca à sua própria fé.

O autor Luís Miguel Rocha volta a oferecer ao leitor personagens já suas conhecidas, personagens essas que continuam a espantar revelando-se verdadeiras caixinhas de surpresa, suscitando no leitor uma questão persistente: afinal de que lado estão certas personagens?

Com o decorrer da acção voltamos a viajar por pontos geográficos distintos, ao mesmo tempo que somos transportados para o "mundo" do Vaticano onde mais uma vez vemos manipulações, jogos de poder, "lutas" de personalidades e acontecimentos que devem permanecer "dentro de portas" e sem ser revelados ao mundo com o intuito de manter a imagem da Igreja Católica imaculada.

O enredo constituído por um conjunto de personagens fortes e ricas em termos de personalidade, aliado a um ritmo de acção marcado por surpresas e reviravoltas inesperadas consegue prender a atenção do leitor, levando-o por uma leitura fluída e envolvente.

Terminada a leitura d' "A Mentira Sagrada" fica a enorme vontade de ler "A Filha do Papa" na ânsia de descobrir que novos mistérios o autor Luís Miguel Rocha nos reserva.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Resultado do Passatempo Esfera dos Livros: "D. Teresa de Távora - A Amante do Rei"

Aqui está o resultado do passatempo realizado com a preciosa colaboração da Esfera dos Livros que terminou  ontem dia 7 de Julho às 23h59 e que tinha para oferecer um exemplar único do livro com o título "D. Teresa de Távora - A Amante do Rei" da autora Sara Rodi!

Neste passatempo contamos com 172 participações válidas! (Algumas participações foram eliminadas por terem respostas erradas e moradas incompletas. Atenção às regras nos próximos passatempos).

Obrigado por continuarem a participar nestes passatempos :D!

As respostas correctas às perguntas eram:

1. «De mim recordarão que fui amante de Sua Majestade D. José I de Portugal e dos Algarves»
Resposta: verdadeiro.

2. Narrado na primeira pessoa e baseado numa minuciosa pesquisa, somos levados a conhecer a vida desta mulher que viveu no século:
Resposta: XVIII.

3. No fatídico dia de 13 de janeiro de 1759, D. Teresa viu morrer no cadafalso o seu marido. Como se chamava o seu marido?
Resposta: Luís Bernardo.

Desta vez tínhamos 1 livro para oferecer!

A vencedora do passatempo é:


44- Maria de Fátima Cunha (Vilar do Paraíso)

Parabéns!




sexta-feira, 5 de julho de 2013

"Sensibilidade e Bom Senso" (Jane Austen) (Desafio Clássicos 2013 - Junho): OPINIÃO!

Ler um clássico é sempre uma aventura. Será que vamos gostar? Será que vai ser uma leitura difícil? Será que nos vamos identificar com alguma personagem em particular? Será que a autora ou autor nos vai conseguir transmitir uma época diferente, valores distintos e sociedades únicas?

Foi com todas estas questões que embarquei na leitura de "Sensibilidade e Bom Senso" e depois de ter lido anteriormente outros dois livros de Jane Austen ("A Abadia de Northanger" e "Orgulho e Preconceito") estava com expectativas, questionando-me se este clássico se tornaria especial ou, se pelo contrário, iria compará-lo com os outros e chegar à conclusão de que tinha gostado mais de outro lido antes.

Pois bem, finda a leitura de "Sensibilidade e Bom Senso" posso dizer que adorei simplesmente. Envolvi-me na leitura logo a partir da primeira página e, a partir daí, fui-me embrenhando cada vez mais na leitura, deixando-me levar pelas personagens, as suas histórias, as suas personalidades, as suas vivências e as suas escolhas. 

Em "Sensibilidade e Bom Senso", a autora Jane Austen dá-nos a conhecer duas irmãs com personalidades totalmente diferentes. Elinor é uma jovem sensata, ponderada e reservada, enquanto que Marianne é espontânea, romântica e impetuosa. À medida que vamos entrando na leitura com maior profundidade vamo-nos encantando com estas duas jovens que têm formas de agir muito diferentes perante a vida e o amor, sendo que, com o decorrer da acção, nos apercebemos que têm muito a aprender uma com a outra e que, com as surpresas da vida, as características da personalidade podem sofrer alterações.

Neste clássico de Jane Austen vamos acompanhar a história da família Dashwood que a partir da morte do patriarca se vê envolta em dificuldades financeiras, o que as levará a uma mudança de residência: não só uma mudança de casa e de local, mas também a uma mudança de condições de vida, sendo que as mulheres Dashwood (Elinor, Marianne e mãe) vão mudar para o campo e ver as suas vidas sofrer uma reviravolta.

Na sua nova residência, as irmãs Dashwood irão conhecer novas pessoas e cada uma delas tentará encontrar a sua felicidade, acabando por levar a momentos de sofrimento, angústia e receio; momentos pautados por obstáculos que, com a aproximação do final, se começam a deslaçar e a dar lugar a um cenário totalmente diferente e pautado por uma aura de emoção e sentimento.

Este clássico não poderia ter melhor título, pois efectivamente, embarcamos numa narrativa onde a sensibilidade e o bom senso desempenham um papel fulcral na acção, ao mesmo tempo que o enredo se reveste de um núcleo de personagens muito particular que acabam por conferir uma riqueza extra a esta leitura.

"Sensibilidade e Bom Senso" tocou-me por ser um livro cheio de emoção e sentimento, bem como repleto de personalidades e, se por vezes, me identificava mais com Elinor, outras ocasiões revia-me em Marianne e, foi a meu ver esta vastidão de formas de ser, agir e comportar que tornou este clássico numa leitura, não só envolvente e cativante, mas também apelativa ao meu coração romântico de leitora que esteve até ao fim a torcer por desfechos felizes tanto para Elinor como para Marianne.

Ao contrário do que já aconteceu com outros clássicos, senti que este "Sensibilidade e Bom Senso" me prendeu a atenção, levando-por uma narrativa onde a acção nos faz querer ler só mais um pouco. A envolvência dos cenários, das formas de estar e das relações estabelecidas é intensa e não deixa o leitor indiferente.

À parte das personagens e respectivas histórias pessoais, Jane Austen pinta-nos um retrato muito interessante da sociedade: os seus valores, a sua moral, os seus princípios, os seus comportamentos e relações.

Anteriormente já tinha gostado d' "A Abadia de Northanger" e apreciado muito "Orgulho e Preconceito", mas "Sensibilidade e Bom Senso" tocou-me de uma forma especial, quase como se a narrativa tivesse um poder de atracção implícito que cativa e agarra. Ficou, sem dúvida, a vontade de ler outros clássicos escritos por Jane Austen, que mais uma vez, não só construiu uma narrativa criativa e única, mas também acentuou a sua capacidade de escrita com mestria e clareza. Acaba por ser extraordinário constatar tamanha capacidade de escrita e envolvência num livro publicado em inícios do século XIX.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Nos meus sonhos cor-de-rosa: Julho 2013

E eis que começa mais um novo mês e chega então a altura da rubrica de 2013 dedicada aos meus sonhos cor-de-rosa!

Vamos ver se este Julho me porto bem nas leituras :)! 

Na minha lista de leituras de "Nos meus sonhos cor-de-rosa: Julho 2013" estão os seguintes livrinhos:

E tenciono ler também:


E são eles:

- No Canto Mais Escuro (Elizabeth Haynes)
- Uma Espia no meu Passado (Lucinda Riley)
- Raptada (Lauren DeStefano)
- A Idade da Inocência (Edith Wharton) (Desafio Clássicos Julho)
- O Livro do Anjo (Alfredo Colitto)
- Ninguém me conhece como tu (Anna McPartlin)
- Paixão Sublime (Lisa Kleypas)

No final do mês farei o balanço final para verem como me portei :)