terça-feira, 25 de março de 2014

Porto Editora - Ficção - John Verdon, autor em ascensão

Título: Deixa Dormir o Diabo
Autor: John Verdon
Tradução: José Lima Ferreira
Págs.: 480
Capa: mole
PVP: 16,60 €

Pode dizer-se que o americano John Verdon é um autor sénior em ascensão. Estreou-se na escrita aos 68 anos, com o thriller Pensa num Número, que a Porto Editora publicou em 2011, e alcançou enorme sucesso internacional. Mais tarde, publicou Não Abras os Olhos, outro grande êxito mundial. Hoje, está editado em 26 países e acaba de lançar um novo livro. Deixa Dormir o Diabo chega às livrarias portuguesas a 4 de abril e, à semelhança dos dois livros anteriores, é protagonizado pelo detetive Dave Gurney.

A crítica tem sido unânime: em três espantosos thrillers, John Verdon dá a conhecer três brilhantes assassinos e um notável detetive. Esta nova obra, Deixa Dormir o Diabo, possui «um enredo genial» (New York Journal of Books) e tensão «palpável em todas as páginas» (Publishers Weekly).

Apesar de já ter mais de 70 anos, John Verdon é, sem dúvida, um autor em ascensão.

SINOPSE

David Gurney, um ex-detetive da Polícia de Nova Iorque, aceita encontrar-se com uma jovem que está a realizar um documentário sobre o Bom Pastor. Uma década atrás, uma série de assassinatos fizeram deste serial killer notícia de primeira página. Mas os crimes pararam, sem que ninguém tenha percebido porquê. Para o FBI este era um caso arquivado, até que Gurney descobre elementos que a investigação inicial tinha desprezado e arrisca a própria vida para encontrar o Bom Pastor, transformando-se no próximo alvo do assassino. Dave Gurney sabe que está perante um homem perigoso e inteligente…um diabo que despertou.

O AUTOR

John Verdon trabalhou durante vários anos como diretor criativo em agências de publicidade de Manhattan. Atualmente vive numa pequena localidade, nas montanhas do Norte do estado de Nova Iorque, onde se dedica à escrita a tempo inteiro. Os seus romances anteriores – Pensa num Número e Não Abras os Olhos – figuram no catálogo da Porto Editora.

Mais informações em www.johnverdon.net

IMPRENSA

Um enredo genial que nos conduz a um final surpreendente. A tensão e as situações enigmáticas criadas ao longo da narrativa fazem deste livro um exemplo do suspense perfeito.
New York Journal of Books

A tensão é palpável em todas as páginas de uma história que equilibra na perfeição a personalidade complexa de Gurney e um quebra-cabeças intrincado.
Publishers Weekly

É sempre um prazer observar uma mente a destrinçar um enigma.
New York Times

Já publicados pela Porto Editora:


Crítica do Refúgio dos Livros "Pensa num número" aqui
Crítica do Refúgio dos Livros "Não abras os olhos" aqui



"O Escândalo Modigliani" (Ken Follett): OPINIÃO!

Ken Follett é Ken Follett. Sempre que está prestes a ser lançado um novo livro deste autor, os leitores seus fãs são envolvidos numa corrente de curiosidade e ficam ansiosos por desvendar que nova história o autor lhes vai oferecer.

Como tal, quando vi que "O Escândalo Modigliani", originalmente publicado em 1976 e agora reeditado pela Editorial Presença, ia ser lançado fui espreitar a sinopse que me agradou automaticamente pelo seu tom implícito de mistério.

Tudo começa quando Dee Sleign, uma jovem formada em História de Arte, se depara com a pista de um Modigliani desconhecido que o pintor terá oferecido a um amigo. Neste cenário, Dee vê a oportunidade perfeita de ir ao encalço desta obra e, a partir daí, criar a sua tese de mestrado. Só que Dee comete um erro: partilha esta pista com o seu tio, dono de uma conceituada galeria de arte e, à medida que vamos avançando na leitura vamos vendo que a "notícia" do Modigliani se espalha e muitas são as personagens que têm interesse próprio em serem elas a descobrir este quadro. 

De capítulo em capítulo vamos ficando a conhecer personagens variadas entre eles Charles Lampeth, o tio de Dee, assim como um jovem pintor que luta para ver o seu nome reconhecido no mercado de arte e um outro homem formado em Arte mas sem jeito para pintar que tenta abrir a sua própria galeria.

Através de uma escrita célere onde vai sobressaindo um enredo que ganha mistério de forma gradual, o autor Ken Follett dá-nos a conhecer as personagens, nomeadamente, no que toca às suas vidas pessoais e profissionais e aos seus anseios e dificuldades.

Ao longo da narrativa, "O Escândalo Modigliani" encerra um cariz de mistério e suspense que se vai acentuando à medida que vamos vendo que muitas personagens andam atrás do quadro desconhecido, sendo que o clima de tensão e busca é quase palpável graças à forma como Ken Follett transporta o leitor para dentro das suas páginas e o envolve com as suas descrições e ritmos de acção.

A par desta envolvência de mistério, o autor Ken Follett introduz, de forma brilhante, uma nota de crítica absolutamente apurada e mordaz ao mundo dos marchands e das galerias e da arte em geral. Na narrativa construída pelo autor acaba por sobressair a hipocrisia do mercado da arte por só valorizar os artistas aquando da sua morte: são inúmeros os pintores cujo nome e obra só são reconhecidos e monetariamente valorizados quando já faleceram. Ao mesmo tempo, Ken Follett cria personagens onde é visível a luta dos novos artistas para singrar no mercado da arte.

É assente nesta crítica que o autor Ken Follett cria um enredo onde um esquema de falsificação, genialmente orquestrado, põe a nu a fabilidade dos peritos de arte e abana os alicerces do mercado de arte. É cativante a forma como o autor, através da criação deste esquema de falsificação, consegue destacar a importância de se valorizar os artistas ainda em vida.

Envolvido por este contexto, o leitor continua a acompanhar as personagens e a questionar-se onde estará o Modigliani desconhecido e quando este é descoberto coloca-se a questão: será este Modigliani verdadeiro ou uma falsificação? Quem terá conseguido ficar com o Modigliani verdadeiro?

Ken Follett cria um ambiente de mistério e suspense que se mantém até à última página, brindando o seu leitor com um desfecho absolutamente surpreendente. Deste modo, "O Escândalo Modigliani" revela-se como uma narrativa de qualidade, embora seja de mencionar que, atendendo ao facto de anteriormente já ter lido outros livros do autor (Os Pilares da Terra I, Os Pilares da Terra II, A Ameaça e O Voo das Águias), publicados já depois deste que foi lançado originalmente em 1976, nota-se que ao longo dos anos o autor Ken Follett tem vindo a apurar, de forma magistral, a sua capacidade para criar e contar histórias repletas de mistério.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!

«Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.»
«Para mais informações sobre o livro O Escândalo Modigliani, clique aqui.» 


segunda-feira, 24 de março de 2014

À descoberta de outra autora portuguesa: Sílvia Soares

Perto de Ti, Longe de Nada
Sílvia Soares
256 págs.

Uma história sobre o amor, nas suas diferentes formas, sobre a busca interior da felicidade.

SINOPSE:

Recentemente divorciada, Julia procura afastar-se do passado e reencontrar a alegria num recomeço. Partindo numa viagem sem destino, conta as suas aventuras e desventuras no blogue da revista para a qual trabalha. Os seus seguidores, novas amizades e também Erika, a sua instável amiga e divertida chefe, acompanham-na. O pintor invulgar e cativante é Jean-Pierre que vive pelo mundo, sem amarras. Talentoso e confiante, julgava já não procurar nada… até conhecê-la. Tudo o que ele queria era pintar o seu retrato…Fabrizio, Enzo, Marillia, Gerardo, Adelline, Maria Rita e Matteo são algumas das personagens que farão parte desta viagem, entrando ainda em cena os recém-casados Sara e Valter, a personificação de que os opostos se atraem. E tudo começa em Milão…Pelo caminho, Julia encontra muito mais do que esperava. Mas será que encontra o que realmente procurava? 

SOBRE A AUTORA:

Nasceu em 1985, criada entre o Porto e Amarante, cresceu amante das letras e apaixonada pelos livros, com poucos mas bons amigos. Hoje, licenciada em Economia, trabalha na área financeira numa multinacional. Escreve sempre que pode, sonha que escreve quando não pode. Reside agora na zona da grande Lisboa, com o seu marido e filha, dividindo-se em mulher, mãe, dona de casa, profissional, escritora, leitora, turista e sonhadora. Sonhos? Muitos…e o maior é um dia poder ser escritora a tempo inteiro! Gostos…cappuccinos, gatos, comer bem, cinema, pastilhas elásticas e chá de canela ao seu lado, enquanto lê. Na carteira leva sempre um bloco de notas e um livro (ou dois) para ler. Do Futuro, espere apenas uma coisa...que não deixe de existir logo a seguir ao dia de amanhã!

Podem seguir a autora na sua página de facebook aqui!

quinta-feira, 20 de março de 2014

"O Olhar de Sophie" (Jojo Moyes): OPINIÃO!

Escrever uma crítica nem sempre é fácil. Terminamos a leitura, fechamos o livro, olhamos para a capa, pensamos sobre o que sentimos, se gostamos ou não e se gostamos o que foi que nos tocou e depois tentamos buscar as palavras certas para exprimir a nossa opinião, para partilhar com quem nos segue num cantinho chamado "blogue" o que nos emocionou, se julgamos que certo livro merece ser lido por outros, entranhado no coração de outros leitores por aí espalhados e depois as palavras começam a fluir, na tentativa de não revelar demasiado sobre as linhas que percorremos, tentando manter a surpresa, as pequenas nuances emocionais que devem ser descobertas por cada um ao seu ritmo. E, por vezes, chegamos ao fim de uma crítica e desejamos somente ter feito justiça à obra de um autor. 

É assim que me sinto, incerta, querendo ser capaz de transmitir a beleza d' "O Olhar de Sophie" da autora Jojo Moyes na sua totalidade. Se eu acho que todos os leitores irão sentir o mesmo que eu aquando desta leitura? É óbvio que não! E porque não? Porque cada leitor, com os seus gostos e preferências, terá uma visão diferente sobre esta história. O momento em que desfolhar as páginas deste livro irá determinar o seu olhar, a emoção com que recebe esta narrativa. Há inúmeros factores que nos influenciam quando fazemos leituras, mas é inegável que "O Olhar de Sophie" tem tudo para agradar à maioria dos leitores: a mim agradou-me e muito! Depois de ter lido "Viver depois de ti" fiquei apaixonada pela autora e este seu mais recente romance só vem cimentar a sua capacidade extraordinária de construir narrativas que conseguem envolver o leitor num abraço doce e apertado. 

Não julguem que "O Olhar de Sophie" é um romance banal, daqueles muito cor-de-rosa. Não! Não é não! "O Olhar de Sophie" revela-se uma narrativa que nos faz viver o passado e sentir o presente, que nos dá como presente personagens que nos marcam, que nos tocam, que nos fazem sorrir e aguentar a emoção, que nos dá a conhecer a dureza da história e a sorte de sermos felizes.

À partida poderíamos pensar erradamente que Sophie e Liv são duas mulheres que, em tempos diferentes, viveram histórias distintas, sem nada a relacioná-las, mas a verdade é que entramos na leitura, inicialmente a tentar apreender o que a autora Jojo Moyes nos vai trazer, a tentar perceber quem são aquela personagem e a outra, as suas vivências e relações e, depois, aos poucos, vamos mergulhando numa narrativa que nos faz percorrer passado e presente, com transições claras e suaves, onde um retrato de Sophie ganha um destaque inesperado. 

Sophie é uma mulher que vive numa pequena vila francesa ocupada pelo exército alemão, corre o ano de 1916 e experimentamos o ambiente de guerra, de tensão e pressão, de fome e de dureza e é neste contexto que Sophie revela a sua personalidade, a sua atitude forte e corajosa conquista-nos e mesmo vivendo privações, esta mulher sobressai. Édouard, o marido de Sophie, foi obrigado a integrar um grupo que se encontra a lutar na Frente, mas para trás deixou um quadro pintado da sua bela Sophie, um quadro onde o olhar de Sophie parece ter vida, parece querer falar, um quadro que guarda em si a essência de Sophie e que acaba por despertar a atenção de um comandante alemão, atenção essa que quase se torna uma obsessão e que determina o desenrolar de vida de Sophie.

Já no presente conhecemos Liv, uma mulher que viveu um grande amor e que fica viúva, dona de uma casa enorme onde as recordações do marido e do seu casamento estão presentes. Liv ainda não ultrapassou esta perda, mas eis que surge um novo homem na sua vida - Paul - que vai mudá-la para sempre. É que Liv recebeu, como prenda de casamento do seu marido, um retrato: retrato esse que é o retrato de Sophie, que se encontra pendurado no seu quarto. Ao conhecer Paul, Liv começa a ver renascer em si sentimentos que julgava nunca mais voltar a sentir depois da morte do seu marido, mas quando o quadro é reclamado pelos herdeiros de Édouard e Paul, como representante da empresa está com este caso, a relação entre Liv e Pau sofre um abanão nos fracos e recentes alicerces da sua nova relação e Liv tem de decidir: valerá a pena arriscar tudo só para ficar com um quadro ou este sentimento de amor por Paul é mais importante?

À medida que me fui embrenhando na leitura não pude deixar de constatar que a autora Jojo Moyes revela uma capacidade de sedução na sua escrita que aprisiona e faz com que o leitor se perca nas linhas esquecendo a noção das horas e vivendo a narrativa com um realismo e uma intensidade muito especial.

A autora transporta o leitor no espaço e no tempo da narrativa fazendo-o experimentar uma mistura de texturas emocionais através de personagens que vibram cheias de força e atitude, mas também de emoção. 

Na primeira parte da narrativa Sophie é inegavelmente a protagonista da acção e se inicialmente somos confrontados com atitude e também com sentido de humor, gradualmente vamos sendo conquistados por uma mulher que embora cheia de coração, usa a sua razão para se manter a si e à sua família a salvo da crueldade levada a cabo pelos alemães que ocupam a pequena vila onde vive.

Através de uma escrita simultaneamente delicada e directa, a autora Jojo Moyes faz um retrato autêntico do drama vivido durante este período histórico marcante, revelando uma capacidade extraordinária para perturbar o leitor com a dureza vivenciada durante a primeira guerra mundial e, ao mesmo tempo, o consegue emocionar durante breves episódios onde sobressai um nível de humanidade surpreendente, tanto nos franceses que experimentam a ocupação alemã, como nos próprios alemães que se vêem impelidos a representar o seu país mesmo não concordando com tanta brutalidade.

Jojo Moyes dá vida a personagens capazes de suscitar reacções contraditórias no leitor em momentos diferentes da narrativa e se, por vezes, sentimos o nosso coração apoiar e empatizar com certas personagens, outras vezes há em que discordamos das suas acções e escolhas.

Em suma, depois de páginas e páginas de emoção, relações, obstáculos, surpresas e envolvência histórica, eis que chegamos a um desfecho final verdadeiramente pleno onde pequenos mistérios são revelados e onde passado e presente se fundem, de forma plena, cada peça se encaixando no seu sítio e dando um olhar abrangente da plenitude desta narrativa.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


quarta-feira, 19 de março de 2014

"Viver depois de ti" (Jojo Moyes): OPINIÃO!

Na altura em que peguei neste livro, em Dezembro do ano passado, foi a minha estreia com a autora Jojo Moyes. Muitos eram os comentários emocionados sobre "Viver depois de ti" elogiando as personagens e falando em lágrimas derramadas. Como é natural fiquei curiosa e decidi que não iria terminar 2013 sem ler "Viver depois de ti". A verdade é que já li este livro há uns meses, mas continuo a sentir-me incapaz para descrever a imensidão da mensagem contida nas páginas de "Viver depois de ti". As lágrimas quase que rolaram pela minha face, mas consegui conter-me, senti o coração apertado e segui leitura.

Muitas vezes as sinopses são reveladoras do que iremos encontrar dentro do livro, mas no caso de "Viver depois de ti", a sua sinopse não revela a essência da narrativa, sendo o leitor absurdamente surpreendido com a história que a autora Jojo Moyes constrói ao longo das páginas.

É verdade que inicialmente sabemos que vamos encontrar Lou Clark, uma jovem alegre mas muito acomodada à sua vida, com os seus ritmos pré-definidos e previsíveis, numa existência regular e sem ambição, que trabalha numa casa de chá e que mantém um relacionamento morno com Patrick há sete anos. E sabemos também que vamos encontrar Will Traynor, um jovem homem que vê a sua vida mudar de repente quando tem um acidente e fica tetraplégico. Estas são as duas personagens centrais de "Viver depois de ti" e, à primeira vista, podem parecer-nos banais e simples, mas ao entrarmos na leitura, ao sermos gradualmente absorvidos pela narrativa da autora Jojo Moyes, o que acontece é que somos arrebatados: as personagens ganham uma dimensão extraordinária, as suas personalidades revelam-se perante os olhos do leitor e a sua profundidade emocional e psicológica sacode o leitor e lança-o numa história que mesmo quando se lê a última linha não se encerra, não se esquece, mas prolonga-se na nossa mente, repleta de questões, de reflexões, de mensagens e de emoções que nos apertam o coração.

Todos nós sabemos que a vida pode mudar de um momento para o outro. Todos nós sabemos que temos de aproveitar a vida ao máximo. Todos nós sabemos que temos de nos mexer, agir, tomar atitudes e fazer as coisas acontecer. Mas a verdade é que todos nós, muitas vezes, nos acomodamos, deixamos para amanhã, sem pensarmos que o amanhã pode já não existir ou ter mudado drasticamente.

"Viver depois de ti" da autora Jojo Moyes provoca no leitor, através da sua história e das suas personagens, uma urgência de viver, quase uma sofreguidão de respirar cada segundo e aproveitar ao máximo, até mesmo as pequenas coisas banais que tomamos como garantidas.

Will Traynor era um homem de negócios bem-sucedido, um amante de desportos radicais, um homem com uma namorada modelo que de repente se vê preso a uma cadeira de rodas e se depara com algo brutalmente cruel: a falta da sua mobilidade e, consequentemente, a sua independência. Will passa a ser dependente de terceiros para tudo e isso tolhe-lhe a sua essência, o seu Eu: Will não vê sentido na vida. E eis que a excêntrica e engraçada Lou aparece na sua vida. Lou perde o seu emprego; não tem qualificações para arranjar um emprego vantajoso e vê na oportunidade de ser prestadora de cuidados a solução para o seu problema: aliás é Lou que contribuiu grandemente para o orçamento familiar, num núcleo constituído por pai, mãe, avô, irmã e sobrinho, numa família com poucas posses.

Inicialmente, a relação que se estabelece entre Lou e Will é marcada por adversidades e Lou chega mesmo a pensar desistir deste novo emprego. Will não facilita esta relação tecendo comentários sarcásticos e sendo áspero com Lou. Mas a verdade é que com a convivência, acaba por se formar um laço afectivo entre Will e Lou e vemos este par de protagonistas desabrochar, de uma forma bela e repleta de intensidade.

A autora Jojo Moyes, através de uma escrita fluída e serena, conduz-nos por uma narrativa pintada de sentimento, conseguindo, em certos momentos, roubar gargalhadas ao leitor e, noutros, emocioná-lo. 

Em "Viver depois de ti", Jojo Moyes aborda um tema controverso e sensível, tema esse que vocês vão ter de descobrir por vocês mesmos através da leitura deste livro e, é inevitável o leitor questionar-se como se sentiria se estivesse no lugar de Will: que atitude tomaria, como seria perdermos a nossa independência e como seria ser Lou, ver-se perante um homem que conquistou o seu amor e sem saber como o ajudar, como o resgatar de novo para a vida.

Nesta narrativa onde o enredo vive grandemente das personagens, das suas personalidades, das suas emoções, da sua dinâmica pessoal muito própria e única, "Viver depois de ti" afigura-se como uma história poderosa sobre mudança e crescimento, sobre liberdade e escolha, sobre vida e sobre morte.

"Viver depois de ti" da autora Jojo Moyes é inquestionavelmente um daqueles livros que mesmo depois de fechados e guardados na estante nos acompanham pela vida, fazendo-nos pensar se estamos efectivamente a viver a nossa vida na sua plenitude ou se apenas passamos pela vida sem a agarrarmos. Lou e Will, cada um à sua maneira, continuam até hoje marcados no meu coração e ainda agora me emociona pensar no livro e no que senti na altura em que o li. 

"Viver depois de ti" tem de ser lido, tem de ser sentido, tem de ser experimentado na pele, tem de ser saboreado e tem de ser absorvido pelo leitor. Tentar traduzir por palavras o alcance e a profundidade deste livro da autora Jojo Moyes ficará sempre aquém da sua completa essência.

Entretanto regressei a esta autora através d' "O Olhar de Sophie", cuja crítica publicarei brevemente e só posso dizer que a autora não desilude mesmo! Jojo Moyes conquistou-me através de "Viver depois de ti" e agora com "O Olhar de Sophie" aprisionou-me para sempre.

CLASSIFICAÇÃO: 7. Absolutamente fantástico!