sexta-feira, 28 de março de 2014

"O Despertar do Mundo" (Rhidian Brook): OPINIÃO!

O início de uma nova leitura é sempre uma aventura: a sinopse à partida pode levantar uma ponta do véu, desvendar um bocadinho da história, despertar a atenção do leitor e deixá-lo na expectativa, mas a verdade é que o alcance de um livro vai sempre muito mais além da sua sinopse, daquilo que ela nos revela nas entrelinhas e é essa surpresa constante, esse virar página atrás de página e a descoberta de algo novo que faz com que a leitura se torne nessa aventura, numa viagem que pode envolver mais ou menos consoante o enredo, a narrativa e a própria magia da escrita do autor, mas a verdade é que ler um livro novo é sempre uma revelação.

A sinopse do livro "O Despertar do Mundo" do autor Rhidian Brook deixa-nos antever, de forma muito subtil, o que poderemos encontrar encerrado nas suas páginas, mas a verdade é que assim que vamos avançando na leitura uma outra dimensão nos atinge: estamos perante um cenário de pós-Segunda Guerra Mundial, numa Alemanha que perdeu a guerra e que vê o seu país dominado por outros países, onde os ingleses tentam reconstruir uma Alemanha destroçada, perdida da sua identidade e violentada pela fome, pela miséria, pela destruição e pela tristeza.

O Coronel inglês Lewis Morgan assume primeiramente o papel de destaque como protagonista: está encarregue de repor a ordem e a paz, na tentativa de reconstruir a Alemanha e eis que é colocado perante uma situação que pode tornar-se desagradável: é-lhe destinada uma casa, pertencente a um arquitecto alemão - Lupert que vive com a sua filha adolescente, Freda e, para tomar posse dessa habitação, este pai e filha terão de deixar aquele que sempre foi o seu lar, lugar das suas vivências, emoções e recordações. Numa situação que tem tudo para ser complicada, o altruísmo e a personalidade do Coronel Morgan sobressai quando toma uma decisão inédita: propõe que esta família alemã continue a habitar no segundo andar da sua casa, enquanto que Lewis Morgan e a sua família (a esposa Rachel e o filho Edmund) irão viver no primeiro piso da mesma. No leitor gera-se, quase automaticamente, um formigueiro de expectativa: será que esta partilha da casa entre inimigos - ingleses e alemães - irá ter bom resultado?

O leitor quando inicia esta leitura sabe que esta história é inspirada nas experiências verídicas do avô do autor Rhidian Brook o que confere ao desfolhar das páginas uma autenticidade muito envolvente, sendo que o autor nos leva por uma Alemanha dividida pelos vencedores, por uma Alemanha derrotada, onde ficamos a conhecer a posição dos vencedores e dos derrotados: se, por um lado, poderíamos pensar que os ingleses vibram por terem vencido a Alemanha e agora assumirem um papel de superioridade a verdade é que isso não acontece: até aos vencedores a guerra arrancou pedaços importantes das suas vidas (o próprio Coronel Lewis Morgan perdeu o seu filho mais velho por causa da guerra), deixando marcas emocionais e psicológicas profundas naqueles que a vivenciaram e, por outro, poderíamos pensar que os alemães se ressentem pela ocupação inglesa no seu país, mas a verdade é que muitos são os alemães que vibram por se verem livres do governo fascista, não se tendo nunca identificado com os seus ideais.

Assim, o autor consegue, através da sua escrita, desenhar com traços fortes e, simultaneamente, emotivos, um retrato fiel da realidade vivida tanto por ingleses como por alemães, ao mesmo tempo que nos oferece um conjunto de personagens, todas elas com vivências muito próprias, com sofrimentos muito únicos e com formas de se comportar distintas.

"O Despertar do Mundo" consegue ser uma narrativa que perturba o leitor por toda a crueldade e tensão que põe a nu e, ao mesmo tempo, uma narrativa que emociona ao tornar claro a humanidade de certas personagens, humanidade essa revelada através de pequenos gestos. 

O autor Rhidian Brook constrói um enredo repleto de emoção, onde dentro da história principal surgem outras tantas histórias secundárias, sendo que com o decorrer da narrativa tudo se conjuga de forma significativa, presenteando o leitor com uma história intensa de dureza e de amor. 

Toda a envolvência histórica, bem como a credibilidade das personagens, das suas vidas, das suas histórias, dos seus passados e dos seus presentes, das suas mágoas e das suas alegrias, levam o leitor por uma leitura apaixonante carregada de tensão e de perdão.

Concluindo, "O Despertar do Mundo" do autor Rhidian Brook é sem dúvida nenhuma uma leitura que não deixará o leitor indiferente, onde as marcas emocionais e psicológicas da guerra são postas nas palavras de forma intensa, visível e inquietante e onde as relações afectivas e as dinâmicas estabelecidas conferem um colorido único à trama.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


quarta-feira, 26 de março de 2014

Passatempo Quinta Essência: "Uma Noite no Expresso do Oriente"

Hoje o Refúgio dos Livros dá início a um novo passatempo com a preciosa colaboração da Quinta Essência temos para oferecer um exemplar do livro "Uma noite no Expresso do Oriente" da autora Veronica Henry! 

Regras do Passatempo:

1) O passatempo decorrerá até às 23h59 do dia 1 de Abril.

2) Os dados solicitados (nome completo, email, morada completa, código postal e localidade) têm de ser devidamente preenchidos. Qualquer participação que não possua algum destes dados é automaticamente anulada.

3) O vencedor será sorteado aleatoriamente, sendo o anúncio do vencedor efectuado por e-mail (para o vencedor) e publicado no blog.

4) Só é aceite uma participação por pessoa/morada e, por questões relacionadas com o envio do prémio só serão aceites participações de residentes em Portugal (continental e ilhas).

5) A morada dos par­ti­ci­pantes tem o intuito de facilitar o processo de envio do exemplar para o vencedor e estes dados não serão utilizados para qual­quer outra finalidade.

6) A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio no correio de exemplares enviados pela própria e/ou pela editora.

As respostas poderão ser encontradas aqui!

Boa Sorte!

* Passatempo Encerrado *


Novidades Quinta Essência: Abril 2014

Uma Noite no Expresso do Oriente
Veronica Henry
Ano da Edição: Abril de 2014
Número Páginas: 336
ISBN: 9789897261169
Editora: QUINTA ESSÊNCIA

SINOPSE:

Há uma nova vida apenas a um bilhete de distância.

O Expresso do Oriente. Luxo. Mistério. Romance.

Para o grupo de passageiros que se instala nos seus lugares e bebe os primeiros goles de champanhe, a viagem de Londres até Veneza é mais do que a viagem de uma vida. Uma missão misteriosa; uma promessa feita a um amigo moribundo; uma proposta inesperada; um segredo que remonta a vida inteira... Enquanto o comboio segue viagem, revelações, confissões e encontros amorosos têm lugar no cenário mais romântico e infame do mundo.

Nove Semanas e Meia
Quebraram todas as regras
Elizabeth McNeill
Ano da Edição: Abril de 2014
Número Páginas: 152
ISBN: 9789897261145
Editora: QUINTA ESSÊNCIA

SINOPSE:

Esta é uma história de amor tão pouco frequente, tão apaixonada, tão extrema e tão real que o leitor não pode deixar de seguir, fascinado, o seu desenvolvimento ritual. Duas pessoas cultas, civilizadas e independentes conhecem-se um dia por acaso numa rua de Nova Iorque, um domingo de maio nos anos setenta, e iniciam uma relação que em breve se tornará uma experiência sadomasoquista de rara intensidade. Desde o início, estabelecem espontaneamente entre eles estímulos sexuais que obedecem a um ritual instintivo de dominação e humilhação, ritual que é aceite primeiro com surpresa e depois com prazer genuíno, pela autora desta história chocante. Naturalmente, à medida que a relação progride, o casal embarca em jogos cada vez mais elaborados e sofisticados que, após nove semanas e meia, conduzem a mulher a uma absoluta falta de controlo do seu corpo e mente.

SOBRE A A AUTORA:

Elizabeth McNeill é o pseudónimo de Ingeborg Day, nascida em Graz, na Áustria, em Novembro de 1940, tendo emigrado depois para os Estados Unidos. Suicidou-se em 2011, levando com ela o mistério de uma ligação erótica extrema que ainda fascina o mundo.


terça-feira, 25 de março de 2014

Porto Editora - Ficção - John Verdon, autor em ascensão

Título: Deixa Dormir o Diabo
Autor: John Verdon
Tradução: José Lima Ferreira
Págs.: 480
Capa: mole
PVP: 16,60 €

Pode dizer-se que o americano John Verdon é um autor sénior em ascensão. Estreou-se na escrita aos 68 anos, com o thriller Pensa num Número, que a Porto Editora publicou em 2011, e alcançou enorme sucesso internacional. Mais tarde, publicou Não Abras os Olhos, outro grande êxito mundial. Hoje, está editado em 26 países e acaba de lançar um novo livro. Deixa Dormir o Diabo chega às livrarias portuguesas a 4 de abril e, à semelhança dos dois livros anteriores, é protagonizado pelo detetive Dave Gurney.

A crítica tem sido unânime: em três espantosos thrillers, John Verdon dá a conhecer três brilhantes assassinos e um notável detetive. Esta nova obra, Deixa Dormir o Diabo, possui «um enredo genial» (New York Journal of Books) e tensão «palpável em todas as páginas» (Publishers Weekly).

Apesar de já ter mais de 70 anos, John Verdon é, sem dúvida, um autor em ascensão.

SINOPSE

David Gurney, um ex-detetive da Polícia de Nova Iorque, aceita encontrar-se com uma jovem que está a realizar um documentário sobre o Bom Pastor. Uma década atrás, uma série de assassinatos fizeram deste serial killer notícia de primeira página. Mas os crimes pararam, sem que ninguém tenha percebido porquê. Para o FBI este era um caso arquivado, até que Gurney descobre elementos que a investigação inicial tinha desprezado e arrisca a própria vida para encontrar o Bom Pastor, transformando-se no próximo alvo do assassino. Dave Gurney sabe que está perante um homem perigoso e inteligente…um diabo que despertou.

O AUTOR

John Verdon trabalhou durante vários anos como diretor criativo em agências de publicidade de Manhattan. Atualmente vive numa pequena localidade, nas montanhas do Norte do estado de Nova Iorque, onde se dedica à escrita a tempo inteiro. Os seus romances anteriores – Pensa num Número e Não Abras os Olhos – figuram no catálogo da Porto Editora.

Mais informações em www.johnverdon.net

IMPRENSA

Um enredo genial que nos conduz a um final surpreendente. A tensão e as situações enigmáticas criadas ao longo da narrativa fazem deste livro um exemplo do suspense perfeito.
New York Journal of Books

A tensão é palpável em todas as páginas de uma história que equilibra na perfeição a personalidade complexa de Gurney e um quebra-cabeças intrincado.
Publishers Weekly

É sempre um prazer observar uma mente a destrinçar um enigma.
New York Times

Já publicados pela Porto Editora:


Crítica do Refúgio dos Livros "Pensa num número" aqui
Crítica do Refúgio dos Livros "Não abras os olhos" aqui



"O Escândalo Modigliani" (Ken Follett): OPINIÃO!

Ken Follett é Ken Follett. Sempre que está prestes a ser lançado um novo livro deste autor, os leitores seus fãs são envolvidos numa corrente de curiosidade e ficam ansiosos por desvendar que nova história o autor lhes vai oferecer.

Como tal, quando vi que "O Escândalo Modigliani", originalmente publicado em 1976 e agora reeditado pela Editorial Presença, ia ser lançado fui espreitar a sinopse que me agradou automaticamente pelo seu tom implícito de mistério.

Tudo começa quando Dee Sleign, uma jovem formada em História de Arte, se depara com a pista de um Modigliani desconhecido que o pintor terá oferecido a um amigo. Neste cenário, Dee vê a oportunidade perfeita de ir ao encalço desta obra e, a partir daí, criar a sua tese de mestrado. Só que Dee comete um erro: partilha esta pista com o seu tio, dono de uma conceituada galeria de arte e, à medida que vamos avançando na leitura vamos vendo que a "notícia" do Modigliani se espalha e muitas são as personagens que têm interesse próprio em serem elas a descobrir este quadro. 

De capítulo em capítulo vamos ficando a conhecer personagens variadas entre eles Charles Lampeth, o tio de Dee, assim como um jovem pintor que luta para ver o seu nome reconhecido no mercado de arte e um outro homem formado em Arte mas sem jeito para pintar que tenta abrir a sua própria galeria.

Através de uma escrita célere onde vai sobressaindo um enredo que ganha mistério de forma gradual, o autor Ken Follett dá-nos a conhecer as personagens, nomeadamente, no que toca às suas vidas pessoais e profissionais e aos seus anseios e dificuldades.

Ao longo da narrativa, "O Escândalo Modigliani" encerra um cariz de mistério e suspense que se vai acentuando à medida que vamos vendo que muitas personagens andam atrás do quadro desconhecido, sendo que o clima de tensão e busca é quase palpável graças à forma como Ken Follett transporta o leitor para dentro das suas páginas e o envolve com as suas descrições e ritmos de acção.

A par desta envolvência de mistério, o autor Ken Follett introduz, de forma brilhante, uma nota de crítica absolutamente apurada e mordaz ao mundo dos marchands e das galerias e da arte em geral. Na narrativa construída pelo autor acaba por sobressair a hipocrisia do mercado da arte por só valorizar os artistas aquando da sua morte: são inúmeros os pintores cujo nome e obra só são reconhecidos e monetariamente valorizados quando já faleceram. Ao mesmo tempo, Ken Follett cria personagens onde é visível a luta dos novos artistas para singrar no mercado da arte.

É assente nesta crítica que o autor Ken Follett cria um enredo onde um esquema de falsificação, genialmente orquestrado, põe a nu a fabilidade dos peritos de arte e abana os alicerces do mercado de arte. É cativante a forma como o autor, através da criação deste esquema de falsificação, consegue destacar a importância de se valorizar os artistas ainda em vida.

Envolvido por este contexto, o leitor continua a acompanhar as personagens e a questionar-se onde estará o Modigliani desconhecido e quando este é descoberto coloca-se a questão: será este Modigliani verdadeiro ou uma falsificação? Quem terá conseguido ficar com o Modigliani verdadeiro?

Ken Follett cria um ambiente de mistério e suspense que se mantém até à última página, brindando o seu leitor com um desfecho absolutamente surpreendente. Deste modo, "O Escândalo Modigliani" revela-se como uma narrativa de qualidade, embora seja de mencionar que, atendendo ao facto de anteriormente já ter lido outros livros do autor (Os Pilares da Terra I, Os Pilares da Terra II, A Ameaça e O Voo das Águias), publicados já depois deste que foi lançado originalmente em 1976, nota-se que ao longo dos anos o autor Ken Follett tem vindo a apurar, de forma magistral, a sua capacidade para criar e contar histórias repletas de mistério.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!

«Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.»
«Para mais informações sobre o livro O Escândalo Modigliani, clique aqui.»