domingo, 17 de agosto de 2014

"Quem ama acredita" (Nicholas Sparks): OPINIÃO!

De cada vez que decido dedicar-me a mais um livro de Nicholas Sparks essa leitura revela-se um verdadeiro prazer. Não resisto a um bom romance. A fórmula-base utilizada pelo autor nas suas histórias até pode ser considerada previsível: homem e mulher com passados complexos apaixonam-se apesar dos obstáculos e das diferenças nos seus mundos, mas a verdade é que Nicholas Sparks consegue ainda assim cativar o leitor e prendê-lo a narrativas vincadamente emocionais.

Talvez seja o meu coração de leitora romântica que me leva a gostar sempre de uma bonita história de amor, mas há que elogiar a capacidade de Sparks em criar personagens com um toque muito humano. O leitor vibra com os dramas das personagens e liga-se a elas de forma intensa enquanto que a leitura se faz de uma forma serena e doce.

Jeremy e Lexie vivem em dois mundos completamente diferentes. Jeremy é um jornalista científico que se dedica a desmascarar falsos médiuns, cultos religiosos fraudulentos e terapias duvidosas. É o seu profundo cepticismo que o faz ser um profissional de destaque na grande cidade de Nova Iorque. Lexie é uma bibliotecária que vive na pequena cidade de Boone Creek, na Carolina do Norte. Os seus caminhos cruzam-se quando Jeremy é incumbido de fazer um trabalho sobre um mistério em Boone Creek: luzes misteriosas aparecem no cemitério local só em certas alturas e ninguém tem uma explicação para este fenómeno aparentemente paranormal. Jeremy enceta uma viagem para descobrir uma explicação racional para esta situação e vê a sua vida sofrer uma mudança profunda quando conhece Lexie. Além da vertente profissional, Nicholas Sparks dá-nos a conhecer um Jeremy marcado por um casamento falhado, ao mesmo tempo que nos apresenta uma Lexie sonhadora e magoada com relações amorosas passadas.

A par desta dupla de protagonistas, Nicholas Sparks leva-nos até Boone Creek e através da sua escrita leve e doce consegue colocar o leitor no centro da acção, fazendo-o sentir aquele sentimento de comunidade tão próprio de uma pequena cidade onde todos se conhecem. A sensação de aconchego, de união e de família abraça o leitor e transporta-o numa leitura que embala e se faz de uma rapidez inesperada.

Lexie é a bibliotecária de Boone Creek. Ela tem acesso a todos os documentos e livros que podem ajudar Jeremy na sua investigação. Assim, o contacto entre Lexie e Jeremy estabelece-se e a partir daí começam a tecer-se as linhas de um enredo romântico. Os passados de Lexie e Jeremy fazem-nos ter uma postura reticente no que toca a um novo amor. O facto de terem personalidades diferentes também não ajuda. Além disso, Jeremy irá regressar a Nova Iorque quando o seu trabalho estiver concluído. E Lexie não se imagina a sair de Boone Creek: é lá que tem as suas raízes. Será um amor assim possível? Irá alguém sacrificar-se e deixar aquele que foi sempre o seu lar por causa de um amor novo?

Numa narrativa que se reveste de pequenos fios de doçura, sentimento, emoção e família, Nicholas Sparks oferece-nos um enredo inequivocamente romântico, onde toda a envolvência à volta do mistério do cemitério confere um cariz único às páginas que se vão voltando com serenidade e, simultaneamente, com curiosidade. As personagens com personalidades carismáticas e humanas aprisionam o leitor acompanhando-o ao longo de uma narrativa que enche o coração. O toque de previsibilidade do enredo não retira beleza às linhas que se vão lendo e o desfecho final ensina-nos que no amor tudo é possível: basta acreditar.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

Crítica do Refúgio dos Livros "Laços que perduram" aqui
Crítica do Refúgio dos Livros "Dei-te o melhor de mim" aqui
Crítica do Refúgio dos Livros "Um Refúgio para a Vida" aqui


sábado, 16 de agosto de 2014

"Em Segredo" (Catherine McKenzie): OPINIÃO!

"Em Segredo" de Catherine McKenzie capta a atenção devido à sua sinopse: uma morte inesperada (Jeff Manning) e duas mulheres destroçadas por esta perda - a sua esposa Claire e uma colega de trabalho, Tish. Um aparente triângulo amoroso que indicia afectos escondidos e segredos por revelar.

Foi precisamente esta aura de mistério que despertou a minha curiosidade e me levou nesta leitura que se faz de emoções, sentimentos e relações complexas. 

Jeff e Claire pareciam ter um casamento tranquilo e feliz. Mas à medida que a autora Catherine McKenzie nos vai dando a conhecer melhor as personagens vamo-nos apercebendo da realidade deste casamento. 

Numa narrativa que é feita a três vozes (Jeff, Claire e Tish) vamos percebendo o ponto de vista de cada um dos intervenientes no que se refere ao que sentem verdadeiramente, às questões mal resolvidas do passado, às mágoas guardadas e aos laços que surgem em momentos mais frágeis das nossas vidas.

À medida que vamos conhecendo o olhar de cada uma das três personagens principais vamos entrando numa narrativa que é feita de segredos, onde tanto Jeff como Claire e Tish têm algo a esconder, algo por resolver no seu interior. As relações amorosas são colocadas em destaque e a narrativa feita por três narradores distintos, em capítulos alternados, permite-nos compreender que cada uma das personagens tem a sua participação directa ou indirecta neste triângulo amoroso. É inevitável que o leitor se questione sobre a natureza da relação que Jeff e Tish estabeleceram. Por vezes, o leitor coloca em questão se existiu mesmo alguma relação amorosa entre Jeff e Tish e se Claire terá razões reais para achar que Jeff a traiu em vida. E é só com o aproximar do desfecho final que compreendemos o verdadeiro alcance deste triângulo feito de laços e sentimentos.

Através de uma escrita serena, a autora Catherine McKenzie leva-nos por um enredo simples onde as fragilidades das relações amorosas são bem exploradas. Contudo, a narrativa carece de uma maior profundidade no que diz respeito às personagens faltando-lhes o brilho especial que as torne mais humanas e próximas do leitor. Não obstante este aspecto, "Em Segredo" revela-se um romance onde os laços afectivos e familiares são postos a nu, em equilíbrio com a dose certa de suspense e mistério.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!


terça-feira, 5 de agosto de 2014

As minhas compras literárias de Julho de 2014

Depois de em Fevereiro ter feito várias compras literárias (ver aqui) decidi entrar em greve, mas em Julho bateu de novo a saudade de comprar livrinhos e como estes dois estavam há algum tempo na minha wishlist e os encontrei na internet a um preço amigo (ah tantos sites por aí com preços tentadores) decidi fazer umas comprinhas e aqui ficam elas:


Da série À Flor da Pele só me faltava mesmo este "Prazer Ardente".
Já li:

Quanto ao livro "A Rapariga-Corvo" depois de ler lido tantas opiniões entusiásticas e muito positivas fiquei curiosa.

Agora vamos ver quando volto às compras literárias novamente.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

"O Jogo de Ripper" (Isabel Allende): OPINIÃO!

Na minha adolescência iniciei um livro de Isabel Allende - "Paula", mas como na altura ainda não era uma leitora assídua, as férias acabaram e o livro ficou por terminar. Entretanto à minha estante chegaram "O Caderno de Maya" e este "O Jogo de Ripper" que foram ultrapassados por outras leituras, até que no mês passado, a Estefânia do blogue "Uma Biblioteca aberta" me sugeriu esta leitura (podem ler a sua opinião sobre este livro aqui) e, como tal, levei o livro comigo para as férias e a verdade é que fiquei agradavelmente surpreendida com a escrita da autora e todo o enredo construído ao longo das páginas.

Na altura em que este livro foi lançado, destacou-se o facto de ser o primeiro policial escrito pela autora Isabel Allende  e sendo eu apreciadora desse género literário não pude deixar de ir espreitar a sinopse que me deixou curiosa: mãe (Indiana) e filha (Amanda), com duas personalidades distintas e duas posturas completamente díspares perante a vida, uma série de crimes que ocorrem em São Francisco e um grupo de adolescentes que se envolve num jogo online - Ripper - cuja mestre é Amanda e que tentam, através dos seus raciocínios e mentes inteligentes, desvendar quem anda a assassinar pessoas.

É inquestionável que a premissa inicial para o livro "O Jogo do Ripper" se reveste de uma criatividade marcante e, como tal, embrenhei-me na leitura. Isabel Allende, numa fase inicial do livro, que ocupa mais de metade do livro, debruça-se sobre cada uma das personagens, sejam elas principais ou secundárias, sendo que a narrativa se faz de descrições intensas que nos permitem conhecer as personagens de forma profunda, aspecto esse que permitirá uma maior e total compreensão de todo o alcance da narrativa aquando da segunda fase do livro que se foca na investigação propriamente dita dos crimes. 

Esta divisão entre "descrição das personagens" e "investigação policial" faz com que a leitura não se revista da celeridade característica dos policiais puros, mas a verdade é que a escrita da autora consegue envolver, mesmo assim, o leitor.

Amanda, sendo filha do inspector encarregue pelas investigações deste conjunto de crimes, acaba por ter acesso a informações privilegiadas e, desta forma, em colaboração com os seus companheiros de Ripper, onde o único adulto envolvido é o avô de Amanda, conseguem ir tecendo raciocínios e teorias no que diz respeito a estas mortes. Em cada morte parece que o assassino deixa uma mensagem e este aspecto intriga os elementos de Ripper e leva-os a construir uma teoria que acabará por ajudar o Departamento de Homicídios a resolver esta investigação.

A par de Amanda e da sua paixão pelos livros policiais, ficamos a conhecer a sua mãe Indiana, cuja personalidade é bem distinta. Indiana é um espírito livre, que se dedica às medicinas alternativas e que se debate entre dois pretendentes completamente opostos. 

Numa narrativa que consegue ser simultaneamente romanceada e repleta de suspense, Isabel Allende conduz-nos por um enredo feito de teias de personagens com vivências muito próprias e distintas, cujas personalidades complexas e profundas enriquecem página a página, levando o leitor por uma leitura cativante e misteriosa.

Além da vertente de romance e de policial, a autora confere a este livro, uma aura de misticismo que segundo outros leitores é uma marca sua e a verdade é que esta força presente na sua narrativa acaba por agarrar o leitor.

E é quando chegamos à investigação dos crimes em si e os vários fios de uma rede intrincada se começam a deslaçar que começamos finalmente a perceber estas mortes. As motivações para os crimes são muito bem exploradas por Isabel Allende que nos consegue traçar um retrato perfeito da mente por detrás das mortes. Passo a passo e, envolvidos por uma narrativa repleta de suspense, vamos compreendendo crime a crime e a motivação por detrás de cada morte, onde a envolvência psicológica abrilhanta esta narrativa apaixonante.

Quando Indiana desaparece, o caso torna-se pessoal e Isabel Allende lança o seu leitor numa ansiedade curiosa e crescente até à revelação da ligação entre os crimes e ao desvendar do autor dos crimes, num desfecho que se faz de surpresa e que se revela inesperado e distinto dos finais habituais. 

Em suma, Isabel Allende conquistou-me com "O Jogo de Ripper" graças à profundidade que confere às suas personagens, ao pormenor que dedica às suas descrições que se revestem de importância essencial para a plena compreensão do alcance da narrativa, à mistura doseada entre romance e policial, à envolvência temporal e espacial que coloca o leitor no centro da acção e à carga psicológica presente no enredo.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Das estantes para as minhas mãos: Julho


Julho terminou ontem e, como tal, está na altura de dar destaque à rubrica "Das estantes para as minhas mãos"!

Julho foi mês de férias, por isso além de excelentes leituras, foram muitos os livrinhos que li. 

No mês de Julho saíram os seguintes livrinhos "Das estantes para as minhas mãos":


E foram eles:



Já leram algum? O que acharam? Está algum nas vossas wishlists?