quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Novidades Topseller: Setembro 2014

A Mulher de Má 
Marc Pastor
Topseller 
256 pp + 8 ilustradas
15,98€

A Mulher de Má de Marc Pastor, CSI de manhã e escritor à noite, revela um mundo macabro, uma história verídica que nos faz duvidar de um dia ter realmente existido uma mulher tão pérfida, capaz de crimes tão monstruosos. Um livro assombroso que agarrará o leitor da primeira à última página.

Um mundo macabro, uma história verídica na Barcelona do início do séc. XX


Tem um toque de Poe e de Bram Stoker, mas também de Sherlock Holmes e de Raymond Chandler. Este romance catalão, desenhado sordidamente, é a mistura do terror gótico com o crime realista. É horrífico, assustador e incrivelmente apaixonante.» 
- The Times

«Um enredo frenético e uma escrita extraordinariamente vívida. Altamente recomendado!» 
- The Independent

Sinopse:

Barcelona, 1912. Há crianças a desaparecer. Quando um cadáver é encontrado numa viela estreita, dilacerado e sem um pingo de sangue, surgem rumores bizarros sobre um «vampiro» que se move pelas sombras da cidade e que anda a roubar as almas d

Para a polícia trata-se apenas de mais um cadáver, num lugar onde a morte e o crime são tão frequentes que se tornaram banais. E quanto às crianças desaparecidas, ninguém quer saber dos filhos das prostitutas que povoam Barcelona. Mas para o inspetor Moisès Corvo — um polícia rude e dissoluto, com um sexto sentido peculiar — este é um mistério que tem de ser resolvido, com um criminoso que afinal é uma mulher.

Sobre o autor:

Marc Pastor nasceu em Barcelona, em 1977. Estudou criminologia e política criminal, e trabalha atualmente como investigador criminal na sua cidade natal. Autor de vários romances, o livro A Mulher Má valeu-lhe, em 2008, o prémio Crims de Tinta, atribuído ao melhor policial «negro» escrito em língua catalã.

Baseado na história verídica de Enriqueta Martí, uma mulher misteriosa que aterrorizou a cidade de Barcelona no início do século XX, este livro intrigante proporcionou a Marc Pastor projeção internacional ao ser traduzido e publicado em variadíssimas línguas por todo o mundo. As recentes viagens por diversas cidades de Inglaterra e Estados Unidos granjearam-lhe enormes elogios por parte da crítica.



Ao Encontro do Destino
Amy Hatvany
Topseller
368 pp 
8,79€

Depois de "O Jardim das Memórias", Amy Hatvany regressa com um novo e comovente romance, Ao Encontro do Destino (primeiras páginas disponíveis aqui), um extraordinário olhar sobre a dor de três mulheres e a esperança que persiste quando se sobrevive ao inimaginável.


Sinopse:

Hannah perde a filha de 12 anos num acidente. Através da doação do fígado da filha, Hannah consegue salvar a vida de uma adolescente um pouco mais velha, Maddie. Saída da redoma de proteção em que vivia por causa da doença, Maddie ganha uma nova esperança de vida para enfrentar, por fim, o desafio do mundo real. Olivia, a sua mãe, é vítima da violência do marido, mas planeia um dia fugir de casa com Maddie sem que isso implique perder a custódia da filha. Numa história arrebatadora e profundamente comovente, os caminhos destas três mulheres vão cruzar-se e as suas vidas irão alterar-se para sempre.

Sobre a autora:

Escritora norte-americana formada em Sociologia, a experiência académica e pessoal de Amy Hatvany possibilitou-lhe um grande conhecimento da natureza humana. Nos seus livros aborda diversos temas controversos, incluindo doenças mentais, violência doméstica e alcoolismo. É autora de livros muito elogiados pela crítica, como The Language of Sisters, Best Kept Secret, Heart Like Mine e O Jardim das Memórias, também publicado pela Topseller. Ao Encontro do Destino é o seu título mais recente.

Conheça melhor a autora em: 


«Amy Hatvany leva o leitor a refletir sobre uma multiplicidade de assuntos — a morte, a doação de órgãos, as famílias monoparentais, os maus tratos e o amor-próprio —, trabalhando cada tema com sensibilidade e compaixão.» - Kirkus Reviews


«À semelhança de Jodi Picoult, Amy Hatvany retrata com sensibilidade momentos da vida real, mantendo o leitor fascinado até à última página. Um livro que permanecerá consigo.» - Allison Winn Scotch, autora bestseller internacional




terça-feira, 23 de setembro de 2014

"Viagem ao fim do coração" (Ana Casaca): OPINIÃO!

"Viagem ao fim do coração" de Ana Casaca, publicado sob a chancela da Guerra & Paz Editores foi a leitura escolhida para integrar o Desafio Literário 2014: Autores Portugueses e de Língua Portuguesa neste mês de Setembro. Nunca tinha lido nada da autora Ana Casaca e a verdade é que fiquei encantada com a sua escrita que traz luz a uma narrativa que aborda temas complexos.

A sinopse de "Viagem ao fim do coração" contém a promessa de um livro que não deixará nenhum leitor indiferente. E a verdade é que à medida que me fui envolvendo nesta leitura foi impossível não me emocionar com a história de Luísa, Pedro e Tiago.

Inicialmente, Ana Casaca presenteia o leitor com a história de uma infância marcada pela violência doméstica, pelo abandono e pelo álcool. Logo à partida deparamo-nos com uma dinâmica familiar disfuncional que acaba por esculpir em Luísa e em Pedro os traços das suas personalidades.

À medida que a história vai avançando, a autora traz até junto do leitor a temível palavra: "cancro". Encontramos dois jovens cujas vidas se cruzam num momento especial. Por um lado, temos Luísa, uma adolescente que se faz de forças apesar das fragilidades causadas por um amadurecimento forçado e prematuro após a mãe abandonar o lar, deixando Luísa e o seu irmão recém-nascido, Pedro, às mãos de um pai que embora presente fisicamente, está sempre ausente emocionalmente. Por outro lado, temos Tiago, um jovem que quer abrir as suas asas e voar, mas que é "prisioneiro" por causa do imenso amor dos pais. Duas vidas que se cruzam por instantes e que se separam para se reencontrar dezasseis anos depois em circunstâncias completamente diferentes.

Numa narrativa que se faz em capítulos alternadamente narrados por Luísa, Pedro e Tiago, vamos conhecendo estas personagens à medida que Ana Casaca lhes vai conferindo uma profundidade imensa, oferecendo-lhes uma dimensão humana perfeitamente credível que os aproxima do leitor.

Luísa é agora uma mulher adulta que se depara com o terrível diagnóstico de cancro. Mas Luísa é forte, é lutadora, está habituada a debater-se contra as dificuldades desde criança e não vai deixar esta doença vencer. Tiago reencontra Luísa, após dezasseis anos e depara-se com esta realidade. Mas aquele encontro em adolescentes nunca saiu da sua mente e do seu coração e existe um amor imenso que faz com que queira estar ao lado de Luísa. Ao mesmo tempo, encontramos Pedro cuja relação com Luísa é mais do que especial pois foi ela que cuidou de si desde recém-nascido depois da mãe os abandonar. 

Como a narrativa é trazida pela voz destes três personagens acabamos por ter uma perspectiva mais abrangente sobre o cancro: se, por um lado, Luísa nos conta como é ser diagnosticada com cancro, por outro, Tiago e Pedro mostram-nos o que é ser-se familiar ou alguém próximo de um doente com cancro. Face a um diagnóstico de cancro cada pessoa reagirá de uma forma diferente: Luísa reagiu com força e determinação, mas outras pessoas haverá que se deixam abater por esta doença, desistindo de lutar logo à partida, deixando-se envolver numa nuvem de pessimismo. Ao mesmo tempo, aqueles que rodeiam a vida de alguém com cancro também podem reagir de formas distintas, revelando a capacidade de ter esperança, de se manter sempre presente ou afastando-se por serem incapazes de lidar com a situação. A autora Ana Casaca, nesta narrativa, brinda-nos com personagens que reagem de maneiras diferentes e coloca-nos perante esta temática que é deveras emocional.

"Viagem ao fim do coração" é baseado num caso real. A autora Ana Casaca inspirou-se na história da Rita, do blogue Episódios de Radio e o facto de o leitor saber que, por detrás desta narrativa, esteve um caso real, acaba por acrescentar uma emoção extra a cada página que lemos. A escrita directa, sem floreados e crua leva-nos numa leitura marcada pela rapidez pela ânsia de saber o desfecho final, mas com o aproximar das páginas o coração do leitor inquieta-se, questionando-se se o desfecho final feliz que tanto deseja será alcançado. Naquele que é um livro marcado pelo amor, pelo passado, pelo perdão e pela luta, Ana Casaca oferece-nos, mais do que uma história sobre o cancro, uma narrativa viva de emoção e de amor.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Novidades Planeta: Setembro 2014 [2]

As seguintes novidades editoriais da Planeta, para  o final de Setembro, estarão nas livrarias na próxima quarta-feira, dia 24 de Setembro:

FICÇÃO NACIONAL

O VESTIDO COR DE PÊSSEGO
R. A. Stival

Informação técnica:

320 páginas
PVP: 17,76€
Nas livrarias a partir de 24 de Setembro

Ritmo, emoção e uma escrita erótica verdadeiramente empolgante e romântica, neste romance de estreia de Rosania Stival, uma autora brasileira apaixonada pelas suas personagens e pela vertigem que as atrai.

Uma história arrebatadora, que nos arrasta imperiosamente para a eterna batalha entre a guerra e o amor. Um grande romance histórico lusófono, muito bem documentado, povoado de gente viva, para gente que gosta de sentir o coração palpitar.

Um romance que não se consegue parar de ler, ao nível dos maiores sucessos internacionais.

Um livro viciante, uma história de amor com personagens fortes e inesquecíveis.

Uma saga, Hussardos e Dragões, que promete e criar uma legião de fãs.

Esta narrativa tem início com a Batalha de Valmy, que ocorreu durante as Guerras da Revolução Francesa. Algumas personagens que surgem no livro, sejam apenas citadas, ou com participações efectivas, são reais. Houve ainda a preocupação de se manter a fidelidade aos factos históricos ocorridos e a sua cronologia.

O segundo romance da série - Uma Canção para o Meu Amor - está já quase terminado.

Sinopse:

Muitas batalhas são vencidas nos campos do coração

O General Amadeus Barnard, da Cavalaria Ligeira da Grande Armée de Napoleão tinha um título de nascimento. 

Propriedades.
Uma biblioteca preciosa.
Era um herói nacional.
Bonito como o diabo...

Adeline Boissinot só tinha dois vestidos. Não: apenas um vestido: o que trouxera no corpo quando rumara até Paris, atrás de um sonho que nunca se realizaria... O outro, o vestido castanho que ela usava durante o dia e fora adaptado para o seu corpo delicado, era o vestido da criadagem. E ele era o seu patrão.

Sobre a autora:

Rosania Stival divide o seu coração entre o Brasil, país em que nasceu e creceu, e Portugal, onde vive há 8 anos. É formada em Letras e Psicologia, e é professora de Língua Portuguesa. O seu romance de estreia, O Vestido Cor de Pêssego, teve a sua primeira versão em 1997, como um conto de 16 páginas. Em 2013, as personagens ganham nova vida e a história recebe mais cor, acção, romance, e maior dimensão humana, mostrando dramas pessoais e colectivos, num período marcado por grande efervescência política e social. Em 2014, a saga dos Hussardos e Dragões, aqui iniciada, já promete mais paixões e aventuras que fervilham na cabeça e na ponta dos dedos de Rosania Stival, noite fora… Uma autora forte e apaixonada por histórias e pelas suas personagens, que arrasta consigo qualquer leitor que goste de vibrar, ver e sentir aquilo que lê. Afinal, é o amor que move a Lua e as estrelas, é o amor que nos faz leitores e amantes.

A CASA AZUL
Claudia Clemente

Informação técnica: 

176 páginas
16,50€
Disponível a partir de 24 de Setembro

O romance de estreia, há muito aguardado pela crítica, da dramaturga e contista, Claudia Clemente, autora de A Fábrica da Noite e O Caderno Negro.

Uma poderosa história de amor e suspense psicológico, passada na última metade do século XX, que mergulha na alma humana e na nossa história recente.

Sinopse:

A moradia de uma família arruinada, no Porto, que é demolida para dar lugar a um condomínio. Uma mulher que desistiu de tudo desde que teve de vender a casa azul e despedir-se das suas magníficas árvores. Um agente da PIDE que segue, nos anos 60, os movimentos dos habitantes da casa azul. Duas irmãs gémeas que desconhecem a existência uma da outra: uma parisiense, outra portuense. Um homem num hospital em Paris, gravemente queimado, que todos os dias é visitado por uma jovem. Uma história de amor e paixão que nasceu em Paris, no único mês de Maio em que tudo foi possível.

O QUE DIZ A CRÍTICA SOBRE AS OBRAS DESTA AUTORA

«Há três meses ninguém a conhecia. E de repente Claudia Clemente está na televisão, na rádio, nos jornais. Bastou um livro chamado O Caderno Negro. Conta histórias curtas, um género pouco frequentado em Portugal. Mas nada faríamos com essas histórias se ela não as soubesse contar.»
Alexandra Lucas Coelho, Vogue

«O Caderno Negro, livro-revelação de Claudia Clemente. Fixe-se o nome – porque temos escritora. [...] Aqui há, de facto, alguma coisa de novo para dar à ficção portuguesa contemporânea.»
Sara Belo Luís, Visão

«Claudia Clemente revela uma segurança narrativa verdadeiramente assinalável.[...] É evidente que, embora os contos sejam uma prova fundamental para um escritor, o romance espera a autora – e os leitores que neste livro a descobriram têm motivos para estar impacientes.»
Eduardo Prado Coelho, Público

Sobre a autora:

Claudia Clemente nasceu no Porto em 1970. Arquitecta de formação, estudou cinema em Barcelona e Lisboa e divide o seu trabalho actual entre a escrita e a realização cinematográfica, a ficção e os documentários. Publicou dois livros de contos, O Caderno Negro (2003) e A Fábrica da Noite (2010), e a peça Londres (2012), vencedora do Grande Prémio de Teatro da S.P.A./Teatro Aberto. O seu primeiro documentário, & etc., foi premiado nos festivais Doc Lisboa e IMAGO’07. A Casa Azul é o seu primeiro romance.

FICÇÃO ESTRANGEIRA 

A MULHER LOUCA
Juan José Millás

Informação técnica:

PVP: 16,95€
192 páginas
Disponível a partir de 24 de Setembro

Um livro imperdível.
Uma história em que o leitor decidirá o que é verdadeiro e o que é falso.
Uma investigação sobre os limites da realidade e da ficção.

Galardoado em 2008 com o Prémio Nacional de Narrativa, Juan José Millás, um dos mais reconhecidos e premiados autores ibéricos, brinda-nos agora com uma história que toca as fronteiras entre a realidade e a ficção.

Um romance que é um exercício de honestidade para enfrentar as suas angústias como autor, que condensa a essência deste mestre das palavras: humor inteligente, diálogos excepcionais e uma escrita provocadora.

Sinopse:

À volta deste novo romance convivem três Millás: o Millás autor, o Millás narrador e o Millás personagem, o que torna este livro numa mistura entre reportagem e romance, a que se junta um ingrediente autobiográfico.

O autor transforma-se no protagonista do seu próprio relato, quando ao conhecer duas mulheres que vivem na mesma casa percebe que tem ali material para escrever uma reportagem e um romance.

«Havia apenas um problema: através de que tipo de personagem iria fazer a narração? E dei-me conta de que o único personagem possível era eu», refere Millás em entrevista ao jornal El País. A protagonista de A Mulher Louca, Júlia, trabalha numa peixaria e à noite estuda gramática, porque está apaixonada pelo chefe, que na verdade é filólogo. Nos tempos livres, a jovem ajuda a cuidar de uma doente terminal, Emérita, e encontra-se com Millás, que está a fazer uma reportagem sobre a eutanásia. Durante as visitas, o escritor sente-se atraído pela ideia de romancear a vida de Júlia, embora para o fazer enfrente o seu bloqueio criativo com a ajuda da psicoterapeuta. A realidade transtorna os planos do escritor, quando Emérita revela um segredo que guardou zelosamente toda a vida. O que começara como uma crónica para o jornal converte-se então numa espécie de novela, onde se verá apanhado como personagem.

Sobre o autor:

Juan José Millás nasceu em Valência em 1946. É autor de várias obras, vencedor de vários prémios, onde se destacam O Mundo (Prémio Planeta 2007 e Prémio Nacional de Narrativa 2008), Os Objectos Chamam-nos e O que Sei dos Homenzinhos, publicados em Portugal pela Planeta, que o consagraram como um dos grandes escritores da actualidade. Dedica-se ainda ao jornalismo, sendo cronista regular do diário El País, e a sua prosa jornalística, várias vezes premiada, gerou tantos leitores fiéis como as suas obras literárias. Numa escrita psicanalítica e profunda, mas igualmente vívida na criação de ambientes, Juan José Millás criou uma obra ímpar, traduzida em 23 línguas.

ESTE HOMEM – vol. 3
CONFISSÃO
JODI ELLEN MALPAS

Informação técnica:

528 páginas
PVP: 19,95 €
Nas livrarias a partir de 24 de Setembro

Informações mais detalhadas sobre esta novidade aqui!

NÃO FICÇÃO ESTRANGEIRA 

O MUNDO NAS SUAS MÃOS
Elsa Punset

Informação técnica: 

PVP: 16,95€
216 páginas
Disponível a partir de 24 de Setembro

Depois do êxito de Uma Mochila para o Universo, a reconhecida guru em educação emocional, Elsa Punset, convida-nos a descobrir os apaixonantes segredos da nossa inteligência social.

CURSO DE CROCHÊ
Aprenda em 25 lições
Criações de Marion Madel

Informação técnica: 

PVP: 19,95€
224 páginas
Disponível a partir de 24 de Setembro

Aprenda a fazer renda com 25 criações diferentes que a ajudarão a dominar as regras de ouro do crochê.

Ponha à prova a sua criatividade com as agulhas e confeccione a sua roupa e acessórios para a próxima estação, a partir da simples técnica do crochê.


À descoberta de outra autora portuguesa: Ana Cristina Gomes

Esboço de um Sonho
Ana Cristina Gomes

Informações Técnicas:

Páginas : 66
Editora: Poesia Fã Clube

Sinopse:

Este livro não é mais que um conjunto de sentimentos expressos em palavras. São poemas de momentos, de sensações, de experiências que ficam perpetuados na escrita de um papel que não desaparecerá com o tempo. 

Aqui fica um excerto do prefácio que resume toda a essência do livro:

“Aprendi a ler com os poetas. Quis ser poeta. Perceber como se escrevem aquelas palavras quando um coração chora e uma alma uiva de dor. Quis sentir como se sente um poeta. Uma alma ferida, uma alma incompleta que se completa na incerteza de ser. Quis viver nas palavras, adormecer nos poemas. Olhar as estrelas e ler nelas um poema de amor. Ser poeta a tempo inteiro, esse sonho que acorda em mim e que acompanha os meus passos. Poesia, poemas, nada de rimas, apenas a essência de uma alma sincera na sinceridade do que escreve. Uma alma despida de adereços. Escrevo para mim. Escrevo para recordar os momentos. Escrevo na terapia da alma. Uma escrita solitária. Uma escrita de uma só pessoa. Uma escrita sem público.”

Sobre a autora:

Ana Cristina Gomes, 31 anos, nascida em Setembro de 1982. Estudou na Escola Secundária Mães D´Água tendo nascido aí o “namoro” e as primeiras tentativas de poemas. Licenciou-se em Comunicação Social. A paixão pela escrita foi sempre crescendo, sendo muitas vezes uma espécie de amparo das emoções vividas e sentidas. Outras actividades: membro do Banco de Voluntariado da Amadora, membro da direcção do Centro Cultural de São Brás, cursos /workshops de escrita e eventos.

Disponível em:

Livro aqui.
Ebook aqui.   

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

"O Jardim das Memórias" (Amy Hatvany): OPINIÃO!

A afectividade e a carga dramática que se intui através da leitura da sinopse d' "O Jardim das Memórias" de Amy Hatvany foi o elemento essencial que despertou a minha vontade de ler este livro. Sugerido pela Estefânia do blogue "Uma biblioteca aberta", lancei-me nesta leitura com elevadas expectativas e na ânsia de descobrir uma relação pai-filha que, página a página vai revelando uma complexidade marcada pela profundidade e por laços cheios de sentimento.

A pequena Eden sempre admirou o seu pai David. A relação entre ambos sempre foi marcada por um amor profundo. Embora a dinâmica familiar fosse marcada pelas constantes flutuações de humor de David, uns dias com ausências repentinas e outros com alegria, esta incerteza de qual David estaria presente naquele dia confere uma permanente inquietude no seio familiar. Não obstante, o sentimento de Eden por David não se altera e a pequena Eden acredita que o pai vai ficar bom e que a sua família será feliz até ao dia em que encontra o seu pai caído no chão da casa de banho cheio de sangue. Após esta tentativa de suicídio, a família de Eden quebra-se: a sua mãe pede o divórcio e David desaparece. 

Vinte anos se passaram, mas Eden nunca conseguiu ultrapassar o desaparecimento do seu pai e em si ficou um vazio que insiste em magoar. Depois de várias relações amorosas falhadas, Eden comece a questionar-se se este facto não estará relacionado com o desaparecimento do pai. Afinal, se o seu próprio pai foi capaz de abandoná-la, como é possível que se deixe amar sem receio de ser abandonada de novo? É neste momento que Eden decide procurar o seu pai e tentar resolver este vazio que a impede de avançar verdadeiramente com a sua vida.

É nesta busca por David que Eden vai encontrar o albergue para sem-abrigos dirigido por Jack Baker. Jack aceita ajudar Eden na sua busca se ela fizer voluntariado no albergue e assim começa uma relação que irá florescer repleta de afectos, emoções e sentimentos.

Numa narrativa que intercala capítulos referentes ao passado e ao presente nas vozes de Eden e de David, Amy Hatvany consegue dar-nos a visão de cada uma destas personagens centrais d' "O Jardim das Memórias". Se, por um lado, conseguimos ir ao passado e ver a realidade pelos olhos de uma menina, por outro, regressamos ao presente e vemos a perspectiva de uma mulher adulta. Ao mesmo tempo, encontramos um David no passado que se debate com os seus demónios interiores e cujo amor imenso pela filha não o impede, mesmo assim, de tentar acabar com a sua própria vida e chegamos ao presente e encontramos um David que ainda se debate com os seus humores inconstantes, que tem momentos de tentar melhorar e combater a doença, mas cuja liberdade fala mais alto e o leva a viver na rua, rejeitando a medicação que lhe rouba a criatividade tão essencial na vida de um artista.

É de forma sublime que a autora Amy Hatvany nos coloca perante uma narrativa onde a relação filha - pai é colocada às claras, de forma intensa e marcante, ao mesmo tempo que nos é dada uma visão sobre a doença mental, não só pelos olhos de quem observa de fora, mas também através da voz daquele que padece de um transtorno. É visível que as oscilações de humor de David apontam para um transtorno bipolar que o leva a atingir picos de depressão alternados com momentos marcados por uma alegria eufórica e quase maníaca. Mas a David nunca foi feito um diagnóstico conclusivo e a sua batalha com a medicação e o torpor que a mesma provoca em si são trazidos até ao leitor e vemos um David que anseia pela liberdade, que não se adapta às regras sociais. 

Assim, através de uma escrita que consegue ser simultaneamente fluída e intensamente emocional, Amy Hatvany coloca-nos perante a problemática da doença mental e o seu impacto nas variadas vertentes da vida humana (familiar, profissional e social), oferecendo-nos personagens cujo realismo as aproxima do leitor. Afinal, David poderia um familiar ou um conhecido nosso. Podia ser perfeitamente a nossa história ou de alguém próximo e isso faz com que se criem laços entre leitor e personagens no decorrer da leitura.

À parte de uma narrativa marcada por temáticas fortes como a doença mental, os sem-abrigo, o divórcio, a tentativa de suicídio e até o alcoolismo, encontramos páginas cheias de laços afectivos, ao mesmo tempo que acompanhamos uma história de amor que nasce e se fortalece, à medida que Eden responde a questões que sempre a acompanharam, se vai descobrindo como pessoa e vai resolvendo o vazio deixado pelo desaparecimento súbito de David.

"O Jardim das Memórias" de Amy Hatvany é sem dúvida nenhuma uma leitura marcante, cuja narrativa é plena de laços, onde as personagens vibram com credibilidade e cujo enredo repleto de temáticas duras perfeitamente exploradas lançam o leitor numa leitura que se faz de forma suave e, simultaneamente, comovente. Amy Hatvany é inegavelmente uma autora a seguir futuramente.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!