terça-feira, 22 de Julho de 2014

"Enquanto dormes" (Alberto Marini): OPINIÃO!

A sinopse de "Enquanto dormes" de Alberto Marini indicia um livro com uma narrativa diferente dos demais thrillers já publicados na esfera literária portuguesa e, como tal, eu enquanto apreciadora deste género não podia deixar de me embrenhar nesta leitura. Com uma sinopse que cativa o leitor e que desperta o seu interesse, "Enquanto dormes" que conta já com uma adaptação cinematográfica revela-se, ao fim de poucas páginas, uma leitura que só pode ser descrita como perturbadora e inquietante.

Entrei na narrativa. Fiquei a conhecer Cillian: o porteiro de um prédio de Nova Iorque que gradualmente vai-nos mostrando a sua personalidade doentia, os seus comportamentos obsessivos e os seus pensamentos que, embora distorcidos, quase conseguem roçar uma normalidade que provoca reacção no leitor.

Cillian é o protagonista deste thriller: um homem com uma mente única; mente essa que o autor Alberto Marini consegue mostrar, de forma brilhante e pormenorizada. Este porteiro tem uma obsessão por uma inquilina: Clara. Cillian não consegue compreender como Clara consegue ter sempre um sorriso nos lábios e parecer tão feliz com a sua vida e é esta felicidade constante de Clara que perturba Cillian. Este protagonista quer ver esse sorriso desaparecer. Na verdade, o seu objectivo essencial é provocar a infelicidade de Clara e todas as manhãs decide se continua a viver ou se morre. Esta decisão depende do resultado do balanço entre os aspectos do dia anterior que o podem prender à vida ou atirá-lo para o abismo. Esta rotina de roleta russa deixa o leitor em suspenso para saber se Cillian decidirá viver mais um dia ou não. O balanço vai pendendo para o lado da vida graças aos actos que Cillian vai promovendo para a infelicidade de Clara.

Alberto Marini coloca-nos perante um  vilão cuja personalidade e mente são postas a nu e cuja complexidade, profundidade e distorção tem o condão de inquietar o leitor e o deixar assustado com tamanha malvadez.

A escrita de Marini suscita no leitor sentimentos de medo e receio por Clara. Cillian engendra esquemas cada vez mais perversos para provocar a infelicidade de Clara e, como porteiro, tem acesso a todas as habitações dos condóminos deste prédio. E é essa possibilidade de se inserir no lar de cada um que aterroriza o leitor. Cillian invade a privacidade de Clara. O seu espaço é invadido e violado. Esta invasão foi dos aspectos que, enquanto leitora, mais me perturbou. 

A narrativa, embora pouco pautada com diálogos, afigura-se-me como cativante. A violência psicológica em cada linha e em cada pensamento, comportamento e acto de Cillian conferem uma dinâmica muito profunda ao enredo que se torna envolvente e intenso.

Alberto Marini presenteia-nos também com outras personagens, cada uma com as suas vivências muito próprias e intrincadas e lança-nos num enredo rico em detalhes. Simultaneamente, o enredo vive da dimensão psicológica que o autor consegue captar de maneira brilhante.

Mais do que um thriller comum, "Enquanto dormes" é uma viagem à profundeza da mente humana e respectiva complexidade no que toca à normalidade e aos traços de doença mental. Alberto Marini é, na minha opinião, um autor a acompanhar futuramente, já que a sua escrita, enredo e narrativa humana e psicológica é deveras interessante.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


domingo, 20 de Julho de 2014

"Amor e Enganos" (Julia Quinn): OPINIÃO!

É indiscutível que a autora Julia Quinn me conquistou assim que li o primeiro volume da Série Bridgerton - "Crónica de Paixões e Caprichos" e depois quando li "Peripécias do Coração" percebi que esta magia dos seus livros se iria manter ao longo dos volumes seguintes. Mal termino mais um volume desta série a vontade que tenho é de pegar no seguinte logo de imediato e, uma vez que por cá já estão publicados os volumes quatro - "A Grande Revelação" e cinco - "Para Phillip com amor" a verdade é que é difícil resistir, mas como têm sido livros que devoro com uma rapidez apaixonante prefiro ir espaçando as leituras para ir apreciando esta família e as suas aventuras no amor aos poucos. Esta série é constituída por oito volumes, cada um deles centrado em cada um dos filhos da Viscondesa Violet Bridgerton e cada história tem o seu encanto, os seus obstáculos e o seu final que habitualmente deixam o leitor com um sorriso nos lábios e o coração aconchegado.

"Amor e Enganos" é o terceiro volume deste série e depois de termos acompanhado as histórias de Daphne e de Anthony Bridgerton, eis que chega o momento de nos embrenharmos na história de Benedict Bridgerton e perdermo-nos em linhas repletas de doçura, onde um romance nasce, é colocado perante atribulações que dificultam a sua concretização rápida e que culminam  num desfecho onde o coração do leitor palpita. 

Benedict Bridgerton é um jovem solteiro que num baile de máscaras se enfeitiça por uma jovem desconhecida. Benedict não chega a ver a sua cara coberta por uma máscara. Os olhos daquela mulher ficam na sua mente. A energia desta mulher parece ser magnética. Benedict não sabe quem ela é, nem como se chama, quem é a sua família. Esta mulher misteriosa é Sophie, uma jovem com uma vida difícil, marcada pelo peso de ser a filha bastarda de um conde que entretanto morre; jovem essa que fica sob a alçada de uma madrasta cruel e que partilha a sua existência com as duas filhas desta. Ao belo estilo da história da Cinderela temos a madrasta má, as duas irmãs (uma delas com uma personalidade indesejável e outra que nutre simpatia por Sophie, mas que se afasta para não entrar em conflito com a sua mãe). Sophie vive assim uma vida votada à simplicidade, aos trabalhos domésticos forçados, sem dote ou perspectivas de futuro. Só que Sophie tem um sonho: ir ao baile de máscaras organizado por Lady Bridgerton. O sonho concretiza-se. Quando conhece Benedict sente que ele é o amor da sua vida. No entanto, duas pessoas de mundos tão diferentes não têm futuro juntos. A filha bastarda de um conde não tem a possibilidade de sonhar com um amor assim...aparentemente impossível.

Contudo, e como seria de esperar, Julia Quinn surpreende-nos com uma narrativa que reveste-se de doçura e embora tudo pareça indicar que este amor é impossível, o coração do leitor torce por um romance pleno e feliz. Benedict não consegue esquecer aquela mulher do baile. Mas a verdade  é que também não a consegue encontrar em lugar nenhum. Quando o destino os volta a unir, Benedict não conhece a mulher do baile, mas sim uma jovem criada de família. Mas o coração de Benedict deixa-o confuso: como é possível sentir o mesmo por esta criada, tal como sentiu pela mulher do baile?

Através de um enredo repleto de ternura e, ao mesmo tempo, marcado pela incerteza, acompanhamos este amor e as surpresas que com ele surgem. A escrita cheia de emoção leva o leitor pelas páginas deste livro embalado numa doce história de emoções onde Benedict se debate com os seus sentimentos e Sophie se confronta interiormente com a sua ilegitimidade e todas as consequências que daí advêm.

Ao contrário do que acontece nos dois volumes anteriores, em "Amor e Enganos" é a personagem feminina que se debate com algo que a retrai e a impede de se entregar a um grande amor. É inegável que à luz de um século diferente (século XIX) e de uma sociedade com costumes distintos, Julia Quinn nos coloca perante temáticas pertinentes, nomeadamente os filhos ilegítimos e as diferenças entre classes sociais.

Para além de um romance, "Amor e Enganos" brinda-nos com laços familiares, a união entre irmãos e traz até nós um vislumbre de como vão as vidas dos Bridgerton agora casados - Daphne e Anthony. A possibilidade de reaver personagens de volumes anteriores acaba por trazer uma riqueza adicional à narrativa. A verdade é que os livros da autora Julia Quinn vivem das suas personagens que possuem uma aura muito particular, aura essa que faz brilhar a narrativa.

Em suma, "Amor e Enganos" afigura-se-me como uma narrativa emocional, assente numa história tão conhecida de todos (Cinderela). Não obstante, esta premissa inicial, este terceiro volume da série Bridgerton presenteia-nos com um enredo muito próprio, sendo que com o aproximar do desfecho somos brindados com surpresas que fazem o leitor sentir que finalmente Sophie teve justiça depois de um passado complicado, tendo o final que merece. E claro que continuamos a seguir as Crónicas de Lady Whistledown cuja identidade se mantém um mistério: o meu coração de leitora tem um palpite sobre quem estará por detrás destas crónicas. Será que o mistério será desvendado em "A Grande Revelação"? Em breve ficarei a saber. Até lá manterei as personagens de Julia Quinn num canto especial do meu coração que a autora tão docemente conseguiu conquistar.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


quarta-feira, 16 de Julho de 2014

"O Lugar do Coração" (Emily Giffin): OPINIÃO!

"O Lugar do Coração" não é o primeiro livro da autora Emily Giffin que leio. Anteriormente li "Coisas do Coração" e por casa tenho também para ler "Escolhi o teu amor". A componente que me atraiu a ler este livro foi essencialmente a sua sinopse que leva o leitor a suspeitar que algo liga as duas personagens principais: Marian e Kirby. Um palpite sobre esta ligação surgiu logo na minha mente e o mesmo se confirmou ao fim de poucas páginas. Não revelar esse segredo nesta minha opinião afigura-se uma tarefa complexa, dado que toda a narrativa se centra no mesmo e nas consequências que acarreta para estas duas personagens femininas. Mas como considero que a beleza de um livro está na descoberta que cada leitor faz ao virar cada página vou tentar cingir-me ao essencial sem levantar o véu. Não fugindo à minha intenção de manter o mistério, posso referir que esta narrativa se foca intensamente nas relações familiares, nos laços de afecto, nas escolhas do passado que pairam sobre o presente e condicionam toda a evolução de uma vida.

Marian é uma mulher de trinta e seis anos que parece ter tudo para ser feliz: uma relação amorosa estável, um emprego como produtora de televisão e um núcleo familiar coeso. No entanto, um comportamento do passado levou-a a ter de tomar uma decisão difícil durante a adolescência. Marian acredita que o passado está encerrado. Mas quando Kirby, uma adolescente de dezoito anos lhe bate inesperadamente à porta, o passado regressa com intensidade, levando Marian a questionar as suas escolhas e a descobrir verdades sobre si e sobre a sua vida aparentemente perfeita.

Contada a duas vozes por Marian e Kirby, em capítulos alternados, esta narrativa leva o leitor por páginas repletas de emoções e sentimentos. Conhecemos Marian adulta e também adolescente e acompanhamos Kirby na busca pela resposta à pergunta que a tem vindo a acompanhar: "Quem sou eu?"

A autora Emily Giffin, através de uma escrita delicada e emocional, permite-nos sentir as personagens, os seus anseios, as suas questões. Ouvimos os seus pensamentos e compreendemos os seus sentimentos e atitudes dada a veracidade do enredo que se apresenta perante os nossos olhos.

"O Lugar do Coração" oferece-nos uma história que poderia ter acontecido com qualquer um de nós ou com alguém conhecido e acaba por ser inevitável a necessidade de nos questionarmos sobre como actuaríamos, tanto se estivéssemos na pele da Marian adolescente ou no lugar da adolescente Kirby. 

Embrenhei-me na leitura. Vi a trama desenrolar-se à medida que fui virando as páginas. Emocionei-me com as personagens e as suas vivências e torci por um desfecho marcante, completo e profundo e não me desiludi.

Emily Giffin coloca-nos perante temáticas complexas e aos poucos vemos as personagens a desabrochar, a redescobrirem-se e a reavaliarem as suas vidas; personagens essas que vão ganhando uma profundidade emocional vincada, ao mesmo tempo que as vamos conhecendo nas suas variadas esferas: familiar, amorosa, social e profissional. A autora consegue de forma inteligente presentear o seu leitor com personagens muito humanas e completas que  apelam ao seu coração. A par das personagens, surge-nos uma narrativa que nos leva a reflectir sobre os laços familiares, sobre o papel de pai e de mãe, sobre se a nossa essência é inata e determinada pelo sangue ou se a nossa personalidade depende do contexto onde fomos criados. Muito mais havia a esmiuçar sobre estas temáticas caso referisse o laço que une Marian e Kirby mas o livro merece ser descoberto por cada um que se aventure nesta leitura doce e emocional.

Em "O Lugar do Coração", a autora consegue também oferecer-nos uma história de amor. Às vezes queremos acreditar que um grande amor do passado ficou lá atrás, mas nem sempre isso acontece. Marian mantém uma relação estável, mas aos poucos vamo-nos apercebendo que há questões que minam estes aparentes alicerces sólidos e quando Marian se  vê confrontada com o passado, toda uma nova luz sobre a sua vida se acende.

Emily Giffin cria um enredo que mantém o leitor cativado, preso às páginas, levado por uma urgência em saber mais, em ver como tudo acaba. Assim sendo, "O Lugar do Coração" brilha pela sua narrativa, pela escrita fluída, pela trama profunda e verdadeira enriquecida por personagens maravilhosamente humanas. Além disso, este é um livro sobre mentiras, segredos e escolhas que até que sejam revelados e assumidos sem máscaras nos aprisionam. Livres dessas correntes o coração se encarregará de nos mostrar onde pertencemos e quem somos realmente. 

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Férias aqui vou euuuuuu!

Amanhã o Refúgio dos Livros vai de férias (oh férias tão bom tão bom!)

À partida terei acesso à internet: queria ver se fazia umas actualizações que têm estado pendentes por cá...vamos ver se a inspiração regressa em força com as férias! Se andar por aqui nos próximos dias é um "até já" a todos vocês. Se aqui este cantinho ficar mais paradito não se admirem: passa a ser um "até daqui a uns dias" eh eh!


Estou pronta para me atirar para este mar imenso!
Estou pronta para me esticar na toalha a apanhar sol enquanto me agarro aos livros!
Estou pronta para preguiçar à beira da piscina!
E estou pronta para me atirar à piscina fresca e deliciosa!

Ah e estes foram os livrinhos escolhidos para me acompanharem nos próximos dias cheios de sol e calor e mar e piscina e diversão:


Já comecei a ler "Enquanto dormes". Se lesse estes livrinhos todos durante as férias ficava bem feliz. Vamos lá ver :)!

E pronto pessoal é isto: Férias aqui vou euuuuuuu!

domingo, 13 de Julho de 2014

Resultado do Passatempo Chiado Editora: "Para Sempre Carcóvia"

Aqui está o resultado do passatempo realizado com a preciosa colaboração da Chiado Editora que terminou dia 10 de Julho às 23h59 e que tinha para oferecer um exemplar do livro "Para Sempre Carcóviado autor João Carlos Máximo!

Neste passatempo Chiado Editora contamos com 142 participações válidas!

Obrigado por continuarem a participar nestes passatempos :)!

As respostas correctas às perguntas eram:


1. "Para Sempre Carcóvia" pertence a qual colecção da Chiado?
Resposta: Viagens na Ficção.

2. “Para Sempre Cracóvia” é um dos grandes sucessos da Chiado Editora no ano 2013, um livro surpreendente que deixa qualquer leitor agarrado ao mundo da leitura:
Resposta: verdadeiro.

Desta vez tínhamos 1 livro para oferecer!

A vencedora do passatempo é:


38. Ana Simões (Loulé)

Parabéns!