quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

"Inferno no Vaticano" (Flávio Capuleto): OPINIÃO!

Depois de "No Calor dos Trópicos", chegou este mês às livrarias mais um livro do autor português Flávio Capuleto - "Inferno no Vaticano" - agora sob a chancela da Guerra & Paz Editores e do Clube do Livro SIC, um livro que pela sinopse despertou a minha curiosidade.

A verdade é que os livros cujo enredo se desenrola no Vaticano e que deixam antever divergências no que toca a formas de pensar no seio da própria Igreja suscitam em mim um particular interesse, pelo que parti para a leitura d' "Inferno no Vaticano" com expectativas fortes.

Com um prólogo que nos brinda logo com uma morte nas catacumbas do Vaticano, sendo a vítima Francesco Barocci, curador do Tesouro, partimos automaticamente numa leitura que se reveste de muita acção, sendo que o detective privado do Papa - Luís Borges - é chamado com urgência para investigar este crime. Ao mesmo tempo, é com a chegada da atraente simbologista Valeria Del Bosque, que surge o elemento feminino que em dupla com Luís Borges, irá protagonizar alguns momentos tórridos e plenos de erotismo, num livro onde crimes e intrigas se misturam, de forma equilibrada, com romance.

Este assassinato suscita medo a padres, bispos e outros elementos da Igreja Católica, mas quando outros crimes começam a acontecer instala-se um clima de tensão e suspeita. 

Através de uma escrita simples, de capítulos curtos e de uma acção rápida, o autor Flávio Capuleto transporta-nos por uma narrativa que nos dá conta de duas facções opostas dentro da Igreja, cada uma delas organizada em sociedades secretas próprias e com visões muito diferentes, no que toca à fortuna em ouro escondida do Vaticano: 

" -...os Filhos da Luz de que você faz parte querem alienar o tesouro material do Vaticano. Nós, os conservadores, não aceitamos essa venda nem o ideário dos reformistas."

Conservadores entendem que o tesouro pertence à Igreja e não se destina a colmatar problemas como a fome, o desemprego e outros problemas sociais decorrentes da crise política e económica, enquanto que os Reformistas entendem uma Igreja à imagem de Cristo: pobre, sem ostentação de riqueza e que se serve da sua fortuna para distribuir por aqueles que precisam.

Como resultado desta "guerra" as mortes sucedem-se e o leitor é confrontado com uma narrativa célere que desperta a sua reflexão para temáticas deveras actuais e pertinentes. Simultaneamente, somos presenteados com pinceladas de intensa sedução entre Luís Borges e Del Bosque, o que confere uma dinâmica mais pessoal à leitura.

Resumindo, "Inferno no Vaticano" revela-se assim um romance que irá conquistar leitores, não só pelo clima de mistério que o autor Flávio Capuleto consegue inserir nas suas páginas, mas também por construir um enredo onde duas facções se debatem, de forma tão intensa e tão oposta de pensamentos e onde existe ainda lugar para um romance atrevido, com um final que é deixado um pouco em aberto, tanto no que toca à conclusão definitiva da investigação, como no que toca à relação pessoal entre Borges e Del Bosque. A minha imaginação de leitora leva-me a desejar que o autor Flávio Capuleto dê continuidade a esta dupla num romance futuro.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom! 




1 comentário:

Joana Martins disse...

Mais um livro sobre o Vaticano!
Já não posso mais sempre que vejo um, eu compro. Qualquer dia quando alguém olhar para a minhas estantes e vir tantos livros sobre o Vaticano vão pensar que sou alguma fanática :-) (brincadeira)

leiturasfabulosas.blogspot.pt