quarta-feira, 7 de novembro de 2012

"Não abras os olhos" (John Verdon): OPINIÃO!

Um crime intenso...
Uma noiva morta decapitada no dia do seu próprio casamento...
Um crime de aparente resolução fácil...
Um vídeo do casamento como prova do crime...
Um grupo de investigadores que não conseguem encontrar o suposto assassino para fechar o caso...

É assim desta forma directa, intensa e cativante que o autor John Verdon nos dá a conhecer "Não abras os olhos".

Uma noiva assassinada, um vídeo que aponta para o potencial culpado - o jardineiro Hector Flores, uma mãe inconformada com a ineficácia policial e um namorado/noivo/marido e viúvo altamente reconhecido na área da psiquiatria no campo do tratamento de disfunções sexuais, são ingredientes mais do que suficientes para aguçar a curiosidade e expectativa do leitor.

Jack Hardwick foi afastado da investigação do caso, as desavenças entre hierarquias são profundas o que o leva a procurar a ajuda do já aposentado mas famoso Dave Gurney: Dave parece ser a única pessoa capaz de deslindar este caso depois de já ter dado mais do que provas da sua genialidade no caso do livro "Pensa num número" (crítica aqui).

Dave Gurney já está aposentado, devia agora apreciar a sua tranquila vida e não se envolver em investigações perigosas que têm impacto na sua relação conjugal com Madeleine, mas Gurney terá sempre coração de polícia e não consegue recusar o pedido de ajuda de Hardwick.

Embrenhamo-nos numa leitura onde o enredo conquista o leitor e onde as peças soltas do puzzle causam uma sensação de inquietação.

A linha inicial de investigação assumiu automaticamente Hector Flores como culpado mas o jardineiro parece ter-se evaporado.

Quando Dave Gurney começa a ter acesso aos documentos da investigação (textos, transcrições, vídeos) questiona-se sobre se este crime será mesmo assim tão fácil de resolver ou se afinal há algo que não bate certo.

Ao longo da leitura e visto já ter lido anteriormente "Pensa num número" não pude deixar de constatar que Gurney mais do que centrado nas pistas forenses dedica a sua atenção à análise das pistas e, como tal, mais do que um investigador prático, Dave Gurney é um investigador que sobressai pela sua exímia capacidade de análise e raciocínio, à qual se alia uma intuição que acaba por se mostrar certeira levando à resolução dos casos.

A noiva Jillian não foi a menina típica, nem a adolescente normal e Dave Gurney questiona-se se esta morte terá muito mais escondido por detrás do que aquilo que mostra.

A acção centra-se na análise de pistas, no vasculhar do historial das personagens, no interligar de pequenos factos, ao passo que a narrativa é ritmada e à medida que vamos ficando a saber mais vai havendo um crescendo de emoção e suspense até ao desfecho final.

O enredo complexo e repleto de mistério volta a mostrar por que é que John Verdon cativa os seus leitores. 

A complexidade das personagens, os seus traumas, os seus segredos, as suas disfunções e os seus passados despertam a atenção do leitor não o deixando ficar de forma alguma indiferente. 

A maneira como o autor John Verdon consegue criar uma trama onde verdades aparentemente tão desconexas se encaixam na perfeição revela-nos a criatividade deste autor.

Num livro onde mais do que um crime macabro são abordados temas como o abuso sexual na visão de vítima e de perpetrador tornam o enredo mais rico pela sua complexidade.

À parte da investigação, John Verdon consegue dar-nos o lado muito pessoal do casal Dave Gurney e Madeleine que travam as suas próprias batalhas relacionais, ao mesmo tempo que vêem esta investigação afectá-los no seu próprio lar.

"Não abras os olhos" é o título perfeito para esta narrativa: um título que chegada a última página e o desfecho do caso se reveste de um significado estrondoso e perfeitamente adequado.

John Verdon cimenta a sua mestria como escritor com este "Não abras os olhos" que conquista pelo enredo, pela escrita, pela narrativa, pelas personagens e pelo suspense e mistério.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


1 comentário:

André Nuno disse...

Olá, Diana.
Gostei imenso deste Não Abras os Olhos. Concordo contigo quanto à mestria de Verdon na escrita e também na questão da escolha do título.
Apesar de ter adorado, ainda assim, gostei mais de Pensa num Número. Neste segundo livro esperava ser surpreendido e não aconteceu. Nota, o livro é fabuloso (dei 4* no Goodreads aos dois livros) mas depois de um livro de estreia do calibre de Pensa num Número, pensei que Verdon pudesse fazer melhor.
A tua classificação reflecte esta minha perspectiva de forma muito correcta. Deste-lhe 5, merece os 5. Eu é que estava à espera de, em Não Abras os Olhos, encontrar um 7. :)
Boas leituras!