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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

"Tempo para Falar" (Helen Lewis): OPINIÃO!

Ler sobre relatos de um período da História marcado pela morte e por atrocidades indescritíveis é sempre uma experiência complexa. Tentar-me colocar na pele de qualquer uma das pessoas que viveu a experiência de um campo de concentração é-me absolutamente impossível. Viajar pelas páginas de um livro sobre este período atroz da História é, por si só, uma aventura que magoa, que marca e que não se esquece.

"Tempo para falar" traz até nós o relato de uma sobrevivente de Auschwitz: Helen Lewis, que nesta narrativa coloca toda a sua vivência, os seus sonhos, as suas aspirações, a destruição das mesmas quando é deportada para o campo de concentração. Num relato que nos é trazido pela autora na primeira pessoa, o leitor questiona-se como um ser humano é capaz de infligir tanta dor e sofrimento a outro ser humano. Mas Helen Lewis também nos mostra outra perspectiva: guardas do campo de concentração que moldados pelos ideais da época e incapazes de se rebelarem contra os mesmos por causa do medo, tentam fazer o melhor que conseguem face a circunstâncias tão complexas.

Através de uma escrita crua, mas simultaneamente serena, Helen Lewis traz até nós a sua história sem rancor. Perante os olhos do leitor ficam o medo, a miséria, a fome, a doença e a morte, mas eis que noutros momentos, surge uma luz de bondade proveniente de onde menos se espera. O trajecto de Helen Lewis foi feito de dor e também de sorte. Surgem traços de humanidade repentinos na narrativa que acalmam um pouco a experiência de ler um livro deste género.

Ao longo de "Tempo para Falar", a voz de Helen Lewis não se altera. A sua serenidade mantém-se em todas as páginas, contem-nos elas atrocidades, infernos e pesadelos ou breves episódios de humanidade e de esperança. 

Apesar da serenidade constante neste testemunho de Helen Lewis, a narrativa reveste-se de uma carga emocional profundamente intensa que perturba o leitor e o faz sentir a necessidade de não deixar cair em esquecimento este período macabro da História para que terrores destes não se voltem a repetir nunca mais.

"Tempo para Falar" de Helen Lewis é sem dúvida nenhuma um testemunho vívido do Holocausto que traz até ao leitor uma experiência de leitura simplesmente única e comovente, ao mesmo tempo, que nos presenteia com uma história de coragem, sobrevivência e renascimento.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!  


quarta-feira, 16 de maio de 2012

"Um Longo Regresso a Casa" (Gail Caldwell): OPINIÃO!

Ao iniciar esta leitura imaginei que me ia emocionar com este livro pois "Um Longo Regresso a Casa" é autobiográfico e conta-nos a história da autora Gail Caldwell que perdeu a sua grande amiga Caroline vítima de cancro.

Assim, iniciei leitura tendo conhecimento deste facto e embrenhei-me num livro que retrata a amizade profunda que nasceu e cresceu entre Gail e Caroline.

"Um Longo Regresso a Casa" chega-nos sob a forma de diário o que cria uma dinâmica muito intimista entre a autora Gail Caldwell e o leitor.

Para mim "Um Longo Regresso a Casa" foi uma leitura simultaneamente cativante e inquietante porque, por um lado, temos o relato profundo e intenso de uma amizade sem limites e, por outro, sofremos pela morte de Caroline e enquanto leitores conseguimos sentir a dor profunda de Gail por ter perdido a sua amiga.

Embora seja uma história sobre dor e sofrimento, este livro vai muito além desses sentimentos de perda e mostra-nos como uma amizade pode ser profunda, ao mesmo tempo que nos mostra que é na relação com os outros que nos ficamos a conhecer a nós próprios.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!