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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O bicho-da-seda (Robert Galbraith): OPINIÃO!

Quando soube que o segundo livro protagonizado pelo dectective Cormoran Strike ia ser publicado em Janeiro pela Editorial Presença foi com expectativa que acolhi essa notícia. Depois de "Quando o cuco chama" (crítica do Refúgio dos Livros aqui), eis que Robert Galbraith (pseudónimo da autora J. K. Rowling) nos presenteia com o segundo livro desta série - "O bicho-da-seda". 

Com uma sinopse que anuncia um desaparecimento que se revela, na verdade, um homicídio macabro, "O bicho-da-seda" desperta os sensores da curiosidade em qualquer leitor que aprecie este género de livros e eu não fui excepção. Iniciei a leitura com intensa expectativa e, quase imediatamente, vi-me presa nas páginas de uma narrativa que nos leva num crescendo de suspense, onde o detalhe dado à descoberta do corpo do escritor Owen Quine, até então desaparecido, nos atinge como um murro, sendo que o leitor se depara com uma cena repleta de crueldade, na qual a atenção o pormenor lhe confere uma característica visual perturbadoramente forte e real.

Quando Leonora procura os serviços do detective Cormoran Strike, acredita que o seu marido Owen estará simplesmente desaparecido temporariamente como em outras situações no passado, mas quando este demora a regressar deste seu "desaparecimento", Leonora começa a sentir-se inquieta. Cormoran lança-se na busca de Owen Quine. À medida que a investigação avança, Cormoran começa a compreender que esta poderá ser uma ausência mais complexa do que inicialmente aparentava, visto o escritor Owen Quine estar prestes a publicar um livro que retratava, de forma deveras negativa, muitas pessoas que conhecia.

E é então que se coloca a questão primordial: será que este "desaparecimento" de Owen Quine é uma estratégia do próprio para criar maior publicidade em torno do seu novo livro ou será que algum dos visados neste livro quis silenciar o escritor?

Quando Owen Quine é encontrado barbaramente morto, num cenário absolutamente perverso e envolto em requintes de malvadez, a narrativa ganha uma luz adicional e lança o leitor num voar pelas páginas célere e ansioso.

Muitos são aqueles que poderiam querer ver o escritor morto, para assim evitar a publicação de um livro tão difamatório. Mas quem terá assassinado Owen? Que mente estará por detrás de um crime tão cruel e tão genialmente arquitectado onde não são deixadas quaisquer provas forenses que possam deitar uma luz sobre a identidade do assassino?

É através de uma narrativa plena de suspense que Robert Galbraith nos lança, fazendo uso de uma escrita inteligente e de um enredo composto por personagens complexas e misteriosas que cativam a aprisionam o leitor.

Robert Galbratih é ímpar em construir uma narrativa assente na vertente policial, mas simultaneamente, traz-nos novamente a personagem de Robin, a jovem assistente de Cormoran, personagem feminina essa que acaba por acrescentar uma vertente mais humana à história. É inevitável que o leitor mais romântico acabe por sentir e até desejar uma ligação amorosa entre este par. Robin adiciona uma textura diferente à narrativa e através desta personagem conseguimos ver uma essência escondida de Cormoran Strike que não é possível ver quando este "veste" o seu papel frio e racional de detective.

A narrativa avança. A escrita prende. As personagens vão-se revelando. O suspense mantém-se. As páginas vão sendo viradas e no meio de tantos possíveis potenciais autores para a morte de Owen Quine a verdade é que Robert Galbratih esconde a identidade do assassino até às páginas finais onde a revelação é recebida com espanto por parte do leitor.

Em suma, "O bicho-da-seda" não desilude de maneira absolutamente nenhuma. Aliás, consegue acicatar a curiosidade do leitor para um próximo volume desta série, sendo que a capacidade de raciocínio de Cormoran Strike aliada à perspicácia de Robin tornam esta dupla uma dupla a seguir atentamente. É, sem dúvida nenhuma, um policial com uma caga de mistério que agarra o leitor do início ao fim e, cujo enredo à volta da investigação de um crime e aliado a uma dinâmica humana, conquista a cada página que se lê.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

«Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.»
«Para mais informações sobre o livro O bicho-da-seda, clique aqui» 


terça-feira, 29 de julho de 2014

"Morte numa noite de verão" (K. O. Dahl): OPINIÃO!

"Morte numa noite de verão" de K. O. Dahl é o segundo livro da série Detectives de Oslo protagonizada pelos inspectores Frølich e Gunnarstranda. Tendo recebido o Prémio de Melhor Policial Norueguês, a escolha da Porto Editora recaiu sobre a publicação deste segundo livro, não estando ainda o primeiro publicado por cá. Admito que quando vi que este era o segundo livro de uma série fiquei um pouco reticente, pois gosto de ler as séries por ordem e ir acompanhando a evolução das personagens desde o seu início, mas a verdade é que finda esta leitura há que mencionar que o facto de o primeiro livro não estar publicado por cá em nada interfere nesta leitura, visto que não há quaisquer referências ao livro anterior.

Katrine Bratterud é uma jovem ex-toxicodependente que está prestes a terminar o seu programa de reabilitação, que vive um romance e cuja vida parece estar a começar novamente. A felicidade de Katrine é intensa e é nesta fase nova prestes a começar que acontece o inesperado: Katrine é brutalmente assassinada. Katrine tinha um segredo; segredo esse que era a razão da sua renovada felicidade. Ao morrer Katrine levou o segredo consigo. Agora coloca-se uma questão: quem matou Katrine? E porquê?

Em cena entram os inspectores Frølich e Gunnarstranda que ficam responsáveis por este caso e eis que o autor K. O. Dahl leva-nos pelos meandros de um policial profundo e repleto de investigações. Sucedem-se interrogatórios intensos, na tentativa de conhecer quem privou com Katrine na noite da sua morte e nos tempos anteriores. O autor leva a fundo uma caracterização das personagens próximas a Katrine para desvendar o seu assassino.

Por outro lado, estes inspectores não deixam de parte o passado de drogas e de prostituição de Katrine e tentam compreender se a sua morte está relacionada com o seu passado atribulado. É na sequência destas investigações que K. O. Dahl nos dá uma visão vincada sobre as clínicas de reabilitação para toxicodependentes, sobre os seus programas de reabilitação (taxas de sucesso vs. taxas de insucesso) e sobre os seus funcionários, sendo patente um clima de crítica social intenso.

Ao longo da narrativa é inevitável não reparar que, ao contrário de muitos autores nórdicos, K. O. Dahl coloca pouco ênfase na caracterização dos seus inspectores: não ficamos a saber muito sobre as suas vidas e vivências, pelo que se perde um pouco a capacidade de uma ligação a estas personagens. Atendendo a que o enfoque não está nos inspectores, K. O. Dahl debruça-se isso sim sobre a investigação, trazendo até ao leitor informações constantes e por vezes repetitivas, num esquema onde se pretende detectar erros ou contradições nos interrogatórios policiais.

O facto da narrativa estar fortemente centrada na investigação leva a que a acção não se desenvolva a um ritmo frenético, mas em compensação a trama intrincada acaba por prender o leitor às páginas numa ansiedade crescente de perceber as motivações deste crime e quem é responsável pelo mesmo.

Em suma, "Morte numa noite de verão" de K. O. Dahl não se trata de um policial puro, mas sim de um policial mais clássico assente nos interrogatórios para recriar o cenário do crime e descobrir o assassino, ao mesmo tempo que a escrita directa e cativante, com rasgos de diálogos perspicazes, nos leva também para os meandros de um romance marcado por uma vertente social. A exploração das vertentes psicológicas e sociais confere uma riqueza extra a uma trama que se faz de mistério e complexidades que só se conjugam muito próximo de um desfecho final que consegue surpreender o leitor. A revelação da identidade do assassino é inesperada e as suas motivações para este crime têm origens impensáveis.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


quarta-feira, 11 de junho de 2014

O Assassinato de Roger Ackroyd (Agatha Christie): OPINIÃO!

A minha colecção Agatha Christie já conta com um número agradável de livros e a verdade é que ler um livro desta autora é sempre uma aventura. Já li alguns títulos (A SuspeitaDestino: FrankfurtAs dez figuras negrasMorte na praiaOs crimes do ABCO cavalo amareloAnúncio de um crimeUm crime no expresso do OrienteO enigma das cartas anónimasA visita inesperada e O espelho quebrado): alguns gostei mais, outros menos, mas o elo comum a todos eles é que oferecem sempre ao leitor páginas repletas de mistério. 

Juntamente com "Anúncio de um crime" e "Um crime no expresso do Oriente", "O Assassinato de Roger Ackroyd" entrou directamente para o meu Top Favoritos Agatha Christie. Peguei no livro e passados uns instantes já estava presa à narrativa. Não sendo um livro grande, devorei-o em dois dias e fiquei deliciada por voltar a encontrar Hercule Poirot.

Numa pequena aldeia onde todos se conhecem, onde parece que todos sabem da vida uns dos outros e quando algo inesperado acontece o som dos mexericos começa a fazer-se notar intensamente, surgindo teorias sobre o sucedido. Quando Mrs. Ferrars morre, coloca-se a hipótese de suicídio, pois dizia-se que esta tinha envenenado o marido. Quando Roger Ackroyd que, segundo os rumores mantinha uma relação próxima com a falecida Mrs. Ferrars, morre, é inevitável que o leitor se questione se estas duas mortes estarão relacionadas. 

O Dr. James Sheppard é o médico da aldeia. Vive com a sua irmã Caroline, cuja personalidade peculiar confere brilho à narrativa: Caroline parece saber sempre tudo sobre o se que passa, tendo uma rede de "informadores" extensa que a mantém a par das novidades. O Dr. James Sheppard vê-se confrontado com a morte de Mrs. Ferrars e, pouco depois, é o seu amigo Roger Ackroyd que morre assassinado. É no seu vizinho novo, Poirot, que decide procurar ajuda para desvendar a morte de Ackroyd.

Poirot, agora afastado das investigações e tentando viver uma vida isolada e de anonimato, acaba por se ver envolvido neste caso misterioso da morte de Roger Ackroyd e, a par com a investigação policial, vai retirando as suas conclusões a partir das suas observações, interrogatórios e raciocínios.

Agatha Christie vai-nos levando por uma narrativa repleta de suspense, à medida que nos vai dando a conhecer aqueles que constituem a família e amigos próximos de Roger Ackroyd. Enquanto o enredo vai avançando, o leitor vai percebendo que algumas pessoas poderiam ter motivos para matar Ackroyd. O mistério adensa-se e a curiosidade aumenta na ânsia da revelação da identidade do assassino.

Através de uma narrativa repleta de diálogos, o leitor vai-se embrenhando profundamente na leitura e vai acompanhando Poirot que faz uso da sua extraordinária capacidade de raciocínio e observação para chegar à resolução do crime.

Se por vezes suspeitamos de certa personagens, noutras alturas acontece que algo é revelado e a dúvida instala-se. Cada personagem parece guardar um segredo e querer esconder algo, o que dificulta chegar à verdade. Mas Poirot começa a juntar as peças até que o puzzle se completa perante os olhos do leitor. 

Embora com o aproximar do final do livro tenha sentido uma inclinação para a identidade do criminoso e a mesma se tenha revelado certa, a verdade é que Agatha Christie, através do seu magnífico Poirot, conseguiu surpreender-me. Eu, enquanto leitora, suspeitava de uma personagem, mas a verdade é que ainda assim, foi o raciocínio de Poirot, a forma como foi juntando pistas e observando aspectos aparentemente sem importância, que me deixou boquiaberta. Ao percebermos como o crime foi cometido e como Poirot consegue chegar à identidade do assassino, somos capturados pela excelência de raciocínio e lógica desta personagem sem igual.

Em suma, "O Assassino de Roger Ackroyd" de Agatha Christie reveste-se de todos os ingredientes fulcrais num bom policial: personagens intrigantes, múltiplos suspeitos, pistas cujos significados e importância têm de ser analisados, muito suspense e crime(s) a ser(em) desvendado(a). Assim, esta é uma leitura que se faz a um ritmo célere, com um voltar de páginas ritmado e ansioso, onde a expectativa pela revelação final acompanha o leitor até à última página.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


quarta-feira, 4 de junho de 2014

"Morte com vista para o mar" (Pedro Garcia Rosado): OPINIÃO!

Pedro Garcia Rosado já tem vários livros publicados, mas "Morte com vista para o mar" foi a minha estreia. A minha escolha recaiu sobre este livro, porque a sua sinopse me intrigou e, integrado no Desafio Literário 2014: Autores Portugueses e de  Língua Portuguesa, iniciei esta leitura, que dá início à série "As Investigações de Gabriel Ponte", com interesse e expectativa. 

O ponto de partida da trama começa imediatamente com um crime absurdamente violento onde as descrições vívidas e intensamente visuais tornam a cena chocante e inquietante. Alberto Morgado, professor catedrático e especialista em Direito, é barbaramente assassinado à machadada na sua casa nas Caldas da Rainha e a inspectora da Polícia Judiciária de Lisboa - Patrícia Ponte - é chamada para ficar responsável por este caso. Por que é que é a Polícia Judiciária de Lisboa que fica com este caso e não a Polícia Judiciária de Leiria, já que as Caldas da Rainha pertencem ao seu distrito? Será que por trás desta morte se encontram motivações profundas?

Para a auxiliar no caso, Patrícia Ponte decide recorrer ao seu ex-marido e inspector reformado da Polícia Judiciária - Gabriel Ponte. Gabriel também vive nas Caldas da Rainha e essa proximidade do local do crime poderá ser útil nas investigações. 

Patrícia Ponte que tinha sido aluna de Alberto Morgado e com quem tivera um caso amoroso, sabe que o professor estava a investigar um caso de corrupção e lavagem de dinheiro relacionado com a construção de um grande empreendimento turístico nas falésias da Costa Atlântica: será que o professor sabia demais e foi silenciado por esse motivo ou será que uma morte tão cruel teve uma motivação passional?

Tendo como cenário de fundo as Caldas da Rainha e as suas paisagens magníficas de natureza, mar e beleza, o autor Pedro Garcia Rosado, através de capítulos curtos divididos em sub-capítulos com visões de diferentes personagens, vai-nos pondo a par das investigações e lança o leitor numa leitura repleta de suspense e de adrenalina. 

Através de uma escrita directa, fluída e sem floreados, o autor coloca-nos perante uma narrativa onde sobressai um apurado e realista retrato da sociedade portuguesa onde nas linhas e até mesmo nas entrelinhas se lêem os meandros da corrupção, dos esquemas de lavagem de dinheiro, dos subornos e dos jogos de interesse no mundo político. Ao mesmo tempo, e através da personagem de Filomena Coutinho, jornalista de profissão, o autor coloca-nos perante o poder dos interesses e dos "grandes" sob os meios de comunicação social.

O factor do autor ter sido jornalista, bem como assessor e consultor de comunicação confere à sua narrativa e ao seu enredo um grau de credibilidade mais profundo e intenso.

A forma como Pedro Garcia Rosado nos vai dando a conhecer as personagens, marcando-as com passados misteriosos e segredos, acaba por lhes conferir uma profundidade e uma densidade deveras cativante, pondo a nu as suas relações pessoais e deixando por desvendar outras peças do puzzle nos volumes seguintes da série. 

Ao debruçar-se sobre uma vertente mais pessoal das personagens, para além da investigação criminal em si, o autor enriquece a narrativa tornando-a multidimensional, sendo que cada personagem tem o seu background, os seus lados obscuros, as suas vivências e o seu papel essencial no desenrolar da trama.

O registo policial da narrativa é marcado por diálogos credíveis onde a acção decorre com celeridade e, embora a identidade do autor da morte de Alberto Morgado, não seja imprevisível e absolutamente surpreendente, já que as peças da verdade se vão revelando gradualmente, é inegável que o autor consegue agarrar o seu leitor numa envolvência de mistério forte.

Tendo sido a minha estreia no autor Pedro Garcia Rosado, fiquei absorvida pela sua escrita, pelo ritmo da acção e pelas personagens tão reais, cheias de defeitos e fragilidades e tão credíveis, pelo que fiquei ansiosa para me embrenhar nas linhas do segundo volume - "Morte na Arena" - e descobrir ainda mais sobre as personagens principais desta série (Gabriel Ponte, Patrícia Ponte e Filomena Coutinho) e aprisionar-me num novo enredo aliciante.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


quinta-feira, 10 de abril de 2014

"Deixa dormir o diabo" (John Verdon): OPINIÃO!

John Verdon conquistou-me com o seu livro de estreia "Pensa num número" e depois confirmou a sua mestria como autor com "Não abras os olhos" e eis que agora surge "Deixa dormir o diabo": uma novidade Porto Editora com um título inquietante e uma capa misteriosa, aspectos que me suscitaram curiosidade, sendo que ainda fiquei mais alerta quando li a sinopse do livro. 

Iniciei o mês de Abril com a leitura de "Deixa dormir o diabo" de John Verdon suspeitando antecipadamente de que vinha aí mais um grande livro deste autor que já deu mostras suficientes da sua qualidade. As expectativas eram elevadas. O mistério que a sinopse revelava era denso. Parti para a leitura. Agarrei-me às páginas. Fui-me envolvendo, pouco a pouco, na história. Ansiei pelo desenrolar rápido da acção. Pelo desfecho final. Em menos de uma semana o livro estava lido. As expectativas foram fortemente cumpridas. John Verdon é sem dúvida um autor a manter debaixo de olho.

Dez anos se passaram desde que ocorreram seis homicídios. A ligar as seis vítimas apenas um elo comum: todas possuíam um Mercedes de cor preta. O FBI, que ficou encarregue do caso na altura, julga estar perante um assassino em série. Só que algo acontece: as mortes param. Seis pessoas morreram. O assassino não voltou a atacar desde então. Com base num manifesto enviado para o FBI, esta entidade policial acredita que os crimes foram cometidos para pôr a nu a ganância dos homens, para travar uma luta contra o mal. O leitor sente os crimes quase como se tratasse de uma forma de exterminar o Mal e fazer luz sobre os valores importantes. O assassino fica conhecido como o Bom Pastor. Não há mais pistas para seguir. O caso é arquivado.

E eis que Kim, uma jovem jornalista decide desenvolver um trabalho com os familiares das vítimas do Bom Pastor. Kim quer dar a conhecer a perspectiva daqueles que, pela perda, foram afectados e cujas famílias foram destroçadas por causa destas mortes. Só que Kim é uma jovem em início de carreira e decide então procurar a ajuda do famoso ex-detective de Homicídios da Polícia de Nova Iorque, já reformado, David Gurney. Kim acredita que Gurney é a pessoa indicada para lhe prestar ajuda a nível de consultadoria, dando-lhe uma visão mais experiente sobre o mundo dos homicídios e orientando-a neste seu projecto.

Inicialmente, John Verdon coloca-nos perante Gurney que, em consequência do último caso em que se envolveu ("Não Abras os Olhos"), vive agora uma rotina diária diferente. Encontramos um David Gurney apático, melancólico, a roçar a depressão, que não encontra felicidade na sua vida de reformado. Esta apatia leva-o a isolar-se na sua própria casa. Só que Kim, através da sua sugestão de parceria, acaba por despertar o detective adormecido em Gurney. Numa fase inicial, Gurney não vê com bons olhos esta proposta de colaboração, mas quando situações estranhas começam a acontecer na casa de Kim, Gurney começa a desconfiar que alguém não quer que o caso do Bom Pastor seja trazido ao presente.

A verdade é que, primeiramente, o leitor pode pensar que estes acontecimentos estranhos são obra de um ex-namorado perturbado de Kim que não aceitou bem o fim da relação, mas gradualmente vai-se sentindo no ar um peso de tensão, um adensar do mistério e a intuição de Gurney, que invariavelmente se prova ser certeira, diz-lhe que o caso do Bom Pastor não foi bem investigado e que estes acontecimentos estão relacionados com esse facto. Alguém quer aterrorizar Kim e levá-la a desistir deste projecto.

Um sussurro "Deixa dormir o diabo" arrepia a pele do leitor, fá-lo olhar por cima do ombro e rodear-se de luz, à medida que vai avançando na leitura e percebendo que o Bom Pastor pode estar de volta. 

Quem será o Bom Pastor? Por que razão matou seis pessoas? Terá mesmo sido para acabar com o Mal? Será que o Mercedes preto era o único elo comum entre as vítimas? 

Muitas são as dúvidas que assolam o espírito de Gurney e, à medida que vai tendo acesso a informações confidenciais deste caso, mais se convence que há algo para desvendar. O autor John Verdon é mestre em fazer o leitor entrar na mente de Gurney: é possível acompanhar o seu raciocínio enquanto vai analisando pistas, descobrindo quem eram as vítimas. A capacidade de análise de Gurney é surpreendente e traz à luz muitas pontas soltas deixadas pelo FBI.

A escrita de John Verdon é apaixonante e a forma como desenvolve a narrativa leva o leitor numa aventura pela páginas de "Deixa dormir o diabo" onde o suspense e o clima de tensão são intensamente palpáveis. Na mente do leitor permanece sempre a questão: "quem é afinal o Bom Pastor?", sendo que a resposta só é obtida mesmo na recta final, quando as peças todas se encaixam, o puzzle fica completo e o leitor é presentado com uma revelação surpreendente. 

A par de todo o enredo que se desenrola à volta desta investigação desencadeada pelo projecto de Kim, encontramos uma narrativa onde é dado um ênfase marcante à vertente pessoal e relacional de Gurney: reencontramos a sua esposa Madeleine e John Verdon dá-nos a conhecer, de forma profunda, o ponto onde se encontra este casal. A vertente emocional e familiar dos livros de John Verdon acabam por equilibrar a vertente de investigação e análise dos casos expostos criando uma narrativa deveras humana.

John Verdon explora as profundezas do ser humano nas suas variadas nuances, envolvendo-nos com crimes e com mentes complexas, revestindo a narrativa e o enredo de uma dimensão psicológica que cativa, aprisiona e apaixona.

As personagens, pelas suas dimensões pessoais, sociais e psicológicas, conferem uma riqueza extrema a toda a narrativa; cada uma desempenhando um papel fulcral para o desenrolar da acção e para o quadro final.

Concluindo, "Deixa dormir o diabo" de John Verdon reúne, de forma magistral, todos os ingredientes essenciais para um excelente policial: crimes, investigação, suspense, personagens complexas e muito mistério. A par disso, o autor constrói uma narrativa marcante onde a identidade do Bom Pastor é mantida em secretismo e muito bem escondida até às páginas finais. O desfecho é surpreendente. Não há como negar a excelência deste autor que nos brinda com mistério e humanidade.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

"As Lágrimas de Lúcifer" (James Thompson): OPINIÃO!

Depois de ter lido "Anjos na neve" no início de 2012 e de ter vibrado com este primeiro volume protagonizado pelo Inspector Kari Vaara (livro que entrou para o meu TOP 20 de 2012), foi com ansiedade que aguardei o lançamento deste segundo volume. Assim que li a sinopse d' "As Lágrimas de Lúcifer" intuí que o autor James Thompson iria, mais uma vez, brindar os seus leitores com um livro de alta qualidade e, finda a leitura, só posso constatar que este é um autor a ter debaixo de olho.

A sinopse d' "As Lágrimas de Lúcifer" levantam a ponta do véu e deixam no ar um livro que nos irá envolver numa narrativa constituída por dois crimes: a morte, com requintes de malvadez, da esposa de um russo e o envolvimento de um nonagenário em crimes da Segunda Guerra Mundial. 

Depois de ter lido esta sinopse que atiça a curiosidade, embarquei numa leitura, cheia de expectativas, muito por "culpa" da altíssima qualidade do livro anterior, e fui logo confrontada com uma início que deixou os meus sentidos em estado de alerta. Em mim ficou automaticamente a sensação de que este "As Lágrimas de Lúcifer" seria um livro que me iria prender. 

A par das investigações dos dois crimes, o autor volta a colocar em grande destaque a vida familiar do Inspector Kari Vaara, os seus fantasmas, os medos decorrentes de acontecimentos do passado, a adaptação da sua esposa americana à cultura e pessoas finlandesas. Torna-se cativante a forma como o autor James Thompson coloca a nu a relação conjugal de Vaara e a sua esposa, bem como a sua dinâmica afectiva.

No que toca aos crimes em si, a verdade é que no que diz respeito ao homicídio da esposa de um russo acabamos por ser levados para uma cena de crime repleta de sangue e onde a crueldade do acto é patente, sendo que as descrições feitas pelo autor James Thompson se revestem de um realismo e de uma componente visual deveras intensa. À medida que o Inspector Kari Vaara vai aprofundando a investigação desta morte, o leitor é levado para os meandros do mundo do fetiche e dos jogos sexuais, sendo que as suspeitas recaem sobre um indivíduo. 

Relativamente ao estranho envolvimento em crimes de guerra de um herói nacional da Segunda Guerra Mundial vamos acompanhar Kari Vaara que constrói à volta deste nonagenário um enredo complexo, ao mesmo tempo que confere uma envolvência histórica à narrativa, trazendo até ao leitor aprendizagens novas.

Em suma, em "As Lágrimas de Lúcifer" a narrativa é cativante e intensa, sendo que ao mesmo tempo, o autor James Thompson presenteia o leitor com descrições detalhadas e perturbadoramente reais, onde os crimes, por um lado, se revestem de sangue e, por outro, de História e factos espantosos. Para além disso, no enredo sobressai uma intrincada teia de personagens e ligações complexas, sendo que a leitura culmina num desfecho verdadeiramente surpreendente, leitura essa que é pautada por uma acção célere, sendo que todos estes ingredientes juntos constituem a receita ideal para um sucesso garantido junto dos apreciadores de policiais.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

"Quando o Cuco Chama" (Robert Galbraith): OPINIÃO!

Robert Galbraith é o pseudónimo da famosa autora J. K. Rowling e não fosse uma fuga de informação, a identidade sobre este novo autor de policiais ainda se manteria, mas a verdade é que este pequeno mistério foi desvendado e ao saber-se a verdadeira identidade por detrás de "Quando o Cuco Chama" gerou-se uma onda de curiosidade quanto a esta nova vertente policial da autora. Os leitores ficaram expectantes, na ânsia de descobrir se o talento de J. K. Rowling também se estendia a este género literário tão apreciado.

Não conheço J. K. Rowling na sua vertente de literatura juvenil com a sua tão aclamada série "Harry Potter", mas já tive a oportunidade de absorver a sua vertente de escritora de romances para adultos em "Uma Morte Súbita" que apreciei pela sua escrita directa, por vezes dura e pela sua narrativa repleta de relações afectivas e tensões sociais, pelo que embarquei na leitura de "Quando o Cuco Chama" com curiosidade, mas sabendo logo à partida que por se tratar de um policial não iria ter pontos de comparação, o que me deu asas para ler este livro com liberdade total.

"Quando o Cuco Chama" tem um início marcante já que o leitor depara-se logo com um cenário intenso: a jovem modelo Lula Landry jaz morta na rua cheia de neve. Suspeita-se que se suicidou atirando-se da varanda do seu apartamento. Ninguém viu nada de suspeito. Lula mantinha uma relação amorosa conturbada e demonstrava sinais de instabilidade mental pelo que a tese de suicídio é automaticamente abraçada pela polícia que encerra o caso sem diligências extra. Acontece que John Bristow, irmão de Lula, não acredita que ela se suicidou, aliás está convictamente convencido de que Lula foi assassinada e quer que o culpado seja identificado e castigado pelo seu crime e eis que é neste contexto que Bristow procura a ajuda de Cormoran Strike, um veterano de guerra que agora é detective privado, para encontrar a verdade sobre este caso.

Cormoran vive dias difíceis: acabou uma relação amorosa pautada pela tensão, não tem clientes no seu escritório, está endividado e como não tem onde morar acampa no seu local de trabalho, enquanto lida com as suas lutas internas e consequências físicas e psicológicas decorrentes da guerra. Estando num momento da vida particularmente complexo, surge a jovem Robin, a nova secretária enviada por uma empresa de trabalho temporário e é no seu primeiro dia de trabalho com Strike que surge então o novo cliente: John Bristow. Embora reticente quanto ao caso, Strike acaba por aceitar por causa do dinheiro e tendo o suposto suicídio ocorrido há mais de três meses e não havendo provas físicas para investigar, Strike envereda por uma investigação centrada no interrogatório às pessoas próximas de Lula, para assim conseguir reconstituir todos os passos da modelo no dia da sua morte e desvendar a verdade.

Assim, "Quando o Cuco Chama" leva-nos por uma narrativa marcada por uma investigação vincadamente assente no raciocínio, na capacidade de análise e na indução, o que faz recordar ao leitor os tão famosos policiais clássicos de autores como, por exemplo, Agatha Christie. 

É através dos interrogatórios que vamos ficar a conhecer as várias personagens próximas de Lula Landry, sendo que Robert Galbraith (J. K. Rowling) assenta a sua narrativa na descrição das várias personalidades, das suas reacções, dos seus comportamentos, das suas verdades e mentiras, traçando ao mesmo tempo um retrato bastante real das vidas que rodeavam Lula.

Tendo em conta que Lula era uma modelo jovem e famosa, acabamos por entrar nos meandros da moda, bem como na pressão exercida pelos media, as perseguições e a violação da privacidade. Ao mesmo tempo e, através de determinadas personagens, somos levados para o mundo do álcool, da droga e da violência doméstica, o que acaba por tornar "Quando o Cuco Chama" num policial que abarca temáticas profundas e duras que conferem uma intensidade marcante à leitura.

Apraz-me ainda dizer que a forma como Robert Galbraith (J. K.  Rowling) criou as personagens revela uma criatividade e perspicácia apurada, pois Cormoran Strike e a sua secretária Robin revelam personalidades fortes e, através de um trabalho conjunto, conseguem desvendar a verdade por detrás da morte de Lula.

Tratando-se do primeiro volume da série Cormoran Strike, é com inteligência que Robert Galbraith (J. K. Rowling) deixa em aberto alguns aspectos sobre certas personagens colocando na mente do leitor a questão sobre o que irá acontecer num segundo livro.

Em suma, "Quando o Cuco Chama" não se trata de um policial convencional com um ritmo de leitura alucinante, mas a verdade é que brilha pelas suas personagens, pelas suas descrições, pelos diálogos onde por vezes despontam momentos de humor, ao mesmo tempo que somos levados por um enredo onde as engrenagens do raciocínio funcionam ritmicamente, onde vão surgindo vários suspeitos, onde novas revelações vão sendo feitas para culminar num desfecho inesperado.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

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«Para mais informações sobre o livro Quando o Cuco Chama, clique aqui.» 


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

"A Sombra da Sereia" (Camilla Läckberg): OPINIÃO!

Ler Camilla Läckberg é sempre um verdadeiro prazer, seja o início do livro mais lento ou acelerado, a verdade é que esta autora sueca exerce sobre mim um fascínio absolutamente incrível, não fosse eu uma amante assumida de policiais. Mas mais do que um simples policial, esta autora, que nos tem vindo a brindar com sucessivas histórias repletas de criatividade e qualidade, oferece-nos narrativas cheias de relações humanas e afectos.

A quem nunca leu Camilla Läckberg tenho duas coisas a dizer: como é possível que ainda não tenham lido nada desta autora? E segundo: se se decidirem a ler leiam por ordem ("A Princesa de Gelo", "Gritos do Passado", "Teia de Cinzas", "Ave de Mau Agoiro", "Os Diários Secretos" e, por fim, "A Sombra da Sereia"), porque muito embora os casos policiais sejam independentes, a verdade é que ao ler por ordem conseguimos acompanhar o casal Erica Falk e Patrik Hedstrom e é deveras cativante assistir ao início, construção e evolução da sua relação amorosa, bem como à dinâmica familiar que aos poucos vai sofrendo mudanças.

A meu ver um dos ingredientes para o estrondoso sucesso da autora Camilla Läckberg é a sua capacidade em presentear o leitor com uma narrativa que equilibra de forma perfeita, a componente humana com a vertente policial e todo o processo de investigação decorrente do caso em questão. A juntar a estes aspectos, temos ainda a forte componente psicológica que em "A Sombra da Sereia" está vincadamente presente, bem como a dinâmica de thriller que confere à leitura um nível de interesse marcante.

Assim que comecei a ler "A Sombra da Sereia" fiquei automaticamente agarrada às páginas. A autora tem sobre mim um poder absoluto, sendo por isso uma das minhas autoras de eleição e, a maneira como entrei na história foi urgente, curiosa, na ânsia de, por um lado, ficar a par do caso que Patrik Hedstrom ia ter de deslindar e, por outra, inquieta para saber mais sobre este casal: a sua relação, a sua vida familiar, os seus receios e novas etapas.

Quando Magnus desaparece, Patrik Hedstrom inquieta-se com a ausência de evolução nesta investigação, é como se Magnus se tivesse evaporado, sem deixar rasto, deixando a sua esposa e filhos sem quaisquer pistas e totalmente perplexos atendendo ao facto de serem uma família unida sem problemas aparentes.

Apesar de ocorrer um desenvolvimento em relação a Magnus, a investigação policial ainda assim encontra-se estagnada e acaba por ser a curiosidade de Erica que vai "oferecer" as primeiras pistas para a resolução do caso. Erica, que axiliou o seu amigo Christian com o manuscrito do seu primeiro livro "A Sereia" começa a notar que algo se passa e é quando começa a tentar saber mais que descobre umas cartas anónimas perturbadoras que acabarão por ter impacto essencial no caso, não fosse Christian amigo de Magnus.

É neste contexto de mistério e suspense que embarcamos numa leitura intensa e rápida, sendo que para manter a chama da curiosidade acesa no leitor, a autora Camilla Läckberg, antes do início de novos capítulos, nos brinda com viagens ao passado que nos dão o vislumbre de que algo se passou lá atrás e nos deixam a pensar em que medida o passado está relacionado com o presente.

Nestas viagens ao passado, a autora deixa-nos antever a história de uma criança marcada pela dor e pela perda, onde sobressaem temáticas como a perda parental, a adopção e a negligência física, psicológica e emocional, sendo que o leitor se questiona sempre sobre a identidade desta criança.

No que toca à narrativa no presente, o leitor consegue observar várias personagens e acompanhar as suas vivências, enquanto que se perde nos meandros do alcoolismo e da doença de uma esposa e do adultério, apercebendo-se da riqueza que a autora consegue trazer para esta narrativa através de histórias tão variadas e personalidades tão fortes e únicas.

Com o desenrolar da acção, o leitor vai ficando cada vez mais impaciente com o desfecho final, querendo ansiosamente juntar todas as peças do puzzle e formulando hipótese para o culpado disto e para o motivo por detrás daquilo, mas a autora Camilla Läckberg consegue criar um desfecho absolutamente impensável e que deixará certamente o leitor estupefacto. À parte de um desfecho estrondoso, repleto de originalidade e imprevisibilidade, Camilla Läckberg deixa ainda em aberto a acção no que toca aos protagonistas, pelo que será com imensa ansiedade que irei ter de aguardar pela publicação do seguinte volume pela D. Quixote.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


terça-feira, 9 de julho de 2013

"A Mentira Sagrada" (Luís Miguel Rocha): OPINIÃO!

Dedicar-me aos livros do autor Luís Miguel Rocha tem vindo a revelar-se um verdadeiro prazer e, embora não tenha apreciado tanto "Bala Santa" como "O Último Papa", a verdade é que parti para a leitura d' "A Mentira Sagrada" com muita curiosidade.

Finda a leitura não posso deixar de constatar que a narrativa d' "A Mentira Sagrada" me envolveu desde o início e fui gradualmente sendo aprisionada por um enredo, não só repleto de mistério, mas também marcado por uma acção célere.

Em "A Mentira Sagrada" deparamo-nos com algumas questões fulcrais, nomeadamente, o que aconteceu verdadeiramente a Jesus Cristo? Terá sido mesmo crucificado? Tenho de admitir que a abordagem sobre uma temática que provoca reacções no domínio da crença religiosa e pessoal de cada um confere uma aura de polémica e incerteza muito apelativa para mim enquanto leitora.

Não sendo surpresa, voltamos a encontrar-nos com Sarah e Rafael que aos poucos temos vindo a conhecer, mas que neste "A Mentira Sagrada" se encontram em momentos muito particulares das suas vidas: Sarah continua a questionar-se sobre os seus sentimentos em relação a Rafael, mas a sua situação emocional actual coloca-se perante uma encruzilhada, enquanto que Rafael ao ver-se envolvido num mistério que aponta para informações religiosas muito diferentes daquelas que lhe foram desde sempre incutidas se vê confrontado com dúvidas no que toca à sua própria fé.

O autor Luís Miguel Rocha volta a oferecer ao leitor personagens já suas conhecidas, personagens essas que continuam a espantar revelando-se verdadeiras caixinhas de surpresa, suscitando no leitor uma questão persistente: afinal de que lado estão certas personagens?

Com o decorrer da acção voltamos a viajar por pontos geográficos distintos, ao mesmo tempo que somos transportados para o "mundo" do Vaticano onde mais uma vez vemos manipulações, jogos de poder, "lutas" de personalidades e acontecimentos que devem permanecer "dentro de portas" e sem ser revelados ao mundo com o intuito de manter a imagem da Igreja Católica imaculada.

O enredo constituído por um conjunto de personagens fortes e ricas em termos de personalidade, aliado a um ritmo de acção marcado por surpresas e reviravoltas inesperadas consegue prender a atenção do leitor, levando-o por uma leitura fluída e envolvente.

Terminada a leitura d' "A Mentira Sagrada" fica a enorme vontade de ler "A Filha do Papa" na ânsia de descobrir que novos mistérios o autor Luís Miguel Rocha nos reserva.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

"O Verão dos Brinquedos Mortos" (Antonio Hill): OPINIÃO!

"O Verão dos Brinquedos Mortos" é o livro de estreia do autor espanhol Antonio Hill e o primeiro volume da série protagonizada pelo Inspector Héctor Salgado. Com uma capa cativante, um título que desperta a curiosidade e uma sinopse de deixar qualquer leitor apreciador de policiais em pulgas, embrenhei-me na leitura a fim de descobrir que histórias me traria esta leitura. 

À medida que fui lendo fui-me enraizando gradualmente na história, fui conhecendo personagens, fui ficando a par das suas vidas e dramas pessoais, fui sendo confrontada com crimes, com teias de relações e com mistérios que me provocaram ansiedade, vontade de folhear as páginas com maior rapidez, no intuito de encaixar peças de puzzles soltas, aparentemente desconexas e conseguir ver finalmente o quadro final. E eis que terminado o livro tudo se conjuga, se faz luz, tudo ganha sentido e o leitor é levado numa onda de suspense que foi ganhando força e que, por fim, se transforma numa exclamação inesperada de surpresa!

"O Verão dos Brinquedos Mortos" traz-nos um inspector afastado do serviço por uso excessivo de violência contra um homem suspeito de tráfico humano, sendo que, extra-oficialmente, é-lhe pedido que aborde o caso do aparente suicídio de um jovem de boas famílias: a mãe de Marc Castells não acredita que a morte do filho tenha sido acidental ou suicídio, e é pedido a Salgado que assegure a esta mãe que a investigação não encontrou quaisquer pistas que indiciem crime, de forma a fechar este caso. Só que muitas vezes nem tudo corre como previsto e o que aparentemente poderia ter sido um acidente triste ou um suicídio, depressa começa a suscitar dúvidas e Salgado não consegue fechar o caso sem antes averiguar com mais profundidade o que realmente aconteceu.

É neste cenário de suspeita e mistério que o leitor vai ficando a conhecer outras personagens relacionadas com o jovem Marc, começando-se a constatar que as suas amizades não eram as esperadas para um jovem de tão boas famílias.

Simultaneamente, somos confrontados com a questão que afastou Héctor Salgado do seu serviço: o tráfico humano e embrenhamo-nos numa história paralela, muito intensa, que atrai o leitor para um submundo de crueldade e podridão.

Para intensificar ainda mais a narrativa existe uma personagem sobre a qual eu, enquanto leitora, me questionei sobre a sua identidade e sobre o seu papel; papel esse que apenas é revelado com o aproximar do final do livro e que revela ser a chave de todos os mistérios.

Este livro do autor Antonio Hill faz-nos entrar na intimidade de boas famílias, assim como nos faz viajar pelo mundo interior dos jovens. Por outro lado, leva-nos ao passado, a situações que ficaram lá trás e nas quais não se deveria remexer, sendo que as revelações finais acabam por mostrar o significado do título "O Verão dos Brinquedos Mortos" na sua plenitude.

"O Verão dos Brinquedos Mortos" aborda temáticas humanas muito poderosas, tocantes e sensíveis que enchem a narrativa de uma riqueza particular e que tornam a leitura repleta de entusiasmo e suspense

O enredo, embora com inúmeras personagens, não se torna complicado, conferindo antes à leitura uma diversidade de personalidades, dramas, segredos e relações que cativam o leitor. A acção é rápida e com a aproximação das páginas finais, aquele leitor que ainda não estava totalmente conquistado é inesperadamente arrebatado e instala-se a vontade impaciente de ler o segundo volume.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


terça-feira, 30 de abril de 2013

"A Casa da Seda" (Anthony Horowitz): OPINIÃO!

Quando li que "A Casa da Seda (The House of Silk) marca a primeira vez, em 125 anos, que um romance que dá sequência às aventuras de Sherlock Holmes é oficialmente reconhecido pela Conan Doyle Estate" fiquei muito curiosa.

É verdade que na escola cheguei a ler algumas das aventuras de Sherlock Holmes mas confesso que na altura não prestei muita atenção e agora com outra maturidade e um gosto pela leitura enraízado foi um prazer "ver" Sherlock Holmes com mais atenção.

"A Casa da Seda" é-nos narrado por Watson, o querido e fiel amigo de Holmes, e leva-nos por uma leitura cheia de aventuras, voltas, reviravoltas, surpresas e exclamações!

O autor Anthony Horowitz, em "A Casa da Seda" conseguiu criar um enredo repleto de mistério e intriga. A escrita do autor prende-nos pela sua fluidez, ao mesmo tempo que a acção célere do livro deixa no leitor uma vontade de ler mais e mais e mais.

A verdade é que quando um caso é apresentado a Sherlock Holmes o mesmo não se consegue imiscuir de prestar ajuda a quem a solicita, envolvendo-se assim numa história que, embora inicialmente pudesse apontar para uma resolução fácil, depressa se revela deveras complexa, trazendo à luz do leitor um emaranhado de personagens, segredos e verdades ocultas.

Em "A Casa da Seda" "Watson propôs-se prestar uma última homenagem ao amigo escrevendo estas páginas, com indicações expressas para que o manuscrito não fosse revelado antes de um século decorrido" e como tal, todo este secretismo apela à expectativa dos leitores mais curiosos.

À medida que o leitor vai acompanhando Sherlock Holmes nas suas investigações,  vai-se deparando simultaneamente com uma personagem deveras cativante, com uma astúcia, perspicácia e capacidade lógica, dedutiva e intuitiva absolutamente fora do comum. Sherlock Holmes possui uma capacidade de raciocínio e um poder de dedução capazes de espantar o leitor e a verdade é que é à conta destas capacidades que a investigação central do livro se vai desenvolvendo com sucesso.

Não obstante, o autor Anthony Horowitz consegue manter o suspense até ao final, levando o leitor a arregalar os olhos quando finalmente todas as personagens, as suas ligações e os seus segredos obscuros se encaixam e mostram o quadro geral e verdadeiro. É quando as peças do puzzle se encaixam que o leitor percebe porque este manuscrito, relatado pela voz de Watson, teve indicações para não ser revelado antes de um século decorrido. A verdade por detrás da investigação inicial acaba por levar o leitor numa incursão por personalidades falsas, crimes aparentemente inexplicáveis, ciladas inesperadas e, finalmente, um mundo obscuro de perversidade humana.

Em suma, "A Casa da Seda" trata-se de um livro policial e de espionagem onde as personagens sobressaem e onde o enredo intrincado e misterioso, juntamente com uma narrativa inteligente e de suspense, conferem uma riqueza plena à leitura.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

Mais informações consulte o site da Presença aqui.
Para mais informações sobre o livro "A Casa da Seda" clique aqui.


terça-feira, 12 de março de 2013

"A Vidente" (Lars Kepler): OPINIÃO!

Eu já li os outros dois livros desta dupla de escritores suecos que assinam sob o pseudónimo de Lars Kepler anteriormente publicados pela Porto Editora - "O Hipnotista" que amei pela dimensão psicológica e "O Executor" que não conseguiu satisfazer as minhas expectativas muito por "culpa" da temática do livro em si embora seja um bom livro na mesma e, desta feita, quando li a sinopse deste "A Vidente" delirei por depreender que viria aí um livro que, pela minha formação académica em Psicologia e experiência profissional num Centro de Acolhimentospara menores vítimas de maus-tratos, me iria tocar particularmente  e não me enganei. E, acima de tudo, não me desiludi. Esta dupla de autores que assina como Lars Kepler é absolutamente maravilhosa e genial!

Através de capítulos minúsculos que suscitam a vontade de ler mais e mais, somos logo de início remetidos para dois assassínios brutais e surpreendentes que ocorrem no Centro Birgitta: um centro que acolhe jovens problemáticas. As vítimas são a enfermeira do centro encarregue de tomar conta das jovens durante a noite - Elisabeth - e uma das próprias adolescentes do centro: Miranda que é encontrada morta na cama com as mãos a tapar a cara.

Esta cena dos crimes é descrita de uma forma muito visual e directa e a tensão no ar é palpável, o que confere um realismo à narrativa deveras dramático.

Quando uma das jovens do centro desaparece na sequência destes crimes todas as suspeitas recaem sobre si, o que acaba por tornar a pequena Vicky Bennet na suspeita número um.

Embora o famoso e carismático Comissário da Polícia Joona Linna não possa comandar esta investigação por estar a ser alvo de um inquérito interno, é convidado a participar como "observador" e a verdade é que o seu instinto policial e a capacidade para interpretar cenas de crimes e seguir pistas vai ser fundamental para a resolução destes crimes.

O leitor é levado a entrar na investigação, é confrontado com descrições intensas e chocantes, vê-se perante  um grupo de jovens que experienciam diversas problemáticas, ao mesmo tempo que tenta assimilar a crueldade dos crimes e entrar na mente do assassino para assim conseguir chegar até ele. 

Será que uma adolescente frágil e tão jovem como Vicky Bennet seria capaz de cometer estes crimes? A intuição apurada de Joona Linna diz-lhe que não e não dispondo de quaisquer pistas, Joona tenta investigar o passado de Vicky, nomeadamente, família biológica, famílias de acolhimento e percurso por outros centro na esperança de através do recurso ao passado desvendar o mistério do presente.

Para conferir uma outra dimensão à narrativa já de si repleta de suspeição, mistério e tensão, surge a personagem de Flora Hansen - a vidente - que diz que viu a menina morta quando entra em contacto com a Polícia. A Polícia não parece dar grande importância a Flora, mas Joona Linna decide arriscar e ouvir o que Flora Hansen tem para lhe dizer. O leitor é automaticamente levado a pensar se esta dita "vidente" possui efectivamente poderes paranormais ou se é apenas uma vigarista.

Para além dos crimes e inerente investigação, somos levados a espreitar a componente humana e pessoal de Joona Linna que neste "A Vidente" tenta lidar com os fantasmas do passado associados ao desaparecimento da sua esposa e da sua filha. 

Lars Kepler acaba por brindar-nos com um livro que engloba diversos mistérios inquietantes que suscitam curiosidade e provocam um formigueiro de expectativa no leitor levando-o a devorar página atrás de página.

A narrativa é soberba e abarca todos os ingredientes necessários para um thriller de cortar a respiração! Neste livro não falta mistério, suspense, suspeitas, tensão e dramas, sendo que simultaneamente, temos uma leitura absurdamente rica em problemáticas humanas que tocam as áreas pessoais, sociais, emocionais e psicológicas.

A caracterização das personagens do Centro Birgitta fascinou-me no que diz respeito às problemáticas, bem como às vivências afectivas destas jovens. A carga psicológica das personagens é fantástica e não pude deixar de ficar agradada por Lars Kepler nos brindar com uma interessante dose de manipulação e dissimulação perceptível para o olho clínico treinado em certos diálogos.

A acção tem um ritmo célere que prende o leitor às páginas e a escrita é fluída e cativante. A aura de mistério que envolve "A Vidente" é carregada e a forma como é revelado o desfecho final é simplesmente surpreendente.

O clima de tensão vai num crescendo até à revelação de toda a verdade e quando a ligação entre certas personagens começa a ocorrer tudo começa a fazer sentido e a encaixar-se e o leitor é abanado pela surpresa.

O desvendar da pessoa responsável pelos crimes deixou-me de boca aberta e a plena assimilação das suas motivações foi fascinante. 

Todos os capítulos nos trazem surpresas ou lançam curiosidade e o final não vai dar o leitor indiferente.

Fica a imensa expectativa para ver qual será o próximo crime, assim como para acompanhar a vida pessoal do Comissário Joona Linna.

CLASSIFICAÇÃO: 7. Absolutamente Fantástico!


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

"Adrenalina" (Jeff Abbott): OPINIÃO!

"Adrenalina" é o primeiro livro protagonizado por Sam Capra e tem a sua continuação no livro "O Último Minuto" publicado recentemente pela Civilização.

Sam Capra é um jovem a viver uma vida repleta de aspectos bons: é casado com uma mulher que ama - Lucy - que está à espera do seu primeiro filho e tem um excelente emprego na CIA. No entanto, tudo muda quando um dia Lucy lhe liga e lhe diz para sair imediatamente do edifício onde Sam trabalha. Quando Sam sai o edifício explode matando quem lá estava dentro e Lucy desaparece.

Sam acorda numa cela de prisão e nós leitores começamos a sentir o seu desespero no que toca ao desaparecimento da sua esposa grávida: o que terá acontecido a Lucy e ao seu filho?

Quando Sam se vê em liberdade, o autor Jeff Abbott leva o seu leitor numa viagem repleta de acção e surpresas.

Sam Capra vê-se envolvido na resolução de um outro caso de desaparecimento e tenta infiltrar-se num grupo perigoso que leva a cabo várias acções chocantes.

Assim, o título do livro - "Adrenalina" - reflecte na perfeição o ambiente e a acção desta leitura.

As personagens são fortes e carismáticas e vêem as suas vidas cruzadas numa intrincada teia de acontecimentos.

"Adrenalina" de Jeff Abbott é um livro pautado, de forma intensa, pelo suspense e pela acção rápida e repleta de sucessivos acontecimentos.

O autor Jeff Abbott consegue criar no leitor um sentimento não só de curiosidade mas também de inquietude. É inevitável que Sam Capra se questione sobre o verdadeiro carácter de Lucy.

É simultaneamente um livro cheio de temáticas que nos leva para os meandros da traição, da falsidade, da manipulação psicológica, do contrabando e da exploração humana o que confere uma riqueza cativante a esta leitura.

Finda a leitura de "Adrenalina" fica a ânsia de descobrir em "O Último Minuto" o que terá acontecido ao filho de Sam. Um livro frenético que irá agradar aos leitores.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

"Perseguição Escaldante" (Janet Evanovich): OPINIÃO!

Em "Perseguição Escaldante" a autora Janet Evanovich presenteia-nos com um policial totalmente diferente dos policiais habituais.

Em "Perseguição Escaldante" a personagem principal é Stephanie Plum, uma caçadora de recompensas, que parece estar na mira de um assassino perigoso.

Quando começam a acontecer inúmeros crimes todos suspeitam que um assassino em série louco anda à solta.

A par dos crimes, Stephanie Plum vê-se a braços com dúvidas amorosas intensas. Por um lado, tem o seu namorado - o detective Joe Morelli - e, por outro, Ranger, um autêntico sedutor.

Para complicar ainda mais a situação, Stephanie sofre com a pressão da família que acha que é chegada a altura dela escolher o homem que quer do seu lado. A acrescentar temos Dave, um  antigo colega de escola a quem a mãe de Stephanie insiste em juntá-la.

Este é um policial original porque toda a narrativa é marcada por cenas hilariantes desde o início que fazem o leitor dar boas gargalhadas.

As personagens são imensamente engraçadas e o facto de o livro estar vincadamente marcado por diálogos faz com que a leitura seja rápida e fluída.

A escrita da autora Janet Evanovich é simples, directa e profundamente marcada por um carácter cómico. O enredo é deveras criativo e uma característica flagrante neste livro é o humor.

"Perseguição Escaldante" alia crimes às vivências pessoais das personagens e coloca-nos perante relações entre família, amigos e companheiros amorosos.

É um livro repleto de dinâmicas relacionais que possibilitam ao leitor bons momentos de leitura.

"Perseguição Escaldante" de Janet Evanovich é uma aposta da Topseller e este livro integra a série Stephanie Plum. É de realçar que este é o décimo sétimo livro da série, pelo que considero uma pena a editora não ter apostado na publicação desta série pela sua ordem de início. Seria a meu ver uma mais valia para o leitor poder ler a série desde início para assim poder ficar a conhecer as personagens principais e assistir ao crescimento das suas personalidades e relações.

Não obstante este facto, "Perseguição Escaldante" é uma leitura descontraída repleta de humor que fará companhia ao leitor durante um par de horas muito divertido.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

The Killing - Crónica de Um Assassínio - Vol. 1 (David Hewson): OPINIÃO!

Este primeiro volume "The Killing" juntamente com o segundo que será publicado brevemente pela D. Quixote correspondem à primeira temporada da série televisiva.

Em "The Killing - Crónica de Um Assassínio - Volume 1" o autor David Hewson traz-nos um policial intenso com um ritmo de acção célere que cativa o leitor.

A dectetive Sarah Lund só tem de terminar aquele que é o seu último dia de trabalho no Departamento da Polícia de Copenhaga para depois poder finalmente mudar-se para a Suécia com o seu filho adolescente onde vai viver com o seu namorado, mas estes planos são repentinamente alterados quando no decorrer do seu último dia de trabalho é encontrado o corpo de uma estudante com sinais evidentes de ter sido brutalmente agredida e violada.

Cabe a Sarah Lund como responsável pelo caso resolvê-lo e encontrar o assassino com a ajuda do novo colega que a veio substituir: Jan Meyer.

A investigação conduz esta dupla de dectetives até Troels Hartmann - um jovem e carismático político em plena campanha eleitoral.

Quando as pistas começam a apontar para Hartmann como culpado da morte da estudante Nanna Birk Larsen, o leitor começa a questionar primeiro se Hartmann é o assassino qual era a sua relação com Nanna e quais as motivações do crime e, segundo, se Hartmann não é o culpado estará alguém a tentar tramá-lo para prejudicar a sua campanha eleitoral e denegrir a sua imagem?

Com o avançar da investigação, a detective Sarah Lund estabelece como prioridade a sua carreira profissional em detrimento da sua relação pessoal. Neste âmbito, o autor David Hewson dá-nos uma imagem muito interessante e real da dinâmica que se estabelece entre Sarah Lund e o seu namorado, o seu filho adolescente e a sua mãe. Somos assim confrontados não só com a profissional Sarah Lund, mas também com a suas vivências pessoais, dúvidas e angústias.

Simultaneamente, David Hewson leva-nos até ao núcleo familiar de Nanna Birk Larsen e de forma profundamente real assistimos ao processo de luto dos pais de Nanna e vemos também como esta morte tem um forte impacto na dinâmica relacional deste casal.

Ao longo da investigação, o leitor vai começando a desviar o seu foco de suspeita para outras personagens e o fim deste primeiro volume fica completamente em aberto, o que provoca no leitor uma intensa curiosidade para desvendar o desfecho final deste brutal homicídio no segundo volume,

A presença de uma grande quantidade de diálogo confere um ritmo rápido à narrativa, ao passo que a escrita fluída do autor faz com que o leitor fique automaticamente preso à leitura sem se aperceber. A acrescentar temos um enredo que apaixona o leitor não só pela investigação criminal presente no livro, mas também pela visão pessoal que dá das personagens e das suas vivências interiores.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!