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terça-feira, 21 de abril de 2015

"Uma Fortuna Perigosa" (Ken Follett): OPINIÃO

Ler Ken Follett é sempre um prazer. Muito provavelmente já comecei outras críticas sobre livros deste autor desta mesma forma, mas não há outra maneira de o dizer. Mundialmente reconhecido, Ken Follett reconquista-me a cada livro novo seu que leio.

“Uma Fortuna Perigosa” foi originalmente publicado em 1993 e, no passado mês de Março, foi reeditado pela Editorial Presença. Embora agora o tempo para as leituras seja extremamente reduzido, a verdade é que ter este livro na minha mesinha de cabeceira fez com que aproveitasse cada bocadinho de tempo livre para avançar mais umas páginas e embrenhar-me, de forma mais profunda, numa narrativa que começa com uma morte envolta em mistério para dar lugar a uma saga que envolve uma poderosa e rica família de banqueiros: a família Pilaster.

Em Windfield School, uma escola frequentada por rapazes provenientes de famílias abastadas, acontece uma morte por afogamento que fica envolta em mistério. Um jovem morre. Terá sido acidente ou crime? Aquando desse incidente, estudavam na escola o jovem Edward Pilaster, o seu primo Hugh e Micky Miranda, entre outros. Se calhar estes jovens sabem mais sobre esta morte do que aquilo que contam e é precisamente este mistério que vai traçar o percurso da família Pilaster.

Em Edward conhecemos um jovem preguiçoso, sem o perfil necessário para dar continuidade ao negócio de família e sempre protegido pela sua mãe – Augusta Pilaster que tem a ambição cega de ver o seu marido e depois o seu filho aos comandos do banco Pilaster. Embora pertencendo a esta família de banqueiros é admirável a sua falta de conhecimentos sobre o mundo financeiro que levam a esquemas com consequências trágicas. Depois temos o jovem Hugh, encarado pelos Pilaster como a ovelha negra da família por causa de um acto que o seu pai cometeu, mas um verdadeiro conhecedor dos meandros da banca e do mundo financeiro: um verdadeiro génio que luta pelo seu lugar na família e que se depara com diversos obstáculos profissionais e pessoais. Uma personagem que conquista pela sua capacidade de lutar e que envolve o coração do leitor pela história de amor que vai viver. E depois temos Micky Miranda, filho de um negociante cordovês e melhor amigo de Edward Pilaster que se revela um sedutor e manipulador e que terá grande impacto no trajecto da família Pilaster.

É através da caracterização belíssima destas personagens e de outras que nos vamos envolvendo na família Pilaster, vamos vendo os jovens a crescer, a tornarem-se homens, a viverem as suas próprias experiências tanto no amor como nos negócios. E é através dos seus olhos que vamos também conhecendo a Inglaterra do século XIX, os costumes e os lugares daquela época rica.

Ken Follett é um nome sonante não só pela qualidade das suas histórias, mas também pela pesquisa e detalhe histórico que coloca em cada uma das suas narrativas e isso é perfeitamente visível em “Uma Fortuna Perigosa” onde toda a envolvência histórica bem como os meandros do mundo financeiro sobressai em cada recanto desta saga familiar.

Os acontecimentos sucedem-se a um ritmo rápido. Há sempre uma mudança. Uma reviravolta. Algum esquema. O leitor fica preso às páginas num livro que equilibra, de forma mágica, intriga, amor, crimes e manipulação.

Em suma, “Uma Fortuna Perigosa” de Ken Follett revela-se uma narrativa poderosa que envolve o leitor numa saga familiar ao longo da qual nos é dada a conhecer a Inglaterra do século XIX, as diferenças entre as classes mais abastadas e as mais pobres, os recantos obscuros do mundo financeiro e da corrupção política, ao mesmo tempo que desfrutamos de uma trama onde as diversas personagens conseguem provocar, no leitor, reacções que vão desde a inquietação até à doçura. E é no desfecho final que Ken Follett revela a sua mestria em encerrar uma narrativa onde cada uma das personagens tem o destino merecido.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!

Para mais informações sobre o site da Editorial Presença,clique aqui.

Para mais informações sobre o livro Uma Fortuna Perigosa,clique aqui.

Outras críticas do Refúgio dos Livros aqui:



quinta-feira, 9 de abril de 2015

"Um, do, li, tá" (M. J. Arlidge): OPINIÃO

Quando "Um, do, li, tá" do autor M. J. Arlidge foi publicado pela Topseller em Outubro do ano passado a sua sinopse atraiu logo a minha atenção. Entretanto o livro chegou às minhas estantes e a verdade é que foi sendo ultrapassado por outras leituras até que no início deste 2015 nasceu em mim a vontade intensa de fazer uma pausa nos romances e de me atirar a um livro que me agarrasse desde a primeira página e me fizesse vibrar de curiosidade e eis que a minha escolha recaiu sobre este livro da Topseller e as minhas expectativas além de não terem saído goradas foram altamente ultrapassadas. 

Embora assente numa estrutura de narrativa já encontrada noutros livros (capítulos muito curtos intercalados com capítulos onde se acompanham os pensamentos do criminoso), não há como negar que M. J. Arlidge desenha a acção da história com base numa premissa invulgar e surpreendentemente inquietante: dois reféns. Uma bala. Uma decisão terrível. Sacrificaria a sua vida pela de outra pessoa?

É aterrador pensar que uma mente distorcida e com objectivos obscuros decida fazer reféns duas pessoas que terão de decidir se matam para assim poderem sobreviver ou se preferem morrer para que a outra pessoa viva. Parece uma decisão impossível. A experiência de se ser feito refém é descrita de forma intensa pelo autor e o leitor sente o arrepio das personagens na sua própria pele. A situação é por si só terrível e visto tratar-se de dois reféns com uma relação emocional tudo se complica de forma inimaginável. Quem vive? Quem morre? Como se decide uma coisa dessas?

Quando uma jovem aparece completamente transtornada nos bosques a investigação tem início e ficamos a conhecer a detective responsável por este caso: Helen Grace. Quando outro rapto com o mesmo modus operandi acontece, as investigações intensificam-se e paira no ar a dúvida: quem será a mente por detrás de algo tão mórbido? Quais são as suas motivações? Como escolhe os seus reféns? Haverá alguma ligação entre as várias vítimas?

A equipa de Helen Grace trabalha a todo o gás. Há que descobrir a identidade deste assassino e detê-lo rapidamente para que não aconteçam mais mortes. O sentido de urgência palpita em cada palavra, cada gesto, cada acção. A escrita de M. J. Arlidge transmite esse sentido de urgência de forma magistral ao seu leitor e o ritmo de acção reveste-se de uma celeridade crescente e desenfreada, ao mesmo tempo que a narrativa não revela pistas nenhumas para a identidade desta mente distorcida e deixa o leitor na ignorância até quase às páginas finais.

Para além da investigação policial, o autor dá também foco à personagem de Helen Grace e gradualmente e de forma calma vamos-lhe conhecendo uma dimensão pessoal marcada por intensidade e mistério. 

São várias as questões que nascem no espírito do leitor ao longo da leitura. São várias as páginas que se voltam a uma velocidade tremenda. São vários os sentimentos que fazem vibrar o coração do leitor. São vários os momentos de profundo choque e de inquietação. São várias as personalidades que brilham nesta narrativa repleta de suspense. E é tudo isto conjugado que faz de "Um, do, li, tá" um livro arrebatador, inquietante e surpreendente que entra de forma automática no meu top de preferidos. M. J. Arlidge consegue construir um thriller com todos os ingredientes certos numa narrativa que não só agarra o leitor desde a primeira página como também o aprisiona e o lança numa leitura imparável até à revelação final.

Neste que é o romance de estreia de M. J. Arlidge e o primeiro livro da série protagonizada por Helen Grace ficou demonstrada a capacidade arrasadora do autor para criar thrillers magnéticos. Agora que em Março deste ano foi publicado o segundo livro da série, intitulado "À morte ninguém escapa" fica a questão: será que o autor conseguirá igualar a magnitude de "Um, do, li, tá"? Em breve tentarei encontrar a resposta a esta questão: "À morte ninguém escapa" espera por mim na estante.



CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


terça-feira, 22 de julho de 2014

"Enquanto dormes" (Alberto Marini): OPINIÃO!

A sinopse de "Enquanto dormes" de Alberto Marini indicia um livro com uma narrativa diferente dos demais thrillers já publicados na esfera literária portuguesa e, como tal, eu enquanto apreciadora deste género não podia deixar de me embrenhar nesta leitura. Com uma sinopse que cativa o leitor e que desperta o seu interesse, "Enquanto dormes" que conta já com uma adaptação cinematográfica revela-se, ao fim de poucas páginas, uma leitura que só pode ser descrita como perturbadora e inquietante.

Entrei na narrativa. Fiquei a conhecer Cillian: o porteiro de um prédio de Nova Iorque que gradualmente vai-nos mostrando a sua personalidade doentia, os seus comportamentos obsessivos e os seus pensamentos que, embora distorcidos, quase conseguem roçar uma normalidade que provoca reacção no leitor.

Cillian é o protagonista deste thriller: um homem com uma mente única; mente essa que o autor Alberto Marini consegue mostrar, de forma brilhante e pormenorizada. Este porteiro tem uma obsessão por uma inquilina: Clara. Cillian não consegue compreender como Clara consegue ter sempre um sorriso nos lábios e parecer tão feliz com a sua vida e é esta felicidade constante de Clara que perturba Cillian. Este protagonista quer ver esse sorriso desaparecer. Na verdade, o seu objectivo essencial é provocar a infelicidade de Clara e todas as manhãs decide se continua a viver ou se morre. Esta decisão depende do resultado do balanço entre os aspectos do dia anterior que o podem prender à vida ou atirá-lo para o abismo. Esta rotina de roleta russa deixa o leitor em suspenso para saber se Cillian decidirá viver mais um dia ou não. O balanço vai pendendo para o lado da vida graças aos actos que Cillian vai promovendo para a infelicidade de Clara.

Alberto Marini coloca-nos perante um  vilão cuja personalidade e mente são postas a nu e cuja complexidade, profundidade e distorção tem o condão de inquietar o leitor e o deixar assustado com tamanha malvadez.

A escrita de Marini suscita no leitor sentimentos de medo e receio por Clara. Cillian engendra esquemas cada vez mais perversos para provocar a infelicidade de Clara e, como porteiro, tem acesso a todas as habitações dos condóminos deste prédio. E é essa possibilidade de se inserir no lar de cada um que aterroriza o leitor. Cillian invade a privacidade de Clara. O seu espaço é invadido e violado. Esta invasão foi dos aspectos que, enquanto leitora, mais me perturbou. 

A narrativa, embora pouco pautada com diálogos, afigura-se-me como cativante. A violência psicológica em cada linha e em cada pensamento, comportamento e acto de Cillian conferem uma dinâmica muito profunda ao enredo que se torna envolvente e intenso.

Alberto Marini presenteia-nos também com outras personagens, cada uma com as suas vivências muito próprias e intrincadas e lança-nos num enredo rico em detalhes. Simultaneamente, o enredo vive da dimensão psicológica que o autor consegue captar de maneira brilhante.

Mais do que um thriller comum, "Enquanto dormes" é uma viagem à profundeza da mente humana e respectiva complexidade no que toca à normalidade e aos traços de doença mental. Alberto Marini é, na minha opinião, um autor a acompanhar futuramente, já que a sua escrita, enredo e narrativa humana e psicológica é deveras interessante.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


segunda-feira, 23 de junho de 2014

"Os Filhos do Éden" (Ken Follett): OPINIÃO!

Ken Follett é Ken Follett! Dos livros do autor que li até ao momento (Os Pilares da Terra I, Os Pilares da Terra II, A Ameaça, O Voo das Águias, O Escândalo Modigliani) não houve nenhum que eu não tivesse gostado. Claro que é verdade que gostei mais de uns do que de outros, mas a qualidade das suas narrativas está sempre presente. Ken Follett nunca desilude e talvez seja esse o seu segredo para conquistar um tão vasto número de leitores: desde os seus romances históricos até aos seus thrillers há sempre histórias que agarram quem é apaixonado pelos livros.

Quando li a sinopse d' "Os Filhos do Éden" questionei-me se a temática do livro me iria prender e iniciei a leitura esperando ser surpreendida por este autor tão apreciado e é inquestionável que algo na narrativa me prendeu de uma forma tão automática que me deixou espantada e lançou-me numa leitura onde o voltar de páginas foi feito com imensa expectativa e crescente interesse como se um poder mágico me tivesse aprisionado às linhas e quando num dia apenas devorei duzentas páginas percebi que estava perante mais um sucesso literário de Ken Follett.

De um lado temos uma comunidade que vive isolada no sopé da Serra Nevada e que abomina o materialismo das sociedades actuais e que vive de uma forma muito natural e despretensiosa, onde o seu líder Priest desempenha um papel fulcral, mantendo bem presentes os ideais desta comunidade que vive isolada e rodeada de um secretismo intenso e do outro lado temos as forças policiais do FBI, sob a alçada da agente Juddy Maddox, que são chamadas a intervir quando um grupo anónimo ameaça provocar um terramoto. 

Por detrás desta ameaça perigosa está esta comunidade secreta que se sente em perigo por causa do projecto de construção de uma barragem próxima do local onde vivem e onde construíram toda a sua vida. Se a barragem for construída, tudo aquilo que têm desaparecerá sob as águas e a forma de impedirem essa destruição é precisamente através da ameaça de fazer algo tão radical que provoque medo às forças governamentais e as faça desistir deste projecto. Será que é mesmo possível provocar um terramoto? Se sim, como? E será que os fins justificam os meios mesmo que isso implique a possibilidade de se ceifarem vidas humanas inocentes?

Numa narrativa que se faz alternada entre as vozes desta comunidade e as vozes do FBI, o autor Ken Follett dá-nos as perspectivas de ambos os lados, ao mesmo tempo que vai conferindo uma profundidade gradual a cada uma das personagens envolvidas.

"Os Filhos do Éden" remete-nos para uma narrativa onde o tempo voa. A acção decorre num ritmo frenético e o leitor sente na pele uma sensação de urgência que torna a leitura inquieta e impaciente fazendo-o refém das páginas. É imperativo que se evite uma catástrofe. Assim, a acção desenrola-se num ritmo alucinante e as páginas sucedem-se umas atrás das outras na ânsia de descobrir o que vai acontecer.

Toda a trama está assente em personagens credíveis que, apesar de estarem envolvidas numa situação deveras complexa e única, nos revelam traços de humanidade. Não obstante, a obsessão de Priest em salvar a sua comunidade leva-o a comportamentos que roçam os limites da loucura e o fazem perder a noção da realidade e traçar um caminho perturbadoramente letal.

Em "Os Filhos do Éden" fica claro porque Ken Follett é, por um lado, um autor tão apreciado e, por outro, porque é um contador de histórias tão magnifico: a sua forma de escrever, os seus enredos e tramas intrincadas, as suas narrativas criativas e cheias de suspense, os seus ritmos de acção intensos e as suas personagens solidamente construídas revelam uma mestria difícil de igualar.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!

«Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.»
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segunda-feira, 19 de maio de 2014

"A Casa Negra" (Peter May): OPINIÃO!

"A Casa Negra" do autor Peter May seduziu-me pela sua sinopse e pela sua capa que nos levam a imaginar que vamos entrar numa leitura obscura, sombria e única. E finda a leitura não posso deixar de mencionar que a minha intuição estava perfeitamente correcta: este livro da Marcador é sem dúvida um thriller recheado de segredos, recantos e nuances

Mais do que um típico policial centrado na investigação criminal, "A Casa Negra", primeiro volume da Trilogia Lewis, é um thriller focado nas personagens, onde sobressai um apurado retrato de uma comunidade encerrada em si mesma. Afinal, a Ilha de Lewis é um dos locais mais recônditos da Escócia e viver numa ilha isolada e centrada nos seus ideais e tradições tem o seu efeito nos seus habitantes. 

A par do retrato de uma comunidade, o autor Peter May traz até ao seu leitor um conjunto de personagens, sendo que os seus passados vão sendo desvendados gradualmente, ao mesmo tempo que nos vamos apercebendo que o passado tem o seu impacto muito próprio no presente.

Fin Macleod viveu na Ilha de Lewis enquanto jovem, tendo sempre em si o desejo de fugir daquele lugar escuro, de ser livre num outro sítio com uma outra mentalidade e forma de estar, renascer noutra vida deixando o passado para trás. Agora em adulto, Fin é polícia e é a sua profissão que o vai levar de volta à Ilha de Lewis. Fin esteve envolvido na investigação de um crime e quando um outro crime, com o mesmo modus operandi, é cometido na Ilha de Lewis, Fin é chamado para avaliar se estes crimes estão relacionados e se o autor é o mesmo. Esta investigação vai levar Fin ao seu passado e vai levá-lo a reencontrar muitos daqueles que marcaram a sua infância naquela ilha.

Através da sua escrita repleta de descrições e de elementos muitos visuais, que colocam o leitor no centro da própria acção, o autor Peter May, a par da investigação criminal em curso, leva-nos até às personagens, sendo que Fin começa a conhecer um lado novo daquelas crianças que conheceu na sua infância e que eram os seus amigos de brincadeiras ou inimigos de discussões e aventuras perigosas. E é à medida que vamos sentindo um aprofundar de relações e de laços afectivos construídos na infância que vamos também entendendo o seu peso na investigação actual.

Através de uma narrativa que varia entre passado e presente, sem se tornar confusa, começamos a conhecer Fin de uma forma mais profunda e intensa e é o facto de o irmos conhecendo enquanto criança que nos leva a estabelecer uma empatia muito especial com esta personagem. Ao mesmo tempo, o autor Peter May mostra-nos Fin no presente, as suas relações, os seus sentimentos, a história da sua família e certos acontecimentos na sua vida conferem-lhe uma humanidade muito forte.

Em "A Casa Negra", é inegável que a verdadeira essência da narrativa está nas personagens: são os seus segredos que acabam por influenciar toda a acção e, como tal, apercebemo-nos que cada uma delas, à sua maneira, tem um impacto próprio no desenrolar da narrativa.

A escrita do autor aliada a um enredo por vezes pesado e inquietante, contribuem para que o leitor tenha uma sensação de urgência em avançar nas páginas, revelar segredos, deslaçar fios de mentiras e omissões e chegar à verdade.

O retrato psicológico que é feito sobre cada uma das personagens é simplesmente impressionante e leva-nos a conhecê-las até ao mais fundo do seu ser e da sua alma. Embora possamos ter as nossas desconfianças no que toca ao autor do crime que levou Fin, de volta, até à Ilha de Lewis, a verdade é que o autor Peter May cria um desfecho final que, decerto, não passará pela cabeça de nenhum leitor. Eu fiquei boquiaberta com as páginas finais, com a revelação da verdade. O autor cria uma tal envolvência psicológica através do seu enredo e constrói uma narrativa tão marcante que seria de esperar que o final não conseguisse bater a qualidade mostrada ao longo das páginas, mas a verdade é que o autor supera-se no final brindando o leitor com um misto de choque e perplexidade. 

Basicamente, Peter May conquistou-me com este seu livro "A Casa Negra" deixando em mim uma curiosidade e ansiedade imensa até que chegue o segundo volume desta trilogia. O leitor tem de estar preparado para uma leitura pesada e, por vezes, negra para conseguir absorver toda a excelência e todo o alcance desta narrativa: das suas verdades, das suas mentiras, dos seus elos e segredos, segredos esses que por vezes tentamos apagar para nos auto-preservar, mas que quando regressam à luz do dia mudam a nossa vida para sempre.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!

sexta-feira, 16 de maio de 2014

"A Hipótese do Mal" (Donato Carrisi): OPINIÃO!

A minha estreia no autor Donato Carrisi foi com o seu livro "Sopro do Mal" que arrebatou-me de forma tão intensa que ainda hoje figura entre os meus livros preferidos de sempre. Entretanto, a Porto Editora publicou "O Tribunal das Almas" que também chamou a minha atenção e eis que agora chega até nós "A Hipótese do Mal" que resgata a personagem Mila Vasquez que ficamos a conhecer em "Sopro do Mal". Vi esta novidade, olhei para a capa, li a sinopse e fiquei automaticamente em pulgas para me aventurar nesta leitura.

Mais do que um policial com crimes e investigações, Donato Carrisi oferece aos seus leitores thrillers absurdamente envolventes, com narrativas marcantes, com personagens únicas e profundas, com acções viciantes e com enredos inteligentemente construídos.

Para mim, "A Hipótese do Mal" não destrona "Sopro do Mal" do seu lugar de eleição no meu coração, mas anda lá perigosamente perto. Entrei na leitura. A pouco e pouco fui ficando envolvida e a premissa de que pessoas desaparecidas há muito tempo regressam de repente para matar criou em mim um fascínio vincado. Primeiro, somos levados a questionar-nos se estas pessoas desapareceram por vontade própria ou não. Em segundo, perguntamo-nos se estarão vivas ou mortas. E, por fim, queremos saber porque regressam para praticar o mal. Será um grupo terrorista? Será um culto? Haverá um "mestre" por detrás desta acção?

Mila Vasquez trabalha para a polícia no Gabinete de pessoas desaparecidas, mais conhecido como "Limbo" e quando esta série de homicídios começa a acontecer e se começa a perceber que quem mata é uma pessoa que até então estava desaparecida, Mila é chamada pelos seus superiores para participar nesta investigação. Só que Mila não é uma mulher qualquer. Mila esteve envolvida anteriormente num caso extremamente complexo e, inicialmente, resiste a envolver-me nesta investigação actual. Mila é uma mulher marcada pelo passado, incapaz de avaliar o perigo e que se sente atraída pelas sombras, quase como se fosse puxada por uma força invisível e irresistível. Envolver-se neste caso é arriscar-se a entrar no submundo do mal.

A par de Mila Vasquez, o autor Donato Carrisi brinda o leitor com uma nova personagem: Simon Berish, um polícia rejeitado pela sua própria classe profissional por, no passado, ter estado envolvido num caso de corrupção. Simon é também ele uma personagem marcante, com um passado doloroso que acabará por trabalhar conjuntamente com Mila nesta investigação peculiar.

A verdade é que o autor Donato Carrisi dá vida a personagens extremamente marcantes, com backgrounds únicos e doridos que são trazidos para a narrativa e que criam uma envolvência muito humana no desenrolar da acção. A profundidade emocional e psicológica que o autor consegue dar aos seus personagens é tal que o leitor acaba por ser atraído pelas mesmas, deixando-se levar até às profundezas das suas almas.

Em comum, Mila e Simon têm passados conturbados, segredos enraizados no lugar mais fundo do seu ser. Ambos vivem com os demónios dos seus passados, sendo que esta componente psicológica acaba por conferir uma densidade absoluta ao enredo.

A par deste casal de protagonistas, "A Hipótese do Mal" vive também de tantas outras personagens que, embora possam parecer mais secundárias, desempenham um papel fulcral no desenrolar da narrativa e que em função das suas próprias vivências, experiências e passados, a enriquecem, de maneira indubitável. Afinal, a magia do enredo está no conjunto das várias personagens cujos segredos, esquemas, mentiras e passados confluem para um final extraordinariamente surpreendente.

Assim, a par da acção, da investigação e dos crimes, somos atraídos pelas personagens, pelas suas vivências, pelos seus comportamentos e acções. E se por vezes julgamos conhecer determinada personagem, a verdade é que há alturas em que ficamos chocados com revelações e com o seu envolvimento no decurso da acção e no próprio desenrolar do mistério. Donato Carrisi constrói personagens com dimensões múltiplas e secretas, criando no leitor uma sensação de desconfiança relativamente às suas verdadeiras personalidades e secretos objectivos.

No decorrer da narrativa senti-me por vezes inquieta, outras tantas confusa e outras ainda curiosa, ansiosa e na expectativa relativamente ao desfecho do livro.

"A Hipótese do Mal" aparece-nos como uma narrativa imbuída de suspense, de tensão e de sombras. E a verdade é que todo o enredo despertou em mim reflexões interiores, pois todos nós em algum ponto das nossas vidas já desejamos desaparecer, deixar o passado para trás, deixar a nossa existência actual para trás e começar num sítio novo, uma vida nova. Estas reflexões levam-nos a sentir, em determinado momento, algum grau de empatia por aqueles que decidiram desaparecer. E, de repente, essa empatia transforma-se em estupefacção quando essas pessoas reaparecem para matar. Conheces a hipótese do mal? Será que o mal cometido com um objectivo para o bem justifica a acção em si?

Durante a leitura houve momentos em que tive de parar e inspirar fundo para conseguir absorver certos acontecimentos e outros momento houve em que, pura e simplesmente, tive de voltar atrás e reler as mesmas linhas para me assegurar de que tinha lido e compreendido bem.

O autor cria um enredo tão intrincado que a cada página somos surpreendidos. É inquestionável que Donato Carrisi consegue criar, de tal forma, um nó feito de suspense e de pequenos fios de mistério e ligações que vão sendo tecidos ao longo da narrativa, que o leitor pode pensar que já descobriu a verdade e, repentinamente, aperceber-se de que nada é afinal o que parecia ser. O autor cria no leitor uma ânsia intensa de deslaçar estas linhas para conseguir terminar o puzzle e compreender a plenitude da verdade. 

Em suma, em "A Hipótese do Mal", o autor Donato Carrisi volta a mostrar por que é um mestre a construir enredos genialmente arquitectados, onde a narrativa é toda ela marcada pelo suspense, pela profundidade psicológica, pela densidade humana e pelo mistério até à última linha, linha essa que provoca um formigueiro e uma inquietude no leitor por deixar no ar a possibilidade de uma nova história.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


segunda-feira, 28 de abril de 2014

"Seis Anos Depois" (Harlan Coben): OPINIÃO!

Apesar de ter cá em casa praticamente todos os livros do autor Harlan Coben publicados pela Editorial Presença, a verdade é que a maioria ainda estão por ler, porque nós leitores muitas vezes sucumbimos a preços tentadores e a promoções irresistíveis e como temos mais olhos do que barriga vamos acumulando livros e, como tal, Seis Anos Depois é apenas o segundo livro do autor que leio, sendo que anteriormente li Falta de Provas.

Depois de ter lido Falta de Provas fiquei com a sensação de que Harlan Coben é daqueles autores que nunca me vai desiludir e que me oferecerá sempre narrativas plenas de suspense e por isso fui coleccionando os seus livros.

Seis Anos Depois foi lançado no início deste ano pela Editorial Presença e a sua sinopse despertou logo a minha curiosidade e eis que agora em Abril senti vontade de ler um bom thriller e a minha escolha acabou por recair sobre este título do autor Harlan Coben.

Jake Fisher é apaixonado por Natalie...
Conhecem-se...apaixonam-se instantaneamente...vivem uma história de amor intensa e breve...
Natalie coloca um ponto final nesta relação e decide casar Todd...
Jake não compreende esta decisão de Natalie...decide ir vê-la a casar-se...
Jake faz uma promessa a Natalie: nunca mais procurá-la.
Jake cumpre a promessa até que seis anos depois se depara com o obituário de Todd e decide ir ao seu funeral na ânsia de reencontrar Natalie...
A partir de aí nada será igual...

É assente neste início de narrativa marcado pelo suspense que o autor Harlan Coben lança o leitor nunca narrativa onde o mistério e a intriga se vão adensando cada vez mais, com uma força incrível e uma tensão palpável.

Afinal a viúva de Todd não é Natalie mas sim uma outra mulher com quem Todd esteve casado mais de vinte anos e com quem teve dois filhos. Mas Jake viu Natalie a casar-se com Todd...Como pode ser isto possível?

Jake começa uma busca pelo seu grande amor que o irá colocar em situações complicadas. Parece que ele não é o único à procura de Natalie. As dúvidas surgem e o passado parece estar cheio de mentiras.

A narrativa vai avançando enquanto Jake vai procurando Natalie sem sucesso e, Harlan Coben cria um enredo de tal forma envolvente e complexo que por vezes o leitor chega ao ponto de se questionar sobre a sanidade  de Jake e se Natalie existe mesmo. De repente, a acção desenrola-se, novas reviravoltas acontecem e o leitor começa a perceber que algo de muito obscuro parece estar por detrás deste desaparecimento de Natalie.

Harlan Coben constrói um enredo complexo, onde o leitor se depara com uma intrincada rede de personagens e segredos. O autor é mestre em criar a confusão na mente do leitor fazendo-o questionar-se sobre a verdade a cada página que lê e o facto da narrativa ser feita na voz de Jake torna a leitura ainda mais marcante.

A par do mistério, "Seis Anos Depois" de Harlan Coben conta-nos também uma história de amor interrompida de forma abrupta, onde impera a saudade e uma necessidade de resolução. Uma promessa foi feita, mas o amor não terminou. 

À medida que a narrativa se vai desenrolando, as situações com que se Jake se vê confrontado são tão inusitadas que o leitor se vê envolto em tanto mistério, intriga e suspense que a acção ganha uma aura de conspiração e a leitura torna-se viciante e célere.

Em "Seis Anos Depois", Harlan Coben atira o leitor para uma narrativa onde as descrições são muitos reais e vividas, onde a acção é pautada por uma dimensão visual intensa, levando o leitor a sentir que está perante um filme onde imagem após imagem tudo acontece de forma estonteante. Este dimensão visual é tão intensa que o filme já se encontra em fase de desenvolvimento pela Paramount Pictures e este projecto conta com a colaboração de Tom Rothman e Mark Gordon e será protagonizado por Hugh Jackman.

O enredo é carregado de tensão e a trama torna-se apaixonante graças às personagens reais e intensas que se cruzam e se entrecruzam numa teia de relações, segredos e mentiras.

Em suma, "Seis Anos Depois" revela-se um thriller que faz o leitor acelerar a leitura, virar as páginas com ansiedade, envolvendo-se numa narrativa onde a verdade total e o desvendar do mistério só acontece mesmo nas últimas páginas. O pleno alcance da verdade é apresentado ao leitor que, após tanto suspense, consegue finalmente recuperar a respiração.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!

«Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.»
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terça-feira, 25 de março de 2014

"O Escândalo Modigliani" (Ken Follett): OPINIÃO!

Ken Follett é Ken Follett. Sempre que está prestes a ser lançado um novo livro deste autor, os leitores seus fãs são envolvidos numa corrente de curiosidade e ficam ansiosos por desvendar que nova história o autor lhes vai oferecer.

Como tal, quando vi que "O Escândalo Modigliani", originalmente publicado em 1976 e agora reeditado pela Editorial Presença, ia ser lançado fui espreitar a sinopse que me agradou automaticamente pelo seu tom implícito de mistério.

Tudo começa quando Dee Sleign, uma jovem formada em História de Arte, se depara com a pista de um Modigliani desconhecido que o pintor terá oferecido a um amigo. Neste cenário, Dee vê a oportunidade perfeita de ir ao encalço desta obra e, a partir daí, criar a sua tese de mestrado. Só que Dee comete um erro: partilha esta pista com o seu tio, dono de uma conceituada galeria de arte e, à medida que vamos avançando na leitura vamos vendo que a "notícia" do Modigliani se espalha e muitas são as personagens que têm interesse próprio em serem elas a descobrir este quadro. 

De capítulo em capítulo vamos ficando a conhecer personagens variadas entre eles Charles Lampeth, o tio de Dee, assim como um jovem pintor que luta para ver o seu nome reconhecido no mercado de arte e um outro homem formado em Arte mas sem jeito para pintar que tenta abrir a sua própria galeria.

Através de uma escrita célere onde vai sobressaindo um enredo que ganha mistério de forma gradual, o autor Ken Follett dá-nos a conhecer as personagens, nomeadamente, no que toca às suas vidas pessoais e profissionais e aos seus anseios e dificuldades.

Ao longo da narrativa, "O Escândalo Modigliani" encerra um cariz de mistério e suspense que se vai acentuando à medida que vamos vendo que muitas personagens andam atrás do quadro desconhecido, sendo que o clima de tensão e busca é quase palpável graças à forma como Ken Follett transporta o leitor para dentro das suas páginas e o envolve com as suas descrições e ritmos de acção.

A par desta envolvência de mistério, o autor Ken Follett introduz, de forma brilhante, uma nota de crítica absolutamente apurada e mordaz ao mundo dos marchands e das galerias e da arte em geral. Na narrativa construída pelo autor acaba por sobressair a hipocrisia do mercado da arte por só valorizar os artistas aquando da sua morte: são inúmeros os pintores cujo nome e obra só são reconhecidos e monetariamente valorizados quando já faleceram. Ao mesmo tempo, Ken Follett cria personagens onde é visível a luta dos novos artistas para singrar no mercado da arte.

É assente nesta crítica que o autor Ken Follett cria um enredo onde um esquema de falsificação, genialmente orquestrado, põe a nu a fabilidade dos peritos de arte e abana os alicerces do mercado de arte. É cativante a forma como o autor, através da criação deste esquema de falsificação, consegue destacar a importância de se valorizar os artistas ainda em vida.

Envolvido por este contexto, o leitor continua a acompanhar as personagens e a questionar-se onde estará o Modigliani desconhecido e quando este é descoberto coloca-se a questão: será este Modigliani verdadeiro ou uma falsificação? Quem terá conseguido ficar com o Modigliani verdadeiro?

Ken Follett cria um ambiente de mistério e suspense que se mantém até à última página, brindando o seu leitor com um desfecho absolutamente surpreendente. Deste modo, "O Escândalo Modigliani" revela-se como uma narrativa de qualidade, embora seja de mencionar que, atendendo ao facto de anteriormente já ter lido outros livros do autor (Os Pilares da Terra I, Os Pilares da Terra II, A Ameaça e O Voo das Águias), publicados já depois deste que foi lançado originalmente em 1976, nota-se que ao longo dos anos o autor Ken Follett tem vindo a apurar, de forma magistral, a sua capacidade para criar e contar histórias repletas de mistério.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

"Tríptico" (Karen Slaughter): OPINIÃO!

"Tríptico" foi uma das minhas leituras de Dezembro de 2013 e, logo nas primeiras páginas, despertou-me aquela intuição de que estava perante um thriller que me iria arrebatar e tão certeira foi a minha intuição que este livro da autora Karin Slaughter entrou de forma automática e inquestionável para o meu Top 10 de 2013

"Tríptico" lança-nos uma sinopse que deixa no ar uma história que promete conquistar os leitores deste género literário e quando somos confrontados logo nas primeiras páginas pela morte chocante de uma prostituta (Aleesha Monroe) num bairro social é inevitável exclamarmos de espanto. Confesso que fiquei abismada com a descrição da cena do crime que é pautada por um grafismo intensamente real, onde a violência do crime arrepia a pele do leitor.

O detective Michael Ormewood fica responsável pelo caso, mas entretanto entra em cena o Agente Especial Will Trent com quem Michael antipatiza automaticamente. Anteriormente ocorreram outros crimes com características semelhantes e em todos eles, o assassino deixou uma nota distintiva e perturbadora: as línguas das vítimas foram arrancadas à dentada: será que estamos perante um assassino em série?

Com o decorrer da narrativa vamo-nos apercebendo que a autora Karin Slaughter aposta fortemente na caracterização psicológica e emocional das personagens, atribuindo a cada uma delas um background único que acaba por conferir uma dimensão humana e de maior complexidade ao enredo.

Vamos acompanhando o decurso da investigação e vamos sendo surpreendidos com reviravoltas e descobertas que atiçam a curiosidade do leitor e o lançam numa leitura frenética e quase obsessiva na ânsia de chegar à última página.

A autora acrescenta uma carga adicional de suspense a uma leitura já de si deveras intensa, ao brindar-nos com uma personagem (John Shelley) que por ter saído recentemente da prisão por um crime cometido no passado (assassinato de uma colega de escola) nos leva a questionar se agora solto voltou a atacar, tendo sido Aleesha Monroe a sua primeira vítima pós-libertação.

A aura de suspeita envolve a narrativa e, embora a identidade do criminoso acabe por ser revelada relativamente cedo, a verdade é que a dinâmica das personagens, as suas relações e os seus segredos e fantasmas do passado, bem como uma trama profunda e complexa e uma acção de ritmo alucinante, remetem para uma leitura absolutamente viciante do início ao fim.

"Tríptico" é por excelência um thriller de cortar a respiração, não só por tudo o que já foi exposto, mas também por todas as outras nuances que encerra e que só podem ser descobertas na sua totalidade aquando da sua leitura. 

E o segundo volume da série "Will Trent" será publicado este ano pela Topseller com o título "Fraturado" por isso preparem-se!

CLASSIFICAÇÃO: 7. Absolutamente Fantástico!


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

"O Voo das Águias" (Ken Follett): OPINIÃO!

Ken Follett é um autor que tanto brinda os seus leitores com thrillers como com romances históricos e, embora eu já tenha tido oportunidade de ter um pequeno vislumbre dos thrillers de Follett quando li "A Ameaça", a verdade é que estou mais familiarizada com a sua vertente histórica ("Os Pilares da Terra I" e "Os Pilares da Terra II"), pelo que ler "O Voo das Águias" que alia a componente de thriller com casos de vida foi uma experiência especial.

"O Voo das Águias" nasce do pedido pessoal de Ross Perot, fundador e presidente da EDS em Dallas, ao próprio autor Ken Follett por ter sentido que a história dos seus homens merecia chegar a mais gente e ser contada de uma forma mais pormenorizada.

É um facto que iniciei esta leitura questionando-me se iria gostar, não por duvidar do brilhantismo do autor Ken Follett, mas sim por se tratar de uma história verídica. Nem sempre os casos reais nos tocam, nos agarram e nos emocionam. Contudo, "O Voo das Águias" traz-nos uma história capaz de prender o leitor que, quando confrontado com as circunstâncias que os elementos da EDS e respectivas famílias viveram, não consegue ficar indiferente.

Em 1978 e no contexto da revolução iraniana, dois colaboradores americanos da EDS são presos no Irão, sem saberem o porquê e de crime estão acusados, ao que se junta ainda um valor de fiança absolutamente irrisório. Sabendo da prisão de dois dos seus colaboradores, Ross Perot empreende uma iniciativa para tirar os seus homens da prisão a qualquer custo, por meios legais ou ilegais. Deste desejo de ver os seus colaboradores livres e de regresso a casa, vai nascer um grupo de voluntários escolhidos de entre os seus executivos - "as águias" - que irá liderar esta missão arriscada. 

Em "O Voo das Águias", o autor Ken Follett acaba por levar-nos por uma narrativa cheia de personagens, de acção e reviravoltas onde sobressai simultaneamente um enredo repleto de instabilidade política que acaba por dificultar qualquer tentativa de soltar Paul e Bill (os dois colaboradores da EDS) pelos meios legais.

Num ambiente de incerteza e confusão social decorrente da revolução iraniana que decorre, "as águias" vão empreender uma jornada de aventura e perigo para libertar Paul e Bill. Assim, "O Voo das Águias" faz um retrato absolutamente intenso e real desta história onde fica a nú a coragem e bravura de um grupo de homens que arrisca a sua própria vida, num país que não é o seu e que está à beira do abismo, para salvar os seus colegas e trazê-los em segurança para solo americano e para as suas famílias.

"O Voo das Águias" é um thriller marcado por uma acção célere e intensa, onde cada linha nos traz uma surpresa, uma aparente vitória, um novo obstáculo que acaba por deixar o leitor em suspenso, sem saber o que se vai passar, se este grupo vai ser bem-sucedido, se o seu regresso vai ser concluído. 

Ken Follett coloca-nos perante um grupo de homens e mulheres que se vêem confrontados com uma experiência única e dura, ao mesmo tempo que consegue trazer até ao leitor as suas personalidades, as suas emoções e os seus vínculos. Por nunca se esquecer que se trata de uma narrativa baseada em factos verídicos, o leitor vive esta leitura de forma inquieta até ao seu desfecho final.

"O Voo das Águias" é sem dúvida um thriller único onde o sofrimento, a luta, a coragem e a amizade são deveras intensos e verdadeiros.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!

Mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.
Para mais informações sobre o livro "O Voo das Águias" clique aqui.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

"Letal" (Sandra Brown): OPINIÃO!

Sou fã da autora Sandra Brown e já li todos os livros dela editados pela Quinta Essência (Calafrio, Uma Voz na Noite, Obsessão, Ricochete e Vidas Trocadas) e é para mim difícil destacar os meus preferidos, mas este está sem dúvida inserido nessa categoria.

Adorei este livro desde o início. Em "Letal", a autora Sandra Brown brinda-nos imediatamente com o início da acção: é directa, sem floreados e ficamos instantaneamente presos à leitura.

Assim que Honor Gillette vê Lee Coburn - suspeito procurado pelo homicídio de sete pessoas - entrar na sua vida esta nunca mais será a mesma.

Honor é mãe da pequena Emily de quatro anos e viúva do agente da polícia Eddie Gillette e com o decorrer da acção o leitor começa a suspeitar que se calhar a escolha da casa de Honor por parte de Coburn como esconderijo da perseguição policial não foi um mero acaso.

A autora Sandra Brown leva-nos pelos meandros do crime, do mundo do tráfico, das ligações criminosas e da exploração sexual e humana. Ao mesmo tempo, a autora, através da sua criatividade e astúcia consegue instalar a dúvida no leitor quanto ao grau de confiança das pessoas que rodeiam Honor.

A narrativa é muito fluída e a acção célere pelo que o leitor é levado por uma leitura que prende e conquista não só pelas temáticas criminosas, mas também pelo facto da autora Sandra Brown presentear-nos com um livro repleto de relações humanas onde sobressaem os afectos e as personalidades ricas das várias personagens.

Mais uma vez em "Letal" a autora Sandra Brown brinda-nos com um policial onde as nuances de romance e de sensualidade estão presentes, embora o carácter deste livro seja predominantemente policial.

"Letal" é marcado pela caça a Lee Coburn, sendo que este tenta junto de Honor provar-lhe que não é assassino nenhum e que as pessoas que a rodeiam não são de confiança.

"Letal" da autora Sandra Brown é um livro repleto de riqueza no que toca às temáticas abordadas, nomeadamente as relações familiares, os dramas relacionais no seio de um matrimónio (um casal que tem um filho deficiente e a vivência pessoal e marcante desta problemática), as redes criminosas, o tráfico de drogas e de mulheres.

A acrescentar a toda uma narrativa de suspense e mistério, temos a personagem intrigante do Guarda-Livros que parece estar por detrás de uma associação criminosa enquanto líder, sendo que o leitor fica na expectativa de descobrir a sua identidade. 

A autora Sandra Brown consegue manter o mistério até ao final surpreendendo-nos não só com a revelação da identidade desta personagem, bem como com um desfecho final inesperado.

Em suma, Sandra Brown volta a conquistar o leitor pela narrativa, pela escrita, pelo enredo, pelas temáticas abordadas e pela criatividade.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Fetiche (Tara Moss): OPINIÃO!

"Fetiche" foi um dos muitos livros que adquiri na Feira do Livro do Porto do ano passado. Na altura a sinopse agradou-me imensamente mas só agora, passados estes meses, é que o retirei da estante para o ler.

Finda a leitura devo admitir que foi um erro ter demorado tanto tempo a retirar este livro da estante, porque adorei simplesmente!

"Fetiche" da autora Tara Moss é o primeiro livro de uma série protagonizada por Makedde Vanderwall, uma estudante de Psicologia Forente/modelo que aquando de uma visita à sua grande amiga - Catherine Gerber - também ela modelo, encontra o seu corpo mutilado. Esta descoberta chocante de que a sua querida amiga foi brutalmente assassinada dá o mote para toda a acção do livro.

Um cruel assassino com um fetiche por sapatos (e pés) anda à solta e já matou anteriormente outras mulheres e estes crimes são pautados por requintes de malvadez; as vítimas são mutiladas.

Em cena entra o Sargento-Detective Andrew Flynn que tem a seu cargo a enorme responsabilidade de encontrar este psicopata a quem já apelidaram de "o assassino dos stilettos".

Makedde, pela ligação de amizade que tinha com Catherine e pela sua formação académica em Psicologia Forense não se consegue manter afastada do caso e, consequentemente, irá acabar por se tornar alvo da obsessão deste criminoso sádico.

A acção de "Fetiche" está repleta de acontecimentos e a autora Tara Moss traz-nos um livro que gira em torno dos procedimentos forenses o que agarra os leitores que gostem desta vertente criminal.

Por outro lado, a autora presenteia-nos com uma narrativa célere cheia de diálogos e surpresas o que prende o leitor à leitura e o envolve de suspense e ânsia para saber o que vai acontecer a seguir.

A escrita de Tara Moss é muito directa, fluída e sem floreados, o que conjuntamente com um livro marcado pelas surpresas e reviravoltas faz com que se vire página atrás de página com uma rapidez tremenda.

Os capítulos são pequenos e terminam invariavelmente de uma forma suspensa o que faz com que seja praticamente impossível de resistir a ler só mais um capítulo e outro e outro.

As personagens são de um realismo intenso, e à parte da investigação criminal, a autora Tara Moss permite-nos conhecer as suas personalidades, os seus medos, as suas problemáticas familiares, as suas relações afectivas e os seus mundos interiores. 

Há ainda a acrescentar o facto de neste policial a autora Tara Moss ter dado umas pinceladas de romance o que acarreta uma dinâmica muito interessante ao livro. 

Para além de tudo isto, existem certos capítulos que surgem na voz do "assassino dos stilettos" o que nos dá um fugaz vislumbre da sua mente distorcida. A componente psicológica de fetiche e psicopatia associadas a esta personagem criminosa enriquecem intensamente a narrativa, sendo que a motivação para os crimes só é desvendada com a aproximação do desfecho do livro.

"Fetiche" de Tara Moss é um daqueles policiais inteligentes e magnéticos que conjugam crime, investigação, romance, reviravoltas, suspense, inquietude, suspeição e psicologia.

A meu ver, Tara Moss é uma autora a seguir com atenção. Fiquei desejosa de que a Porto Editora continue a apostar nesta autora e nos brinde com o segundo volume desta série que tem neste primeiro livro "Fetiche" um início deveras empolgante e promissor.

CLASSIFICAÇÃO: 6. Excelente!


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

"Vidas Trocadas" (Sandra Brown): OPINIÃO!

Já li todos os livros da autora ("Calafrio", "Uma Voz na Noite", "Ricochete" e "Obsessão") e na minha opinião um dos aspectos que conquista o leitor é o facto de Sandra Brown aliar romance e policial nos seus livros.

Sempre que inicio um novo livro da autora Sandra Brown faço-o com curiosidade e "Vidas Trocadas" não foi excepção.

Melina e Gillian Lloyd são irmãs gémeas e é praticamente impossível distingui-las. Agora adultas decidem fazer uma partida de crianças: trocarem identidades e fazerem-se passar uma pela outra.

Quando Gillian é encontrada brutalmente assassinada, Melina não consegue evitar sentir-se culpada por ter incitado Gillian a fazer algo tão infantil como a troca de identidades.

Arrastado para esta situação é o astronauta Christopher Hart que pensa ter estado com Melina - relações públicas dos famosos - mas que afinal envolveu-se foi com Gillian a fazer-se passar por Melina.

Neste cenário entre o Dectective Lawson que resolve este caso de homicídio com facilidade e descobre o autor do crime.

Só que Melina, juntamente com Hart, sente que este crime foi resolvido com demasiada rapidez e facilidade e sente até que as provas foram deixadas no local do crime para conduzir àquele suspeito em específico.

Quando Melina e Hart começam a ser alvo de acontecimentos de carácter estranho e vítimas de perseguição têm a confirmação de que algo mais está por detrás da morte de Gillian e que este crime não está resolvido na sua totalidade.

Sandra Brown leva-nos por um livro onde nos perdemos nos meandros não só da inseminação artificial, mas também da religiosidade e do perigo inerente à sua distorção.

"Vidas Trocadas" é um livro com policial e pinceladas de romance que nos leva para uma história cheia de intriga, acção, suspense e surpresas.

A narrativa tem uma forte aura de mistério e a acção tem um ritmo célere e surpreendente, o que leva o leitor a entregar-se à leitura com entusiasmo e curiosidade.

A escrita da autora Sandra Brown está pautada por uma sucessão de acontecimentos inesperados que prendem o leitor às páginas.

O enredo está construído de forma criativa e as personagens afiguram-se-nos cativantes e misteriosas. A trama de "Vidas Trocadas" aborda temáticas particulares o que enriquece a narrativa.

As voltas e reviravoltas que se vão desenrolando culminam num desfecho final inesperado que provoca inevitavelmente espanto no leitor.

A componente romântica do livro confere um colorido diferente à narrativa e acaba por tornar as personagens mais próximas do leitor que acaba por aguardar expectante a resolução do mistério por detrás da morte da gémea Lloyd.

A meu ver "Vidas Trocadas" é mais uma leitura cativante de uma autora que já conquistou solidamente leitores de todo o mundo.

CLASSIFICAÇÃO: 5. Muito Bom!


terça-feira, 9 de outubro de 2012

"Mord.Net" (Dan Buthler e Dag Öhrlung): OPINIÃO!

Em primeiro lugar o que me apraz dizer sobre "Mord.Net" da Editorial Presença é que este é um livro cheio de personagens, cenários, tensões e uma intrincada teia de acontecimentos.

Logo de início o leitor depara-se com uma leitura que exige concentração devido ao elevado número de personagens e à sucessão de novidades que nos vão sendo apresentadas em datas e cenários distintos.

Através de capítulos que vão saltitando entre datas e localizações diferentes, esta dupla de autores vai-nos dando a conhecer os meandros de uma história altamente complexa e repleta de acção.

Conhecemos elementos da polícia de vários países e com diferentes cargos que se deparam com uma problemática comum: o aumento significativo de homicídios por resolver, ao mesmo tempo que conhecemos não só personagens ligadas ao submundo do crime organizado mas também personagens aparentemente normais que cometem actos surpreendentes.

"Mord.Net" presenteia-nos no decurso da leitura com homicídios: pessoas que parecem ser normais transformam-se em assassinos e matam pessoas que não conhecem de lugar nenhum e com quem não têm sequer qualquer ligação, sendo que este facto deixa o leitor perplexo.

As forças policiais espalhadas um pouco por todo o mundo vêem-se a braços com estes crimes estranhos que parecem não ter solução à vista e a curiosidade do leitor vai aumentando gradualmente na ânsia de perceber afinal o que está por detrás destes crimes que parecem ser perfeitos e que não deixam qualquer pista.

Trata-se de uma leitura pautada pela riqueza no volume de personagens e pela diversidade de cenários que despoletam no leitor a vontade de dar seguimento à leitura e ir descobrindo cada vez mais.

É simultaneamente uma narrativa densa e intensa no que toca à história de vida pessoal de cada  uma das personagens, nomeadamente no que diz respeito aos segredos e vivências dramáticas daqueles que inexplicavelmente matam um desconhecido sem motivo.

"Mord.Net" é um thriller bem conseguido por parte desta dupla de autores que cativa os leitores que apreciam este género literário por reunir os ingredientes necessários: uma complexa rede de personagens com backgrounds e personalidades distintas, uma sucessão de mudanças de cenários, um clima de tensão e mistério, uma acção rápida, uma sequência de acontecimentos e revelações surpreendentes, uma teia de segredos e uma pitada de humanidade.

Em suma, "Mord.Net" apresenta-se-nos inicialmente como um conjunto de peças soltas que com o decorrer da acção se vão encaixando pouco a pouco como se de um puzzle se tratasse até que no final conseguimos entender os meandros desta história na sua plenitude, ao mesmo tempo que o leitor exclama de surpresa.

CLASSIFICAÇÃO: 4. Bom!